sábado, 25 de abril de 2015

Epílogo: A vida se renova (Zachary)

Peguei-lhe pela mão minúscula e caminhamos sobre a relva verde do jardim. Eu gostava de dedicar o meu tempo após o trabalho ao meu filho. Esses momentos não tinham preço para mim.
Fazia uma tarde bonita de céu alaranjado e azul escuro se preparando para anoitecer. Eu procurava mostrar ao meu pequeno a importância do contato com a natureza. Não queria que ele só tivesse a referência da cidade. Pelo contrário, estava tendo uma infância saudável e tranquila e crescia com uma energia que me dava cada vez mais forças para acompanhá-lo. Davi tinha a curiosidade inquieta e tudo apontava com o dedo indicador para me mostrar.
- É o passarinho. - abaixei-me para ficar da altura dos seus olhos negros cintilantes. - Ele está comendo uma minhoca. Você não vai gostar, blergt! - fiz uma careta e ele riu.
- Passarinho? - repetiu e levantou as sobrancelhas.
- É. Passarinho.
Davi tirou a mão apoiada no meu ombro e correu até o pobre animal que teve sorte de voar à tempo. Ri e balancei a cabeça para os lados.
- Vem cá seu moleque danado! - peguei-o no colo e o suspendi no ar. Davi deu um gritinho de felicidade com a sensação da falta de gravidade.
Ele tinha o rosto eternizado de Vanessa. Seus olhos e sorriso impressos. O cabelo liso de índio caindo-lhe na testa. Beijei sua bochecha rosada pelo sol e seus curtos bracinhos me envolveram.
- Zac. - ouvimos uma voz e Davi suspendeu o pescoço curioso.
Virei-me para o lado e vi caminhando para nós Michelle, com um vestido comprido esvoaçando pelo vento da tarde. Estava com um sorriso de quem não se surpreende por nos encontrar ali, passeando entre as árvores.
- Traz o menino para cá. - fez um sinal com a mão para entrarmos. - Ele deve estar com fome.
- Viu? - falei para Davi, apontando para Michelle. - Ela está brigando com a gente!
- Vem cá com a Michelle, vem meu lindo. - ela esticou as mãos e Davi impulsionou o corpo para frente.
- Você é muito dado, hein, garoto! - disse-lhe e deixei que fosse para o colo de Michelle.
- Nada! Ele está é com fome. Se deixar, brinca o dia todo. - ela beijou-lhe a barriga provocando-lhe cócegas e risos.
Os dois seguirem mais à frente e eu caminhei devagar atrás com as mãos no bolso da calça jeans. Olhei a nossa casa em estilo colonial e sentei à varanda em uma larga cadeira de ferro de três lugares com assento de finas almofadas quadradas de espuma. O sol já começava a se pôr e os pássaros se escondiam nas árvores. Os grilos começavam seu coro noturno e alguns vaga-lumes preparavam suas pequenas fagulhas de luz para brilhar na bela noite.
Era um ritual sentar-me ali todas as noites e esperá-la chegar. Como também era um hábito levantar-me ao escutar o barulho do carro se aproximando na estrada.
Sorri e me ergui em um pulo, fazendo as botas soarem sobre o assoalho de madeira da varanda com meus passos firmes e apressados. Caminhei pela trilha de pedras e abri o grande portão de madeira após o sinal das duas buzinadas. Afastei-me para o lado, permitindo a passagem. Os faróis iluminaram a frente da casa e depois se apagaram. Ela desligou o motor e fechou a porta com a chave, enquanto a outra mão punha a alça da bolsa no ombro. Virou o rosto para o lado e se deparou comigo de braços cruzados, admirando-a em seu jaleco branco e com o cabelo preso por um frouxo coque.
- Ai, amor... - soltou o ar dos pulmões e apoiou as duas mãos nos meus braços. - ... estou tão cansada. Um plantão muito exaustivo, não vejo a hora de tomar um bom banho quente.
Segurei seu rosto, inclinei o meu para a esquerda e a beijei com carinho, sentindo seus lábios úmidos e quentes. Puxei-a pela cintura para colar seu corpo no meu.
Recebi um afago na nuca e senti seus braços envolvendo meu pescoço. Seu cheiro inconfundível, o cabelo fino, o toque da pele. Tudo nela me trazia felicidade e alegria ao coração.
- Uau! - ela recuperou o fôlego e afastou apenas a boca, mantendo ainda a testa colada à minha. - A que devo essa recepção tão calorosa? - riu baixinho e acariciou as minhas bochechas delicadamente com a ponto dos dedos, provou ainda um pouco mais de um breve beijo.
- Só uma saudade repentina! - abracei-a longamente de olhos fechados e a balancei para os lados como quem nina um bebê.
- Humm... E o que eu vou ganhar de plus com essa saudade repentina?
- Eu estava pensando em te mostrar... - falei-lhe ao ouvido. - Podemos começar por aqui... - beijei-lhe o pescoço, provocando o seu riso. - Eu te amo, Nessa.
- Eu também te amo, Zac! Muito mesmo. - salpicou-me de beijos rápidos pelo rosto.
- Mãe! - ouvimos o grito de Igor.
Michelle que trazia o menino nos braços colocou-o no chão da varanda e Davi correu meio desajeitado pela grama. Tropeçou e caiu de joelhos.
Vanessa soltou-me e inclinou-se para ajudá-lo.
- Isso, levanta para cair de novo! - ela não se fez de compadecida por seu choro. - Você é um homem forte, rapaz. - limpou suas pequenas mãos sujas de terra e agachou-se na sua frente. - Agora dá um beijo bem gostoso aqui na mamãe. - Envolveu-o com os braços e colou seu rosto no dele. - Que delícia! A vovó te deu banho, é? - olhou para Michelle de braços cruzados com um sorriso orgulho como o meu, admirando os dois também. - Está tão cheiroso!
Vanessa e Davi eram as jóias mais preciosas da minha vida. Ainda posso ouvir o médico há quatro anos me dizer:
- Seu filho resistiu bem e está na incubadora.
E, logo em seguida:
- E sua mulher é uma guerreira! Ela não vai te deixar trocar as fraudas sozinho.
Formamos uma família muito feliz e repleta de amigos, como aqueles que agora faziam um baita churrasco nos fundos da casa.
- Olha só... - Michael, já meio alto pela cerveja, levantou-se. - ... Finalmente chegou a única pessoa que trabalha duro nessa casa! - brincou e apontou para Vanessa.
Todos rimos. Envolvi Vanessa e a abracei por trás, muito orgulhoso da mulher que tinha.
- Que isso? É um absurdo! - eu fingi me surpreender. - Aqui em casa, eu falo mais alto! Eu que mando, não é Nessa?! Ela fala: “Vem aqui agora!” e eu grito: “Sim, senhora!”
- Ele está tão engraçadinho, hoje! - Vanessa cerrou os olhos e deu-me um beijo de leve nos lábios. - Gente, eu vou tirar essa roupa de trabalho e tomar um banho. Preparem aí um bom prato de carne para mim!
- Pode deixar! - Michelle prontificou-se. Estava desfiando um pedaço de frango para colocar na boca de Davi, sentado em cima de uma mesa.
Vanessa entrou em casa e me perguntou se as malas na sala eram de sua mãe. Disse-lhe que já estava de saída, não poderia estender mais a estadia. Michelle viera nos visitar por uma semana para ver o neto e ficara hospedada conosco.
- É, ela vai voltar logo, mas quis esperar você chegar. - comentei.
- Fiquei muito feliz de saber que a mamãe conseguiu um bom emprego e está namorando. - comentou.
- Eu também. Ela mudou muito. Acho que todos merecem ser felizes como nós. - acrescentei.
- E você não mudou nada... - Vanessa me puxou para o quarto e me abraçou. - Continua o mesmo... - falou-me ao ouvido confissões irreveláveis.
- Ah! É? - suspendi as sobrancelhas. - Vou mostrar como progredi nesse quesito.
Fechei a porta atrás de nós e a beijei.
- Zaaaaac! - deu um gritinho entre risos.
Vanessa era como falei desde o princípio: tinha um jeito desde menina de me atear fogo aos olhos, quando eu os punha sobre as ondas de seu corpo protuberante, fruta carnuda que balança faceira no pé, prontinha para cair, mas de maldade não cai.
Era o melhor presente dado pela vida. As pessoas esperam achar alegria nas coisas, nas conquistas materiais ou no status social, quando, na verdade, a alegria está em nós e em quem amamos, é algo da ordem da alma.
- Está aí? - achei-a sentada na varanda da frente de casa com Davi no colo, sugando seu seio.
Sentei-me ao seu lado, ainda podíamos ouvir a música abafada vindo dos fundos da casa.
- Esse menino já está muito grande e você não desmama ele!
Ela levantou os olhos e virou o rosto para mim.
- E você tem 30 e tantos e também não cansou ainda de mim.
Eu sorri:
- É, não canso de nenhuma parte sua, nem um dedinho. - beijei-lhe os lábios e passei meu braço por trás dela na cadeira.
Davi esticou a mão e puxou o cabelo de Vanessa para chamar a atenção. Ela parou de me beijar e olhou para ele.
- Tá com ciúme da mamãe? - fiz um carinho no nosso filho. - Tem que saber dividir.
Vanessa abaixou a blusa e ficou balançando-o para os lados para que dormisse. Não demorou muito para que fechasse os olhos.
- Sono pesado igual ao do pai. - ela comparou, falando baixinho.
- Que injustiça!
- É verdade, injustiça. - ela concordou. - Mas ele não ronca. - ponderou.
- Ah! Malvada.
- Sou, é? - chegou seu rosto bem perto do meu.
- Mas eu te amo, minha linda. - sussurrei.
- Eu também te amo, Zac. - beijou-me apaixonadamente.

FIM

____________________________________________
Estoou de voltaaa com o Epílogo!!!
Só eu que quando comecei a ler essa capítulo comecei a imaginar o monte de bobagens!?
Como "oh não a Vanessa morreu" quando o Zac tinha dito que o Davi tinha
o "rosto ETERNIZADO de Vanessa"... E também como "aaah não ele 
está ficando com a Michelle" logo após ela aparecer toda cuidadosa com
o neto!? 
Ufaaaa! ainda bem que essa minhas imaginações férteis não são verdade!!
Que belo final!! Zac, Vanessa e Davi juntinhos!!! Ai que tudoooo!!
♥____________♥
Comentem ai...
Quero agradecer de coração a todos que leram essa fanfic, em especial minhas
leitoras que comentaram: Rafaela Diniz, Zanessa 4ever, Isabelle Dorigon, Liriane Melo,
Viviane Faria, Marisa, Regiane Ribeiro, CL', Deza, Jhennyfer, Sílvia, Laura Fernanda S. M. Duarte.
Se esqueci de alguém perdoe-me são muitos comentários... 
Meninas obrigada por acompanharem e por comentarem em algum momento e
espero que vocês acompanhe nossa próxima fic: Um filho teu
(Já podem correr lá porque o 1º capítulo foi publicado) e já está valendo nosso 
Top coments!! 
Beijos...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Último Capítulo: À caminho da luz (Zachary e Vanessa)

#Vanessa
As dores eram muito fortes e eu não conseguia raciocinar o que acontecia. Só via os enfermeiros me movendo de um lado para outro, um puxava um braço, o outro tirava a roupa. Eu só tinha consciência de que perdera sangue e alguma coisa não ia bem comigo porque começava a ficar fraca.
- Zac... - chamei-o e ele apareceu com seu rosto sorridente, segurando minha mão.
- Vai ficar tudo bem, minha linda.
- Zac, eu não sei. Eu estou com medo.
- Não precisa sentir medo, estou com você sempre
- Zac, eu falo sério... - recuperei o ar.
- Não fale nada, fique quietinha.
A maca começou a ser empurrada pelo corredor do hospital e eu fechei os olhos.
Quando os abri novamente vi Zac ao meu lado vestido de azul e com uma máscara. Não parava de segurar minha mão.
- Daqui a pouco tudo isso vai passar. - transmitiu-me esperança.
Os médicos pareciam muito agitados ao meu redor, trocando perguntas e respostas quase codificadas.
- Eu te amo... - sorri-lhe.
- Eu também, Nessa.
- Você vai cuidar do nosso filho, não vai?
- Nós vamos.
- Zac, não seja duro com ele.
- Pare de falar assim, te pedi isso uma vez... - ele aproximou seu rosto do meu e limpou a lágrima que corria dos meus olhos.
- Você foi um príncipe encantado. O capitão Zachary! - ri.
- Nosso Davi já está para chegar. Não fecha os olhos, meu amor. - pediu.
Senti que estava mais fraca e os enfermeiros afastaram Zac para poderem ter mais espaço.
- Não, Nessa! Neeeeessa!
Meus olhos pesaram com mais força. Consegui ver a imagem já embaçada do rosto de Zachary e depois tudo se esfumaçou e veio o silêncio pleno.
(...)
#Zachary
Minha mãe me recebeu na sala de espera com um abraço. Eu não disse nada, só agarrei-lhe com força.
- O que está havendo, Zac?
- Eles acharam melhor eu não ficar lá.
- Como ela está? - perguntou.
- Está muito fraca. Não sei se vão conseguir salvar os dois.
- ... - minha mãe não disse nada, também estava emocionada, mas manteve seu rosto duro e impassível. - Zac, acredite, não pode deixar de acreditar até o último segundo.
- Onde está a minha filha? - Michelle apareceu.
- Está na sala de cirurgia. - informei-lhe.
- Zachary, pela sua cara não está nada bem.
- Não está.
- Ai, Meu Deus! - ela levou as mãos à boca.
O médico aproximou-se de nós horas depois e eu quase o agarrei de tanta ansiedade para que dissesse o mais rápido possível a notícia.
- Como estão? Os dois estão bem?
- Seu filho... resistiu bem e está na incubadora.
Meu coração parou por alguns segundos. Fechei os olhos e perdi o ar.
_____________________________________________
Hello!!!
E assim chegamos ao último capítulo... 
Meu coração é o único que ta menor que um grãozinho de feijão!? ♥
Que bom que o Davi chegou bem ne!?
Mas para tudo e a Nessa!? Ela tá bem não é!? 
Daqui a pouco tenho um heart attack...
Comentem ai...
Desde de já quero agradecer pelos comentários!!!
Beijos e amanhã eu vejo vocês aqui porque ainda tem a última parte: o Epílogo!!
E vcs não vão perder pra saber o que aconteceu 
com a Nessa, o Zac e o Davizinho neh!?
Agora eu quer apresentar pra vocês a nova fic: Um filho teu
O primeiro capítulo será postado amanhã também e eu avisarei vocês
aqui quando eu postar!! Provavelmente quando postar o
epílogo okay!?
Até amanhã então.... beijinhoos

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Penúltimo Capítulo: Tudo de volta ao normal... ou quase tudo (Zachary)

Atendi o telefone celular. Minha mãe sabia que não deveria ligar para o meu trabalho se a coisa não fosse realmente urgente.
- Oi. Fala.
- Zac, a Nessa não me parece muito bem.
- O que houve?
- Ela achou aquela caixa no armário e perguntou o que era.
A caixa com a arma!
- O que a senhora falou para ela?
- Eu contei que você guardava a arma ali e não sei o que deu nela, saiu da cozinha e foi para o quarto. Começou a revirar as gavetas, o computador, tudo...
- Ela deve ter se lembrado.
- Pode ser, não quis me responder, me pediu para deixa-la sozinha.
- Mãe, eu daqui a pouco chego aí... - olhei o relógio no pulso. - O expediente não vai demorar muito para acabar.
- Claro. E o que eu faço enquanto isso?
- Onde ela está agora?
- No quarto, como lhe falei, e está chorando.
- Droga... - senti-me impotente diante daquela situação.
- Ei, espere, ela entrou no banheiro. Pelo barulho do chuveiro, está tomando banho.
- Não faz nada. Deixe ela quieta que eu vou sair daqui voando.
- Tudo bem. Eu só fiquei preocupada com o bebê, ela não pode ficar nervosa.
- Não pode mesmo! - concordei e desliguei o telefone.
Se alguma coisa tinha disparado a memória de Vanessa, ela certamente devia estar em parafuso. Preparei-me para o pior e cheguei em casa afoito, com o coração na mão de tanta preocupação. Estava também um pouco inseguro de que não ficássemos bem. Ela tinha um humor tão oscilante que nada me surpreendia mais.
Encontrei minha mãe vendo a novela das sete, quando abri a porta da sala.
- Cadê a Nessa? - deixei a pasta e as chaves do carro na mesa.
- Está lá na varanda dos fundos, sentada.
Eu caminhei pelo corredor, atravessei a cozinha e parei na soleira da porta. Podia vê-la dali na cadeira de balanço feita de fibras de plástico entrelaçadas. Ela gostava de ficar nela desde que a compramos em uma feira. A luz fraca e amarelada da varanda, junto com a quietude e o silêncio da noite só irrompido por um grilo escondido em algum lugar próximo formavam um cenário de quadro antigo, rupestre.
- Nessa? - chamei-a.
Ela assustou-se e virou o rosto para trás, tinha o cabelo molhado e estava com um vestido branco de alças comprido.
- Zac. - ela levantou-se e sorriu.
Não entendi nada, pensei que a encontraria em prantos e estava com um brilho diferente nos olhos. Eles cintilavam de emoção, mas uma emoção feliz, exultante.
Correu para mim e me abraçou. Eu, inteiro, era um ponto de interrogação. Afastei seu rosto do meu peito para verificá-lo melhor.
- Eu te amo. - disse-me. - Eu te amo. - sorriu. - Eu te amo muito. - repetiu rindo alto e segurando meu rosto com as duas mãos como se há muito tempo não me visse.
- Você lembrou do que faltava.
- Lembrei. - fez um sinal positivo com a cabeça.
- Nessa, é você agora, completa. - ri também, me sentindo um bobo, mas um bobo feliz. - Eu também te amo! - beijei-a com vontade.
- Zac, eu te amo duplamente agora por tudo que fez por mim. Me desculpe por não ter lembrado, me desculpe quando te disse que não gostava de você, era mentira...
- Não diz nada. - silenciei sua boca com meu polegar. - Não importa, não era verdade, eu sabia. Vem comigo... - puxei-a pela mão até a sala e chamei minha mãe.
- Que foi?
- Ela se lembrou de tudo, mãe! -contei-lhe para que não ficasse tão aflita quanto estava ao me ligar. - Agora é a minha Nessa. - abracei minha linda garota por trás e beijei-lhe os lábios quando virou o rosto para mim.
- Vocês dois vão ser muito felizes ainda. - minha mãe tocou no meu queixo e no da Nessa.
- Sempre fomos. - Nessa disse. - Desde que conheci seu filho maravilhoso que sou feliz. - ela pôs suas mãos sobre os meus braços que envolviam sua barriga.
- Viu como eu sou ótimo, mãe?
- Não ligue, Nessa, ele é um convencido. - minha mãe balançou a cabeça para os lados e foi para a cozinha com a desculpa de que ia esquentar o jantar, mas sei que era para me deixar a sós com Vanessa.
- Eu quero aproveitar tudo ao seu lado. - Vanessa virou-se de frente para mim e acariciou meu rosto e meu cabelo, sentindo-me pelo tato, queria tocar nos braços, nos ombros para acreditar que era ainda tão real quando o tempo parara na sua memória.
- Eu vou tomar um banho. - disse-lhe ao ouvido. - Depois comer alguma coisa porque estou com uma fome de leão e...
Ela riu antes mesmo que eu pudesse terminar.
- ... depois o leão aqui vai querer ser muito bem cuidado.
- Tá bom, vai lá leãozinho. - ela riu.
Eu me enfiei debaixo do chuveiro e me senti exultante de felicidade. Mal podia esperar para curtir o resto da noite ao lado da minha linda e maravilhosa mulher.
- Zac! - ouvi um grito aflito de Vanessa.
Fechei o chuveiro para parar o barulho da água caindo. Senti os pingos escorrendo pelo meu rosto.
- Zachary! Zachary! - era a voz da minha mãe agora, surrando a porta. - A Nessa...
Eu abri a porta do box e me enrolei na toalha assustado.
- O que está acontecendo? - falei antes de virar a maçaneta da porta.
_____________________________________________
Olaaaaa!!!
Chegamos ao penúltimo capítulo já... :'(
Deve ter sido um choque pra Vanessa ter lembrado da parte do sequestro não é!?
Mas ainda bem que tudo ficou bem...
Ou quase tudo... Ai o que será agora hein!?
Será que ela se machucou?? Ou será que o Davizinho ta chegando??
Ai meu coraçãoooo ♥♥
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Eterno conhecimento (Zachary)

Olhei para Vanessa sorrindo para mim depois que nos amamos e senti uma imensa alegria no meu coração. Eu não podia exigir mais que aquele momento sublime depois de tantas demonstrações de superação e resistência dela. Não importava que se lembrasse do que vivemos se ao menos eu poderia receber seu carinho. Senti que seu corpo reconhecera o meu e não fora com menos intensidade que me quis com volúpia. Ela podia até não saber que naqueles poucos momentos de entrega fora a Vanessa de sempre, mas eu, sim, era capaz de reconhecer este detalhe.
- Você é lindo... - ela entrelaçou seus dedos entre os meus e chegou mais para perto sob as cobertas. - ... Eu quero te contar uma coisa.
- Fala. - apoiei minha cabeça em uma das mãos e repousei a outra sobre a sua cintura.
- Eu me lembrei de vários momentos nossos agora a pouco. Não sei se a intensidade das sensações físicas provocaram isso.
- Que ótimo. - beijei-lhe os lábios rapidamente. - Só espero que tenha sido boas lembranças.
- Sim, foram... ótimas... - riu.
- Ah, me conta! - pedi, curioso.
- Conto... ou não conto? - ela levantou a cabeça e beijou meus lábios. - Conto... ou demonstro? - aumentou a intensidade do beijo.
- De sacanagem você lembra né?! - fiz cócegas e ela riu alto. - Você é linda demais! - beijei-lhe o pescoço.
- Zac. - ela chamou-me com o mesmo jeito de outrora.
- Hum... - lambi o lóbulo da sua orelha.
- Que nome demos a nosso filho?
- Ah, isso aí foi uma guerra! Nem quero começar agora...
- Tá! Quais eram as opções?
- Você queria Pierre e eu queria Davi.
- Hum... Será Davi, então. - decidiu.
- Nossa, fácil assim? _- surpreendi-me.
- Ele tem que ter um nome logo! - explicou-me. - Não vamos mais perder tempo com isso.
- Nada de perder tempo. Isso mesmo. - comecei a abraçá-la como se fôssemos começar tudo de novo e ela deu uma gargalhada.
- Zac, seu sedentinho, perai! - deu-me um tapinha no braço. - Deixa eu te falar uma coisa.
Por que as mulheres falam tanto, meu Deus?!
- Diga... - sorri, bem humorado.
- Eu vi os cadernos de capa vermelha que tinha escrito para você e comecei a ler.
- Bom, são seus mesmo, não tem problema. - disse-lhe, sentindo pelo seu tom de voz cerimonioso que estava receosa que eu brigasse com ela.
- São lindos. Eu te conheço como ninguém, hein? Tudo bem que vou precisar lembrar de muita coisa ainda, mas só pelo caderno dá para ver! Você me conhece assim também?
- ... - eu não respondi prontamente, olhei-a com contemplação por mais alguns segundos. - Aprendi a nunca deixar de querer te conhecer. Quando a gente começa a ler sobre um determinado assunto, dá aquela empolgação para descobrir todos os detalhes. Mas, conforme chegamos à sensação de ciência plena, tendemos a nos limitar ao que já temos. Satura. No amor, diferente dos estudos acadêmicos, aprendemos a nunca deixar de querer saber mais sobre a pessoa que está ao nosso lado. Muitos casais se separam por isso, por deixarem de investigar o outro e perderem a chance de se depararem com diversas qualidades boas.
- Gosto tanto de te ouvir falar. - ela acariciou com o dedão o meu queixo e tocou os meus lábios. - Só estar perto de você me faz me sentir tão segura, Zac.
- E ter ficado longe durante o período do sequestro foram os piores dias da minha vida. - contei-lhe e beijei a sua mão. - Não posso te perder mais por nada nesse mundo.
- Um dia eu vou morrer.
- Não fala isso! - senti uma dor no peito com aquelas palavras. - Nun-ca mais repita isso! - pedi-lhe com meu rosto perto do seu.
- ... - ela engoliu em seco e olhou para baixo
- Nessa, eu preciso de você quando chegar em casa para sentir que o dia vai terminar bem nos seus braços. Eu preciso te ver tomando café da manhã e debulhando os pães para tirar os miolos.
Ela riu.
- ... Eu preciso... - continuei. - ... te ver deitada no sofá do escritório lendo algum livro, enquanto eu trabalho, só pelo simples prazer de poder te olhar e saber que está perto com a sua presença viva e cheia de energia. Eu preciso te ver sair do banho com pingos de água nos ombros e cheiro de xampu no cabelo molhado e bagunçado. Eu preciso ter alguém para quem voltar quando sair em missão e receber aquele abraço quente e apertado de boas vindas novamente. Eu preciso de alguém que me acorde com um beijo se o despertador falhar e saber o que é uma farda 3d, ou seja, que entenda o meu mundo.
- Como descobriu que esse alguém era eu? - perguntou-me com um olhar reflexivo.
- Quando eu não conseguia ficar longe de você. Quando você começava a brigar comigo e eu só queria te beijar. Quando você fazia tudo errado e eu tinha uma baita paciência para te ensinar. Quanto tinha benevolência com seus contínuos tropeços. Quando eu sabia que você era muito diferente de mim e, mesmo assim, eu queria arriscar te amar. Não tem um marco ao certo, eu, quando me dei conta, já era parte de uma coisa composta por nós dois que não tinha significado se fosse dividida, só existia enquanto unidade. Desculpe, não estou sendo claro... - ri. - Eu viajo às vezes.
- Eu entendi! - disse-me. - Deus põe nossas almas em corpos para que não possamos ver quem realmente somos. Imagine que nosso interior tivesse cores. O mau é preto; o mais ou menos mau, cinza; o bom, branco; o engraçado, amarelo; o apaixonado, rosa. Sem os corpos, você poderia andar pela rua e ver a pessoa do jeito que ela é, com a cor correspondente a sua personalidade. Mas, claro que não somos cromáticos por dentro. Mesmo assim, suponha que compomos um código de barras cheio de dados e que, sem a parte física, todos veriam o outro sem máscaras. Os bons ficariam com os bons e se afastariam dos maus. Conseqüentemente, os maus se tornariam piores do que são. Só que nós estamos dentro de nossos corpos e enganamos as pessoas com a nossa aparência. Assim, você pode ao tratar bem uma pessoa ruim, sem que nem imagine, mudar sua vida e sua personalidade má. Ou aquele cara barrigudinho pode ser a pessoa perfeita para uma outra que ame, mas que, se não estivesse escondido atrás daquela pequena pança, seria atacado por várias mulheres ávidas por um cara legal e romântico antes da tal mulher que seria boa para ele.
- Mas, nesse caso, você teria que ter pessoas capazes de olhar dentro, neste interior de que fala. Isso é difícil hoje em dia. A máquina do capital trabalha para revestir as pessoas em diversas camadas de maquiagem, roupas, jóias, acessórios, carros, como se fosse empilhando sobre o “eu” vários estratos. No fim, aquela essência fica tão, mas tão escondida, que deixa até de ser importante.
- Nunca deixa de ser importante. - corrigiu. - Porque, quando a pessoa de fato precisar, ela vai ver que não encontra. Por isso, tantos casais de artistas milionários se separam. O presidente francês Sarkozy acabou de se separar daquela ex-modelo. Se ela só olhasse as camadas de poder de que ele foi acrescentado, não estaria infeliz.
- Verdade. - concordei. - Eu, se passasse na rua e te olhasse, ia te achar bonitinha...
- Bonitinha? Bonitinha é feia arrumada! - consertou.
- Eu ia te achar linda. - corrigi. - A mulher mais gostosa de todo o universo já antes vista nas galáxias mais remotas!
- Não precisa também me comparar aos ETs!
- Eu ia admirar sua beleza, mas não ia me aproximar de você. Imagina? Você é um bebê! - envolvi-a com meus braços e lhe beijei o pescoço.
- Mas você bem que gosta do que os “bebês” fazem!
- Engraçadinha! Então, eu ficaria de longe, não cogitaria a possibilidade de te seduzir. Eis que, loucamente, a vida me põe você dentro de casa e acabo descobrindo que preciso mais que tudo de estar ao seu lado.
- Ai, que lindo! - beijou-me e manteve o sorriso aberto. - Eu também preciso de você. _- encostou a cabeça junto ao meu peito e fechou os olhos.
Cobri-a com as cobertas e dormimos abraçados.
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Oiiiii!!!
Continuando com a maravilha de ler um capítulo desses... 
Que essa paz permaneça até o fim porque já chega de sofrimento
ninguém suporta mais ficar sem esses dois juntinhos não é mesmo!?
Só eu que to ansiosa pra chegada do Davizinho?? ♥
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

terça-feira, 21 de abril de 2015

Novo roteiro (Vanessa) - Parte 2

- Ok, pode ser. - falei, tentando ser fria. - Me beije, anda, me beije, eu tenho que sentir alguma coisa. - pus as mãos na cintura e apertei meus lábios um contra o outro para me preparar. Respirei fundo. -Quem mal tem nisso? Se eu te conhecesse em um bar, rolasse um clima e eu quisesse te beijar, não precisaria te conhecer, não é verdade? - comecei a tagarelar enquanto Zachary fechava a porta do quarto. _ Vamos lá, me mostre por que eu me casei com você. Pode começar, anda logo.
- Feche os olhos.
- Ãnh... Hum...
- Feche os olhos. - pediu de novo.
- O que v...
- Feche os olhos. - repetiu.
Fechar os olhos aumentava meu nervosismo, porque eu não poderia prever os seus movimentos. Sua presença física aproximou-se de mim e eu senti sua mão delicadamente percorrer o contorno dos meus braços, encostando delicadamente apenas nos pelos, sem tocar na pele. Depois sua respiração quente no meu pescoço de um lado passou para o outro.
- Não existe mais nada. - falou baixinho tão perto dos meus lábios que eu já praticamente podia sentir que ia tocar os meus. - Nem passado, nem futuro, só agora. - Deixou seu hálito quente sobre minhas pálpebras e a pele das minhas faces. - Deixe seu corpo leve e solto. - dedilhou o meu cabelo. - Permita que sua alma fique livre para se encontrar de novo com a minha. - sua boca roçou o meu pescoço e me provocou um arrepio, meneei a cabeça para o lado e seu rosto ficou entre meu queixo e o ombro.
Ele contornou o meu corpo girando em torno de mim e afastou meu cabelo para beijar as minhas costas. Abriu o zíper do meu vestido e delicadamente abaixou as alças. Quando novamente ficou diante de mim, eu abri os olhos e me senti a ponto de cometer um impulso de beijá-lo, só precisava de um pequeno gesto seu. Os dois ao mesmo tempo se precipitaram para frente e nossas bocas se fundiram.
Eu queria seus lábios como se tivesse esperado por eles por muito tempo. Senti-os macios e molhados entre os meus. Segurei seu rosto com as minhas duas mãos e parecia já ter feito aquilo desde sempre. Meu corpo o reconhecia e sabia para onde guiar minhas mãos.
Zachary aumentou o ritmo e começamos a ficar ofegantes. Ele caminhou de costas até sentar na cama, inclinei meu rosto e o beijei mais uma vez longamente a boca. Deixei meus dedos percorrer o cabelo espetado da sua nuca.
- Você quer passar para o que vem depois disso... - ele perguntou, afastando seus lábios dos meus.
- Se eu pudesse parar...
- Eu também não posso mais. - ele levantou-se e tirou a blusa branca de botões e, antes que pudesse se livrar dela, beijou-me mais uma vez com uma pressa irrompida.
Se eu nunca havia passado por aquela experiência como podia sentir que estava tudo sob controle?
Envolvi seu pescoço com meus braços quando já estávamos sobre a cama e ele me amou com uma busca profunda. A corrente de energia que percorria todo o meu corpo elevou minha temperatura e os flashs de memória se tornaram mais intensos, mas eu não queria interromper nossa união física com palavras.
Com a mesma delicadeza que começamos chegamos ao ápice de olhos fechados e imersos no abstrato do prazer. Até que ficamos sobre a superfície da paz plena e silenciosa.
- Eu estava com muita saudade disso. - sorriu para mim e acariciou meu rosto admirando-me.
Puxei sua nuca para me beijar mais e eu não quis parar de sentir o contato entre nossos corpos. Eu não lembrava de tudo que vivemos no passado, mas podia inexplicavelmente sentir.
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Estoou de voltaaa!!!
Ai que MA-RA-VI-LHA!!!
Alguém ai soltando fogos de artifício???
Estou quase soltando!! hahaha
Finalmenteeeeee!!! Agora espero que volte
tudinho ao normal, tudo em seu devido lugar e que nada 
absolutamente nada atrapalhe!!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

Novo roteiro (Vanessa) - Parte 1

Eu não sabia o que me esperava nesse baile, nem que pessoas veria lá ou que tipo de comportamento deveria ter. Tudo era tão novo para mim, mas, no fundo, sentia-me estranhamente como se já estivesse habituada àquela rotina.
Enquanto terminava de prender o meu cabelo na frente do espelho do banheiro, refletia sobre meus sentimentos, cheguei a conclusão de que era porque Zachary estava comigo. Algo dentro de mim o reconhecia como uma corda de segurança que me prende a uma coisa maior e não me deixa cair.
Passei maquiagem no rosto e um pouco de perfume no pescoço abaixo das orelhas.
Olhei para os vidros de perfume e me perguntei se eu o havia pego aleatoriamente ou meu reflexo condicionado tinha me feito escolher o que eu mais gostava. Alinhei os frascos e constatei que eu usara era o mais vazio de todos.
- Será que estou conseguindo me lembrar? - ri feliz por aquela fagulha de esperança, mesmo que tão pequena. Era parte de mim vindo à tona.
A porta do quarto estava fechada, passei pelo corredor e fiquei esperando na sala Zachary terminar de se arrumar. Vi um paletó cinza pendurado nos braços da cadeira da mesa. Aproximei-me e reparei que na altura dos ombros tinham estrelas. Passei os dedos para sentir o relevo delas. Um flash de imagem percorreu minha mente. Fechei os olhos.
Vi um lugar com muitas pessoas que falavam alto, parecia uma festa. E apareciam várias dessas estrelas no ombro dos homens.
Abri os olhos e corri para o móvel de fotografias. Procurei em cada porta-retrato.
- Foi no dia do nosso casamento! - falei exultante, quando encontrei a imagem que viera a memória.
Não pode ser, não pode ser! Eu estava lembrando!
Senti novamente vontade de ir ao banheiro. Voltei até lá e quando cheguei na sala outra vez Zachary estava de costas para mim, mas já vestido com o paletó cinza da farda. Ele ouviu o barulho dos meus passos e virou-se.
Eu o olhei da ponta dos pés até o alto da cabeça. Estava muito bonito e meu coração disparou. Era eu que sentia aquilo ou a Nessa dele que havia dentro de mim? Não importava, eu já estava sem fôlego.
- Quero que me responda uma coisa. - pedi. - É esse o perfume que eu mais uso. - apontei para o meu pescoço, timidamente.
Ele caminhou na minha direção até parar à minha frente. Não precisava se aproximar mais para sentir o aroma, mas mesmo assim ficou tão perto que sua respiração balançava os poucos fios soltos do meu cabelo.
- Na verdade, você não gosta muito desse. - riu.
- Não? - franzi a testa. - Hum... - fiquei desapontada.
- Sou eu que gosto, por isso usa. Você lembrou?
- Não sei se eu lembrei, mas foi o primeiro que peguei, então pensei que alguém dentro de mim estava certa do que queria e estranhei a reação impulsiva de pegar aquele vidro.
- Eu gosto de acreditar em toda pequena ponta de esperança.
- Eu também. - disse-lhe.
- Vamos?
- Vamos. - dei dois passos à frente.
- Nessa? - ele tocou meu braço.
- Hum. - virei meu rosto para trás.
- Eu... - não encontrou as palavras que buscava.
- Você...? - levantei as sobrancelhas.
- Eu queria me desculpar por todas aquelas coisas de hoje à tarde.
- Coisas? - olhei para os lados e depois voltei a encará-lo, rapidamente. - Tipo me chamar de chata, infantil e imatura?
- É. - riu de nervosismo. -  Eu não devia ter feito isso, eu fui indelicado.
- Indelicado, grosso, estúpido, escr...
- Hei!
- Eu estou brincando. - sorri. - Esqueça!
Ele sorriu também e me ofereceu o braço.
Quando chegamos à festa, senti os olhares das pessoas se voltarem para nós como se fossemos o casal popstar esperado.
- É impressão minha ou viramos o foco das atenções? - falei baixinho, tentando manter o sorriso e retribuir o aceno para aqueles que nos cumprimentavam de longe.
- Eles leram tudo nos jornais.
- Que maravilha... - continuei sorrindo. - ... Me sinto nua agora.
- Vejo que estão bem. - um senhor aproximou-se de nós e Zachary o cumprimentou efusivamente. Tentei ser o mais cordial possível e troquei dois beijinhos com sua esposa.
Quando eles se afastaram, Zachary riu.
- Acho que ela não vai dormir hoje tentando entender sua atenção.
- Entender o quê?
- Você odeia ela.
- Odeio? - ri.
- É, uma vez tive que separar você duas porque estavam se estranhando lá fora como quem fosse entrar para o primeiro round de uma luta transmitida via satélite.
- Que gafe! - ri mais ainda, absolutamente constrangida.
- Essa é a Nessa.
- O quê? - perguntei, novamente sem entender.
Zac caminhou para uma área ao ar livre fora do salão, onde algumas mesas vazias ficavam longe do barulho da música e do agito das pessoas.
- Por que eu pareci com ela, quero dizer, comigo agora?
- É estranho... Eu sinto que você, ela, você... - ele riu.
- Não se preocupe, eu entendi. - achei graça também.
-Você não lembra, mas tem reações que ela teria. Como agora, se divertindo de umas situações que a Nessa que eu conheci no início não riria. Se você só se lembra até o estágio anterior ao nosso encontro, então, deveria agir só como era antes! A Vanessa mais madura e a Vanessa inexperiente se alternam. Pareço ver uma peça de teatro com duas personagens que, entre o abrir e fechar das cortinas, assumem o palco separadamente em diferentes atos.
- Eu sinto muitas coisas também. Se você vê um filme que comprou o DVD e tem ainda vontade de rever algumas cenas preferidas, é só aperta o play e ver de novo. Mas a minha memória não traz de volta os bons momentos. É como se eu tivesse uma vida vazia. Não importa o quão ruim é o nosso destino, quantas quedas sofremos, temos todas elas para lembrar que podemos ser melhores e somos capazes de superar. Eu só levo comigo uma folha em branco.
- Se não conseguir encontrar o seu filme, então use a folha em branco para escrever o roteiro de outro.
- É triste não ter passado.
- É triste quando o passado que se tem não se quer lembrar. - ele sentou-se.
- Por que diz isso? - pus os cotovelos sobre a mesa e fiz um ar de quem está disposta a ouvir tudo.
- Se eu contar, você não vai acreditar... - sorriu envergonhado. - Aliás, tem coisas que e a gente só deveria contar uma vez na vida... - riu alto de si mesmo. - ... porque elas demandam muita energia. Eu lembro de todas as suas reações e da raiva que sentiu de mim. Imagina ver tudo isso novamente no seu rosto agora? Não, vamos mudar de assunto.
- Conta. - pus a mão sobre seu braço.
Zachary respirou fundo e me olhou como quem me estuda para saber se eu estava preparada para o que ia descobrir.
- Eu já fui apaixonado por sua mãe.
Eu engoli em seco e tentei não dizer nada. Não teria a reação que ele esperava, me aguentaria. Por mais que no meu interior eu estivesse muito surpresa.
- Na verdade, namoramos. Mas Michelle fez muitas coisas que me machucou.
- Não duvido, ela me deixou e isso posso lembrar claramente.
Zachary contou-me que minha mãe havia tentado convencê-lo de que esperava um filho seu e depois o abortara. Acrescentou que isso o motivara a tentar acabar com a própria vida, mas que o destino o deu mais uma chance. Explicou em detalhes como foi nosso encontro e as brigas que tivemos. Relatou-me também o episódio de Josh e, finalmente, a nossa briga anterior ao casamento por causa da visita inesperada de minha mãe, que tentou nos separar.
- Vivemos intensamente muita coisa! - exclamei.
- Muito. A gente se debateu contra o que sentíamos. Era essa a origem de tantas guerras que travamos. Você não sabe do que é capaz
Zachary me fez rir narrando o episódio em que troquei os ring tones do seu celular e coloquei fotos de homem em seu computador.
- Eu não fiz isso! - diverti-me.
- Agora é engraçado, mas, no dia, eu fiquei tão irado que quis te esganar! - gesticulou. - A gente parecia que ia lutar até um dos dois cair morto como os gladiadores. Mas descobrimos que podíamos usar toda aquele sentimento forte para sermos felizes.
- Se alguém contasse nossa história para mim eu iria achá-la a mais linda que já ouvi.
- E a mais louca também!
- A gente não vive de monotonia. - disse-lhe.
- Pela primeira vez você não falou em terceira pessoa. - observou.
Eu sorri e olhei para o lado timidamente.
- Vamos dançar? Viemos aqui para isso. - sugeriu.
- Com a barriga desse tamanho?
- Que tem?- ele levantou-se.
- Não! - segurei sua mão quando ele me puxou. - Por favor, não quero aquelas pessoas me olhando.
- Você sempre gostou...
- Por favor.
- Tudo bem.
- Podemos dançar aqui, se quiser.
Ele colocou sua mão por trás da minha cintura e eu me senti desajeitada. Rimos os dois até ficarmos sérios novamente.
Enquanto a música nos envolvia, novamente aqueles flashs me vieram à cabeça.
- Está se sentindo bem, Nessa? - perguntou.
- Não... Só umas coisas que estão passando na minha mente. - levei a mão à testa.
- O quê? - não entendeu.
- Eu sinto que já estivemos aqui e essas pessoas... - eu parecia estar confundindo-me nas próprias palavras.
- Que ótimo! Isso aconteceu mais de uma vez?
- Sim. - sorri feliz. - Está funcionando. Ficar perto de você me faz ter sensações.
- Não posso acreditar!
- Mas calma...
- Claro! Nada de grandes expectativas! Quer ir para casa? Já está tarde mesmo.
- Pode ser. - aceitei.
Quando chegamos, fomos para o quarto trocar de roupa. Sua mãe já tinha ido dormir. Zachary pendurou o paletó da farda cinza no cabide e depois caminhou até a poltrona. Provavelmente, ia começar a tirar os sapatos no seu ritual de se despir.
- Você não tem curiosidade? - ele perguntou, de repente, virando-se para mim.
- Do que?
- Hum... de saber o que pode sentir quando me beijar?
- Isso seria um tratamento de choque!
Ele riu e balançou a cabeça para os lados.
- Deixa para lá! - desistiu da ideia.
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Helloo girls!!!
Que bom que a memória da Vanessa já ta começando a voltar neh!?
Já tava mais que na hora!!
Ai que tristeza!! Dona Vanessa eu só acho que a senhora
deveria aceitar logo ser beijada pelo Zac!!!
Alguém aqui além de mim torcendo pra que ela mude de ideia??
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Estarei aqui no computador a tarde inteira porque estou preparando umas
surpresinhas pro aniversário do Zanessa Love Brasil, então
a 2ª parte eu posto quando tiver o minimo de comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Trégua (Zachary)

- O que nós fazíamos para nos divertir? - Vanessa perguntou, sentada ao meu lado no sofá, ela parecia bem entediada enquanto eu lia meu jornal de domingo depois do almoço.
- Sexo. - respondi sem tirar os olhos do caderno de esportes.
- Sexo? Sexo o dia todo?
- É. Tem coisa melhor? - virei a folha e dei uma rápida olhadela em sua cara de assustada. - Sexo no sofá, na mesa, no tapete, no jardim, na escadinha ali da entrada...
- Eu era uma ninfomaníaca?
- Estou brincando com você!
- Seu... - arremessou uma almofada na minha cabeça.
- Olha o que fez com o jornal! Amassou! - aguentei para não rir e tentei parecer bravo.
- Você gosta de brincar com a minha situação, né? Mas se quer saber, eu sou praticamente virgem!
- Praticamente virgem? - repeti com toda a ironia que consegui. - Isso é piada, né? Nessa, a única realmente virgem aqui é aquela imagenzinha que temos em cima da estante.
- Zachary! Mas eu não lembro de nada!
- Ah, mas eu lembro! - dobrei novamente o jornal para ver a situação do ranking do Brasileirão. - Eu lembro de cada coisa...
- Seu grosso! Seu estúpido! E eu não lembro de nada! - falou aquilo com prazer no intuito de me provocar. - Nem meu corpo lembra nada, nadica de nada do seu, nem...
Eu perdi a paciência, larguei o jornal puto da vida agora e me levantei. Vanessa fechou a boca e inclinou a cabeça ligeiramente para trás com medo do que eu pudesse lhe fazer.
- Presta atenção - apoiei meus punhos fechados sobre o sofá e praticamente encostei meu rosto no dela. -... Eu entendo que você esteja irritada, que não me queira como me queria, só não me provoque...
Os olhos delas se encheram de lágrimas e fez uma carinha de quem ia deixar as comportas da represa de Itaipu caírem. Puta que merda, por que as mulheres usam esse golpe tão baixo, tão sujo, tão sacana?
- Não chora, não chora! - segurei seu rosto.
- Eu estou tentando, ok? Mas, você não está ajudando, você é um animal! - gritou comigo e se levantou para sair da sala.
Revirei os olhos. Oh, que ótimo, agora eu era o lobo mal que queria comer a Chapeuzinho Vermelho.
Poxa, tá vendo, leitores? Não consigo mais ler, não tem clima! Joguei o jornal de lado e ele caiu na cabeça de Jachary que deu um latido e correu de mim também.
- Nessa... - cheguei na porta do seu quarto. - ... Quer ia a um baile comigo hoje?
- Não... - falou com a voz abafada pelo travesseiro. - ... Não vou te fazer desfilar com uma baleia gigante.
- Você não é uma “baleia gigante”. - repeti, tentando imitar sua voz e dei a volta na cama para poder sentar-me ao seu lado. - É meu filho que está aí... - toquei a sua barriga.
- Tira a mão daí, enquanto estiver aqui é meu! - irritou-se.
- Caraca, você é a mesma, a mesmíssima Nessa chata! Está bancando a infantil de novo e você estava progredindo!
- Zachary, eu não gosto de você... - ela sentou-se na cama e vi que seus olhos estavam vermelhos. - Eu não gosto de vocêêê... - gritou a todos pulmões.
- Você só não lembra que gosta. - consertei falando baixinho, olhando para as minhas mãos.
- Eu não aguento isso mais, não aguento tentar me lembrar só para te fazer feliz, eu quero deixar de ser essa Nessa, só que não dá! - ela dedilhou os cabelos para trás, alucinada.
- Hei, você não pode se irritar. - lembrei-me. - Altera sua pressão, faz mal para o bebê.
- O bebê, o bebê! Você só pensa nessa...
Num impulso tapei sua boca com a minha mão:
- Não ouse falar qualquer palavra contra o meu filho porque ele já está sentindo tudo isso, não merece ouvir também. Você sabia que as crianças recebem tudo que a mãe emana para eles?
Em um instante, eu tive um reflexo. Se Vanessa estava tão mal e dizendo que não aguentava a perda de memória, ela poderia ser capaz de uma loucura. Não a deixaria entrar em uma depressão, isso levaria tudo por água abaixo de vez.
- Vamos ajudar um ao outro. Eu te ajudo e você me ajuda, tudo bem? - tirei minha mão da sua boca e tentei ser o mais amigável possível. - Que tal a gente sair? Tem um baile no clube, dança de salão. A gente se diverte e...
- Como espera que eu vá vestida? Enrolada nessa cortina?
- É... - olhei para a cortina. - Pode ser, você acha que cabe? Parece que vai ficar apertada.
- Aiii, Zachary! - ela deitou-se de volta no travesseiro.
- Não se preocupe, você já tinha pensado nisso antes. Há dois vestidos de grávida lá no nosso guarda-roupa. Eu prefiro o azul claro.
- É? - ela pareceu se animar.
Ficou fechado então o pacto de trégua para nos prepararmos para a festa.
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Olha eu de volta aqui com mais um capítulo!!!
Tinha começado muito bem pra ser verdade neh!?
Agora sim são os velhos Zac e Vanessa implicando um com o outro...
Pra completar tudo só falta mesmo a memória da V!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...