sábado, 25 de abril de 2015

Epílogo: A vida se renova (Zachary)

Peguei-lhe pela mão minúscula e caminhamos sobre a relva verde do jardim. Eu gostava de dedicar o meu tempo após o trabalho ao meu filho. Esses momentos não tinham preço para mim.
Fazia uma tarde bonita de céu alaranjado e azul escuro se preparando para anoitecer. Eu procurava mostrar ao meu pequeno a importância do contato com a natureza. Não queria que ele só tivesse a referência da cidade. Pelo contrário, estava tendo uma infância saudável e tranquila e crescia com uma energia que me dava cada vez mais forças para acompanhá-lo. Davi tinha a curiosidade inquieta e tudo apontava com o dedo indicador para me mostrar.
- É o passarinho. - abaixei-me para ficar da altura dos seus olhos negros cintilantes. - Ele está comendo uma minhoca. Você não vai gostar, blergt! - fiz uma careta e ele riu.
- Passarinho? - repetiu e levantou as sobrancelhas.
- É. Passarinho.
Davi tirou a mão apoiada no meu ombro e correu até o pobre animal que teve sorte de voar à tempo. Ri e balancei a cabeça para os lados.
- Vem cá seu moleque danado! - peguei-o no colo e o suspendi no ar. Davi deu um gritinho de felicidade com a sensação da falta de gravidade.
Ele tinha o rosto eternizado de Vanessa. Seus olhos e sorriso impressos. O cabelo liso de índio caindo-lhe na testa. Beijei sua bochecha rosada pelo sol e seus curtos bracinhos me envolveram.
- Zac. - ouvimos uma voz e Davi suspendeu o pescoço curioso.
Virei-me para o lado e vi caminhando para nós Michelle, com um vestido comprido esvoaçando pelo vento da tarde. Estava com um sorriso de quem não se surpreende por nos encontrar ali, passeando entre as árvores.
- Traz o menino para cá. - fez um sinal com a mão para entrarmos. - Ele deve estar com fome.
- Viu? - falei para Davi, apontando para Michelle. - Ela está brigando com a gente!
- Vem cá com a Michelle, vem meu lindo. - ela esticou as mãos e Davi impulsionou o corpo para frente.
- Você é muito dado, hein, garoto! - disse-lhe e deixei que fosse para o colo de Michelle.
- Nada! Ele está é com fome. Se deixar, brinca o dia todo. - ela beijou-lhe a barriga provocando-lhe cócegas e risos.
Os dois seguirem mais à frente e eu caminhei devagar atrás com as mãos no bolso da calça jeans. Olhei a nossa casa em estilo colonial e sentei à varanda em uma larga cadeira de ferro de três lugares com assento de finas almofadas quadradas de espuma. O sol já começava a se pôr e os pássaros se escondiam nas árvores. Os grilos começavam seu coro noturno e alguns vaga-lumes preparavam suas pequenas fagulhas de luz para brilhar na bela noite.
Era um ritual sentar-me ali todas as noites e esperá-la chegar. Como também era um hábito levantar-me ao escutar o barulho do carro se aproximando na estrada.
Sorri e me ergui em um pulo, fazendo as botas soarem sobre o assoalho de madeira da varanda com meus passos firmes e apressados. Caminhei pela trilha de pedras e abri o grande portão de madeira após o sinal das duas buzinadas. Afastei-me para o lado, permitindo a passagem. Os faróis iluminaram a frente da casa e depois se apagaram. Ela desligou o motor e fechou a porta com a chave, enquanto a outra mão punha a alça da bolsa no ombro. Virou o rosto para o lado e se deparou comigo de braços cruzados, admirando-a em seu jaleco branco e com o cabelo preso por um frouxo coque.
- Ai, amor... - soltou o ar dos pulmões e apoiou as duas mãos nos meus braços. - ... estou tão cansada. Um plantão muito exaustivo, não vejo a hora de tomar um bom banho quente.
Segurei seu rosto, inclinei o meu para a esquerda e a beijei com carinho, sentindo seus lábios úmidos e quentes. Puxei-a pela cintura para colar seu corpo no meu.
Recebi um afago na nuca e senti seus braços envolvendo meu pescoço. Seu cheiro inconfundível, o cabelo fino, o toque da pele. Tudo nela me trazia felicidade e alegria ao coração.
- Uau! - ela recuperou o fôlego e afastou apenas a boca, mantendo ainda a testa colada à minha. - A que devo essa recepção tão calorosa? - riu baixinho e acariciou as minhas bochechas delicadamente com a ponto dos dedos, provou ainda um pouco mais de um breve beijo.
- Só uma saudade repentina! - abracei-a longamente de olhos fechados e a balancei para os lados como quem nina um bebê.
- Humm... E o que eu vou ganhar de plus com essa saudade repentina?
- Eu estava pensando em te mostrar... - falei-lhe ao ouvido. - Podemos começar por aqui... - beijei-lhe o pescoço, provocando o seu riso. - Eu te amo, Nessa.
- Eu também te amo, Zac! Muito mesmo. - salpicou-me de beijos rápidos pelo rosto.
- Mãe! - ouvimos o grito de Igor.
Michelle que trazia o menino nos braços colocou-o no chão da varanda e Davi correu meio desajeitado pela grama. Tropeçou e caiu de joelhos.
Vanessa soltou-me e inclinou-se para ajudá-lo.
- Isso, levanta para cair de novo! - ela não se fez de compadecida por seu choro. - Você é um homem forte, rapaz. - limpou suas pequenas mãos sujas de terra e agachou-se na sua frente. - Agora dá um beijo bem gostoso aqui na mamãe. - Envolveu-o com os braços e colou seu rosto no dele. - Que delícia! A vovó te deu banho, é? - olhou para Michelle de braços cruzados com um sorriso orgulho como o meu, admirando os dois também. - Está tão cheiroso!
Vanessa e Davi eram as jóias mais preciosas da minha vida. Ainda posso ouvir o médico há quatro anos me dizer:
- Seu filho resistiu bem e está na incubadora.
E, logo em seguida:
- E sua mulher é uma guerreira! Ela não vai te deixar trocar as fraudas sozinho.
Formamos uma família muito feliz e repleta de amigos, como aqueles que agora faziam um baita churrasco nos fundos da casa.
- Olha só... - Michael, já meio alto pela cerveja, levantou-se. - ... Finalmente chegou a única pessoa que trabalha duro nessa casa! - brincou e apontou para Vanessa.
Todos rimos. Envolvi Vanessa e a abracei por trás, muito orgulhoso da mulher que tinha.
- Que isso? É um absurdo! - eu fingi me surpreender. - Aqui em casa, eu falo mais alto! Eu que mando, não é Nessa?! Ela fala: “Vem aqui agora!” e eu grito: “Sim, senhora!”
- Ele está tão engraçadinho, hoje! - Vanessa cerrou os olhos e deu-me um beijo de leve nos lábios. - Gente, eu vou tirar essa roupa de trabalho e tomar um banho. Preparem aí um bom prato de carne para mim!
- Pode deixar! - Michelle prontificou-se. Estava desfiando um pedaço de frango para colocar na boca de Davi, sentado em cima de uma mesa.
Vanessa entrou em casa e me perguntou se as malas na sala eram de sua mãe. Disse-lhe que já estava de saída, não poderia estender mais a estadia. Michelle viera nos visitar por uma semana para ver o neto e ficara hospedada conosco.
- É, ela vai voltar logo, mas quis esperar você chegar. - comentei.
- Fiquei muito feliz de saber que a mamãe conseguiu um bom emprego e está namorando. - comentou.
- Eu também. Ela mudou muito. Acho que todos merecem ser felizes como nós. - acrescentei.
- E você não mudou nada... - Vanessa me puxou para o quarto e me abraçou. - Continua o mesmo... - falou-me ao ouvido confissões irreveláveis.
- Ah! É? - suspendi as sobrancelhas. - Vou mostrar como progredi nesse quesito.
Fechei a porta atrás de nós e a beijei.
- Zaaaaac! - deu um gritinho entre risos.
Vanessa era como falei desde o princípio: tinha um jeito desde menina de me atear fogo aos olhos, quando eu os punha sobre as ondas de seu corpo protuberante, fruta carnuda que balança faceira no pé, prontinha para cair, mas de maldade não cai.
Era o melhor presente dado pela vida. As pessoas esperam achar alegria nas coisas, nas conquistas materiais ou no status social, quando, na verdade, a alegria está em nós e em quem amamos, é algo da ordem da alma.
- Está aí? - achei-a sentada na varanda da frente de casa com Davi no colo, sugando seu seio.
Sentei-me ao seu lado, ainda podíamos ouvir a música abafada vindo dos fundos da casa.
- Esse menino já está muito grande e você não desmama ele!
Ela levantou os olhos e virou o rosto para mim.
- E você tem 30 e tantos e também não cansou ainda de mim.
Eu sorri:
- É, não canso de nenhuma parte sua, nem um dedinho. - beijei-lhe os lábios e passei meu braço por trás dela na cadeira.
Davi esticou a mão e puxou o cabelo de Vanessa para chamar a atenção. Ela parou de me beijar e olhou para ele.
- Tá com ciúme da mamãe? - fiz um carinho no nosso filho. - Tem que saber dividir.
Vanessa abaixou a blusa e ficou balançando-o para os lados para que dormisse. Não demorou muito para que fechasse os olhos.
- Sono pesado igual ao do pai. - ela comparou, falando baixinho.
- Que injustiça!
- É verdade, injustiça. - ela concordou. - Mas ele não ronca. - ponderou.
- Ah! Malvada.
- Sou, é? - chegou seu rosto bem perto do meu.
- Mas eu te amo, minha linda. - sussurrei.
- Eu também te amo, Zac. - beijou-me apaixonadamente.

FIM

____________________________________________
Estoou de voltaaa com o Epílogo!!!
Só eu que quando comecei a ler essa capítulo comecei a imaginar o monte de bobagens!?
Como "oh não a Vanessa morreu" quando o Zac tinha dito que o Davi tinha
o "rosto ETERNIZADO de Vanessa"... E também como "aaah não ele 
está ficando com a Michelle" logo após ela aparecer toda cuidadosa com
o neto!? 
Ufaaaa! ainda bem que essa minhas imaginações férteis não são verdade!!
Que belo final!! Zac, Vanessa e Davi juntinhos!!! Ai que tudoooo!!
♥____________♥
Comentem ai...
Quero agradecer de coração a todos que leram essa fanfic, em especial minhas
leitoras que comentaram: Rafaela Diniz, Zanessa 4ever, Isabelle Dorigon, Liriane Melo,
Viviane Faria, Marisa, Regiane Ribeiro, CL', Deza, Jhennyfer, Sílvia, Laura Fernanda S. M. Duarte.
Se esqueci de alguém perdoe-me são muitos comentários... 
Meninas obrigada por acompanharem e por comentarem em algum momento e
espero que vocês acompanhe nossa próxima fic: Um filho teu
(Já podem correr lá porque o 1º capítulo foi publicado) e já está valendo nosso 
Top coments!! 
Beijos...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Último Capítulo: À caminho da luz (Zachary e Vanessa)

#Vanessa
As dores eram muito fortes e eu não conseguia raciocinar o que acontecia. Só via os enfermeiros me movendo de um lado para outro, um puxava um braço, o outro tirava a roupa. Eu só tinha consciência de que perdera sangue e alguma coisa não ia bem comigo porque começava a ficar fraca.
- Zac... - chamei-o e ele apareceu com seu rosto sorridente, segurando minha mão.
- Vai ficar tudo bem, minha linda.
- Zac, eu não sei. Eu estou com medo.
- Não precisa sentir medo, estou com você sempre
- Zac, eu falo sério... - recuperei o ar.
- Não fale nada, fique quietinha.
A maca começou a ser empurrada pelo corredor do hospital e eu fechei os olhos.
Quando os abri novamente vi Zac ao meu lado vestido de azul e com uma máscara. Não parava de segurar minha mão.
- Daqui a pouco tudo isso vai passar. - transmitiu-me esperança.
Os médicos pareciam muito agitados ao meu redor, trocando perguntas e respostas quase codificadas.
- Eu te amo... - sorri-lhe.
- Eu também, Nessa.
- Você vai cuidar do nosso filho, não vai?
- Nós vamos.
- Zac, não seja duro com ele.
- Pare de falar assim, te pedi isso uma vez... - ele aproximou seu rosto do meu e limpou a lágrima que corria dos meus olhos.
- Você foi um príncipe encantado. O capitão Zachary! - ri.
- Nosso Davi já está para chegar. Não fecha os olhos, meu amor. - pediu.
Senti que estava mais fraca e os enfermeiros afastaram Zac para poderem ter mais espaço.
- Não, Nessa! Neeeeessa!
Meus olhos pesaram com mais força. Consegui ver a imagem já embaçada do rosto de Zachary e depois tudo se esfumaçou e veio o silêncio pleno.
(...)
#Zachary
Minha mãe me recebeu na sala de espera com um abraço. Eu não disse nada, só agarrei-lhe com força.
- O que está havendo, Zac?
- Eles acharam melhor eu não ficar lá.
- Como ela está? - perguntou.
- Está muito fraca. Não sei se vão conseguir salvar os dois.
- ... - minha mãe não disse nada, também estava emocionada, mas manteve seu rosto duro e impassível. - Zac, acredite, não pode deixar de acreditar até o último segundo.
- Onde está a minha filha? - Michelle apareceu.
- Está na sala de cirurgia. - informei-lhe.
- Zachary, pela sua cara não está nada bem.
- Não está.
- Ai, Meu Deus! - ela levou as mãos à boca.
O médico aproximou-se de nós horas depois e eu quase o agarrei de tanta ansiedade para que dissesse o mais rápido possível a notícia.
- Como estão? Os dois estão bem?
- Seu filho... resistiu bem e está na incubadora.
Meu coração parou por alguns segundos. Fechei os olhos e perdi o ar.
_____________________________________________
Hello!!!
E assim chegamos ao último capítulo... 
Meu coração é o único que ta menor que um grãozinho de feijão!? ♥
Que bom que o Davi chegou bem ne!?
Mas para tudo e a Nessa!? Ela tá bem não é!? 
Daqui a pouco tenho um heart attack...
Comentem ai...
Desde de já quero agradecer pelos comentários!!!
Beijos e amanhã eu vejo vocês aqui porque ainda tem a última parte: o Epílogo!!
E vcs não vão perder pra saber o que aconteceu 
com a Nessa, o Zac e o Davizinho neh!?
Agora eu quer apresentar pra vocês a nova fic: Um filho teu
O primeiro capítulo será postado amanhã também e eu avisarei vocês
aqui quando eu postar!! Provavelmente quando postar o
epílogo okay!?
Até amanhã então.... beijinhoos

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Penúltimo Capítulo: Tudo de volta ao normal... ou quase tudo (Zachary)

Atendi o telefone celular. Minha mãe sabia que não deveria ligar para o meu trabalho se a coisa não fosse realmente urgente.
- Oi. Fala.
- Zac, a Nessa não me parece muito bem.
- O que houve?
- Ela achou aquela caixa no armário e perguntou o que era.
A caixa com a arma!
- O que a senhora falou para ela?
- Eu contei que você guardava a arma ali e não sei o que deu nela, saiu da cozinha e foi para o quarto. Começou a revirar as gavetas, o computador, tudo...
- Ela deve ter se lembrado.
- Pode ser, não quis me responder, me pediu para deixa-la sozinha.
- Mãe, eu daqui a pouco chego aí... - olhei o relógio no pulso. - O expediente não vai demorar muito para acabar.
- Claro. E o que eu faço enquanto isso?
- Onde ela está agora?
- No quarto, como lhe falei, e está chorando.
- Droga... - senti-me impotente diante daquela situação.
- Ei, espere, ela entrou no banheiro. Pelo barulho do chuveiro, está tomando banho.
- Não faz nada. Deixe ela quieta que eu vou sair daqui voando.
- Tudo bem. Eu só fiquei preocupada com o bebê, ela não pode ficar nervosa.
- Não pode mesmo! - concordei e desliguei o telefone.
Se alguma coisa tinha disparado a memória de Vanessa, ela certamente devia estar em parafuso. Preparei-me para o pior e cheguei em casa afoito, com o coração na mão de tanta preocupação. Estava também um pouco inseguro de que não ficássemos bem. Ela tinha um humor tão oscilante que nada me surpreendia mais.
Encontrei minha mãe vendo a novela das sete, quando abri a porta da sala.
- Cadê a Nessa? - deixei a pasta e as chaves do carro na mesa.
- Está lá na varanda dos fundos, sentada.
Eu caminhei pelo corredor, atravessei a cozinha e parei na soleira da porta. Podia vê-la dali na cadeira de balanço feita de fibras de plástico entrelaçadas. Ela gostava de ficar nela desde que a compramos em uma feira. A luz fraca e amarelada da varanda, junto com a quietude e o silêncio da noite só irrompido por um grilo escondido em algum lugar próximo formavam um cenário de quadro antigo, rupestre.
- Nessa? - chamei-a.
Ela assustou-se e virou o rosto para trás, tinha o cabelo molhado e estava com um vestido branco de alças comprido.
- Zac. - ela levantou-se e sorriu.
Não entendi nada, pensei que a encontraria em prantos e estava com um brilho diferente nos olhos. Eles cintilavam de emoção, mas uma emoção feliz, exultante.
Correu para mim e me abraçou. Eu, inteiro, era um ponto de interrogação. Afastei seu rosto do meu peito para verificá-lo melhor.
- Eu te amo. - disse-me. - Eu te amo. - sorriu. - Eu te amo muito. - repetiu rindo alto e segurando meu rosto com as duas mãos como se há muito tempo não me visse.
- Você lembrou do que faltava.
- Lembrei. - fez um sinal positivo com a cabeça.
- Nessa, é você agora, completa. - ri também, me sentindo um bobo, mas um bobo feliz. - Eu também te amo! - beijei-a com vontade.
- Zac, eu te amo duplamente agora por tudo que fez por mim. Me desculpe por não ter lembrado, me desculpe quando te disse que não gostava de você, era mentira...
- Não diz nada. - silenciei sua boca com meu polegar. - Não importa, não era verdade, eu sabia. Vem comigo... - puxei-a pela mão até a sala e chamei minha mãe.
- Que foi?
- Ela se lembrou de tudo, mãe! -contei-lhe para que não ficasse tão aflita quanto estava ao me ligar. - Agora é a minha Nessa. - abracei minha linda garota por trás e beijei-lhe os lábios quando virou o rosto para mim.
- Vocês dois vão ser muito felizes ainda. - minha mãe tocou no meu queixo e no da Nessa.
- Sempre fomos. - Nessa disse. - Desde que conheci seu filho maravilhoso que sou feliz. - ela pôs suas mãos sobre os meus braços que envolviam sua barriga.
- Viu como eu sou ótimo, mãe?
- Não ligue, Nessa, ele é um convencido. - minha mãe balançou a cabeça para os lados e foi para a cozinha com a desculpa de que ia esquentar o jantar, mas sei que era para me deixar a sós com Vanessa.
- Eu quero aproveitar tudo ao seu lado. - Vanessa virou-se de frente para mim e acariciou meu rosto e meu cabelo, sentindo-me pelo tato, queria tocar nos braços, nos ombros para acreditar que era ainda tão real quando o tempo parara na sua memória.
- Eu vou tomar um banho. - disse-lhe ao ouvido. - Depois comer alguma coisa porque estou com uma fome de leão e...
Ela riu antes mesmo que eu pudesse terminar.
- ... depois o leão aqui vai querer ser muito bem cuidado.
- Tá bom, vai lá leãozinho. - ela riu.
Eu me enfiei debaixo do chuveiro e me senti exultante de felicidade. Mal podia esperar para curtir o resto da noite ao lado da minha linda e maravilhosa mulher.
- Zac! - ouvi um grito aflito de Vanessa.
Fechei o chuveiro para parar o barulho da água caindo. Senti os pingos escorrendo pelo meu rosto.
- Zachary! Zachary! - era a voz da minha mãe agora, surrando a porta. - A Nessa...
Eu abri a porta do box e me enrolei na toalha assustado.
- O que está acontecendo? - falei antes de virar a maçaneta da porta.
_____________________________________________
Olaaaaa!!!
Chegamos ao penúltimo capítulo já... :'(
Deve ter sido um choque pra Vanessa ter lembrado da parte do sequestro não é!?
Mas ainda bem que tudo ficou bem...
Ou quase tudo... Ai o que será agora hein!?
Será que ela se machucou?? Ou será que o Davizinho ta chegando??
Ai meu coraçãoooo ♥♥
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Eterno conhecimento (Zachary)

Olhei para Vanessa sorrindo para mim depois que nos amamos e senti uma imensa alegria no meu coração. Eu não podia exigir mais que aquele momento sublime depois de tantas demonstrações de superação e resistência dela. Não importava que se lembrasse do que vivemos se ao menos eu poderia receber seu carinho. Senti que seu corpo reconhecera o meu e não fora com menos intensidade que me quis com volúpia. Ela podia até não saber que naqueles poucos momentos de entrega fora a Vanessa de sempre, mas eu, sim, era capaz de reconhecer este detalhe.
- Você é lindo... - ela entrelaçou seus dedos entre os meus e chegou mais para perto sob as cobertas. - ... Eu quero te contar uma coisa.
- Fala. - apoiei minha cabeça em uma das mãos e repousei a outra sobre a sua cintura.
- Eu me lembrei de vários momentos nossos agora a pouco. Não sei se a intensidade das sensações físicas provocaram isso.
- Que ótimo. - beijei-lhe os lábios rapidamente. - Só espero que tenha sido boas lembranças.
- Sim, foram... ótimas... - riu.
- Ah, me conta! - pedi, curioso.
- Conto... ou não conto? - ela levantou a cabeça e beijou meus lábios. - Conto... ou demonstro? - aumentou a intensidade do beijo.
- De sacanagem você lembra né?! - fiz cócegas e ela riu alto. - Você é linda demais! - beijei-lhe o pescoço.
- Zac. - ela chamou-me com o mesmo jeito de outrora.
- Hum... - lambi o lóbulo da sua orelha.
- Que nome demos a nosso filho?
- Ah, isso aí foi uma guerra! Nem quero começar agora...
- Tá! Quais eram as opções?
- Você queria Pierre e eu queria Davi.
- Hum... Será Davi, então. - decidiu.
- Nossa, fácil assim? _- surpreendi-me.
- Ele tem que ter um nome logo! - explicou-me. - Não vamos mais perder tempo com isso.
- Nada de perder tempo. Isso mesmo. - comecei a abraçá-la como se fôssemos começar tudo de novo e ela deu uma gargalhada.
- Zac, seu sedentinho, perai! - deu-me um tapinha no braço. - Deixa eu te falar uma coisa.
Por que as mulheres falam tanto, meu Deus?!
- Diga... - sorri, bem humorado.
- Eu vi os cadernos de capa vermelha que tinha escrito para você e comecei a ler.
- Bom, são seus mesmo, não tem problema. - disse-lhe, sentindo pelo seu tom de voz cerimonioso que estava receosa que eu brigasse com ela.
- São lindos. Eu te conheço como ninguém, hein? Tudo bem que vou precisar lembrar de muita coisa ainda, mas só pelo caderno dá para ver! Você me conhece assim também?
- ... - eu não respondi prontamente, olhei-a com contemplação por mais alguns segundos. - Aprendi a nunca deixar de querer te conhecer. Quando a gente começa a ler sobre um determinado assunto, dá aquela empolgação para descobrir todos os detalhes. Mas, conforme chegamos à sensação de ciência plena, tendemos a nos limitar ao que já temos. Satura. No amor, diferente dos estudos acadêmicos, aprendemos a nunca deixar de querer saber mais sobre a pessoa que está ao nosso lado. Muitos casais se separam por isso, por deixarem de investigar o outro e perderem a chance de se depararem com diversas qualidades boas.
- Gosto tanto de te ouvir falar. - ela acariciou com o dedão o meu queixo e tocou os meus lábios. - Só estar perto de você me faz me sentir tão segura, Zac.
- E ter ficado longe durante o período do sequestro foram os piores dias da minha vida. - contei-lhe e beijei a sua mão. - Não posso te perder mais por nada nesse mundo.
- Um dia eu vou morrer.
- Não fala isso! - senti uma dor no peito com aquelas palavras. - Nun-ca mais repita isso! - pedi-lhe com meu rosto perto do seu.
- ... - ela engoliu em seco e olhou para baixo
- Nessa, eu preciso de você quando chegar em casa para sentir que o dia vai terminar bem nos seus braços. Eu preciso te ver tomando café da manhã e debulhando os pães para tirar os miolos.
Ela riu.
- ... Eu preciso... - continuei. - ... te ver deitada no sofá do escritório lendo algum livro, enquanto eu trabalho, só pelo simples prazer de poder te olhar e saber que está perto com a sua presença viva e cheia de energia. Eu preciso te ver sair do banho com pingos de água nos ombros e cheiro de xampu no cabelo molhado e bagunçado. Eu preciso ter alguém para quem voltar quando sair em missão e receber aquele abraço quente e apertado de boas vindas novamente. Eu preciso de alguém que me acorde com um beijo se o despertador falhar e saber o que é uma farda 3d, ou seja, que entenda o meu mundo.
- Como descobriu que esse alguém era eu? - perguntou-me com um olhar reflexivo.
- Quando eu não conseguia ficar longe de você. Quando você começava a brigar comigo e eu só queria te beijar. Quando você fazia tudo errado e eu tinha uma baita paciência para te ensinar. Quanto tinha benevolência com seus contínuos tropeços. Quando eu sabia que você era muito diferente de mim e, mesmo assim, eu queria arriscar te amar. Não tem um marco ao certo, eu, quando me dei conta, já era parte de uma coisa composta por nós dois que não tinha significado se fosse dividida, só existia enquanto unidade. Desculpe, não estou sendo claro... - ri. - Eu viajo às vezes.
- Eu entendi! - disse-me. - Deus põe nossas almas em corpos para que não possamos ver quem realmente somos. Imagine que nosso interior tivesse cores. O mau é preto; o mais ou menos mau, cinza; o bom, branco; o engraçado, amarelo; o apaixonado, rosa. Sem os corpos, você poderia andar pela rua e ver a pessoa do jeito que ela é, com a cor correspondente a sua personalidade. Mas, claro que não somos cromáticos por dentro. Mesmo assim, suponha que compomos um código de barras cheio de dados e que, sem a parte física, todos veriam o outro sem máscaras. Os bons ficariam com os bons e se afastariam dos maus. Conseqüentemente, os maus se tornariam piores do que são. Só que nós estamos dentro de nossos corpos e enganamos as pessoas com a nossa aparência. Assim, você pode ao tratar bem uma pessoa ruim, sem que nem imagine, mudar sua vida e sua personalidade má. Ou aquele cara barrigudinho pode ser a pessoa perfeita para uma outra que ame, mas que, se não estivesse escondido atrás daquela pequena pança, seria atacado por várias mulheres ávidas por um cara legal e romântico antes da tal mulher que seria boa para ele.
- Mas, nesse caso, você teria que ter pessoas capazes de olhar dentro, neste interior de que fala. Isso é difícil hoje em dia. A máquina do capital trabalha para revestir as pessoas em diversas camadas de maquiagem, roupas, jóias, acessórios, carros, como se fosse empilhando sobre o “eu” vários estratos. No fim, aquela essência fica tão, mas tão escondida, que deixa até de ser importante.
- Nunca deixa de ser importante. - corrigiu. - Porque, quando a pessoa de fato precisar, ela vai ver que não encontra. Por isso, tantos casais de artistas milionários se separam. O presidente francês Sarkozy acabou de se separar daquela ex-modelo. Se ela só olhasse as camadas de poder de que ele foi acrescentado, não estaria infeliz.
- Verdade. - concordei. - Eu, se passasse na rua e te olhasse, ia te achar bonitinha...
- Bonitinha? Bonitinha é feia arrumada! - consertou.
- Eu ia te achar linda. - corrigi. - A mulher mais gostosa de todo o universo já antes vista nas galáxias mais remotas!
- Não precisa também me comparar aos ETs!
- Eu ia admirar sua beleza, mas não ia me aproximar de você. Imagina? Você é um bebê! - envolvi-a com meus braços e lhe beijei o pescoço.
- Mas você bem que gosta do que os “bebês” fazem!
- Engraçadinha! Então, eu ficaria de longe, não cogitaria a possibilidade de te seduzir. Eis que, loucamente, a vida me põe você dentro de casa e acabo descobrindo que preciso mais que tudo de estar ao seu lado.
- Ai, que lindo! - beijou-me e manteve o sorriso aberto. - Eu também preciso de você. _- encostou a cabeça junto ao meu peito e fechou os olhos.
Cobri-a com as cobertas e dormimos abraçados.
_____________________________________________
Oiiiii!!!
Continuando com a maravilha de ler um capítulo desses... 
Que essa paz permaneça até o fim porque já chega de sofrimento
ninguém suporta mais ficar sem esses dois juntinhos não é mesmo!?
Só eu que to ansiosa pra chegada do Davizinho?? ♥
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

terça-feira, 21 de abril de 2015

Novo roteiro (Vanessa) - Parte 2

- Ok, pode ser. - falei, tentando ser fria. - Me beije, anda, me beije, eu tenho que sentir alguma coisa. - pus as mãos na cintura e apertei meus lábios um contra o outro para me preparar. Respirei fundo. -Quem mal tem nisso? Se eu te conhecesse em um bar, rolasse um clima e eu quisesse te beijar, não precisaria te conhecer, não é verdade? - comecei a tagarelar enquanto Zachary fechava a porta do quarto. _ Vamos lá, me mostre por que eu me casei com você. Pode começar, anda logo.
- Feche os olhos.
- Ãnh... Hum...
- Feche os olhos. - pediu de novo.
- O que v...
- Feche os olhos. - repetiu.
Fechar os olhos aumentava meu nervosismo, porque eu não poderia prever os seus movimentos. Sua presença física aproximou-se de mim e eu senti sua mão delicadamente percorrer o contorno dos meus braços, encostando delicadamente apenas nos pelos, sem tocar na pele. Depois sua respiração quente no meu pescoço de um lado passou para o outro.
- Não existe mais nada. - falou baixinho tão perto dos meus lábios que eu já praticamente podia sentir que ia tocar os meus. - Nem passado, nem futuro, só agora. - Deixou seu hálito quente sobre minhas pálpebras e a pele das minhas faces. - Deixe seu corpo leve e solto. - dedilhou o meu cabelo. - Permita que sua alma fique livre para se encontrar de novo com a minha. - sua boca roçou o meu pescoço e me provocou um arrepio, meneei a cabeça para o lado e seu rosto ficou entre meu queixo e o ombro.
Ele contornou o meu corpo girando em torno de mim e afastou meu cabelo para beijar as minhas costas. Abriu o zíper do meu vestido e delicadamente abaixou as alças. Quando novamente ficou diante de mim, eu abri os olhos e me senti a ponto de cometer um impulso de beijá-lo, só precisava de um pequeno gesto seu. Os dois ao mesmo tempo se precipitaram para frente e nossas bocas se fundiram.
Eu queria seus lábios como se tivesse esperado por eles por muito tempo. Senti-os macios e molhados entre os meus. Segurei seu rosto com as minhas duas mãos e parecia já ter feito aquilo desde sempre. Meu corpo o reconhecia e sabia para onde guiar minhas mãos.
Zachary aumentou o ritmo e começamos a ficar ofegantes. Ele caminhou de costas até sentar na cama, inclinei meu rosto e o beijei mais uma vez longamente a boca. Deixei meus dedos percorrer o cabelo espetado da sua nuca.
- Você quer passar para o que vem depois disso... - ele perguntou, afastando seus lábios dos meus.
- Se eu pudesse parar...
- Eu também não posso mais. - ele levantou-se e tirou a blusa branca de botões e, antes que pudesse se livrar dela, beijou-me mais uma vez com uma pressa irrompida.
Se eu nunca havia passado por aquela experiência como podia sentir que estava tudo sob controle?
Envolvi seu pescoço com meus braços quando já estávamos sobre a cama e ele me amou com uma busca profunda. A corrente de energia que percorria todo o meu corpo elevou minha temperatura e os flashs de memória se tornaram mais intensos, mas eu não queria interromper nossa união física com palavras.
Com a mesma delicadeza que começamos chegamos ao ápice de olhos fechados e imersos no abstrato do prazer. Até que ficamos sobre a superfície da paz plena e silenciosa.
- Eu estava com muita saudade disso. - sorriu para mim e acariciou meu rosto admirando-me.
Puxei sua nuca para me beijar mais e eu não quis parar de sentir o contato entre nossos corpos. Eu não lembrava de tudo que vivemos no passado, mas podia inexplicavelmente sentir.
_____________________________________________
Estoou de voltaaa!!!
Ai que MA-RA-VI-LHA!!!
Alguém ai soltando fogos de artifício???
Estou quase soltando!! hahaha
Finalmenteeeeee!!! Agora espero que volte
tudinho ao normal, tudo em seu devido lugar e que nada 
absolutamente nada atrapalhe!!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

Novo roteiro (Vanessa) - Parte 1

Eu não sabia o que me esperava nesse baile, nem que pessoas veria lá ou que tipo de comportamento deveria ter. Tudo era tão novo para mim, mas, no fundo, sentia-me estranhamente como se já estivesse habituada àquela rotina.
Enquanto terminava de prender o meu cabelo na frente do espelho do banheiro, refletia sobre meus sentimentos, cheguei a conclusão de que era porque Zachary estava comigo. Algo dentro de mim o reconhecia como uma corda de segurança que me prende a uma coisa maior e não me deixa cair.
Passei maquiagem no rosto e um pouco de perfume no pescoço abaixo das orelhas.
Olhei para os vidros de perfume e me perguntei se eu o havia pego aleatoriamente ou meu reflexo condicionado tinha me feito escolher o que eu mais gostava. Alinhei os frascos e constatei que eu usara era o mais vazio de todos.
- Será que estou conseguindo me lembrar? - ri feliz por aquela fagulha de esperança, mesmo que tão pequena. Era parte de mim vindo à tona.
A porta do quarto estava fechada, passei pelo corredor e fiquei esperando na sala Zachary terminar de se arrumar. Vi um paletó cinza pendurado nos braços da cadeira da mesa. Aproximei-me e reparei que na altura dos ombros tinham estrelas. Passei os dedos para sentir o relevo delas. Um flash de imagem percorreu minha mente. Fechei os olhos.
Vi um lugar com muitas pessoas que falavam alto, parecia uma festa. E apareciam várias dessas estrelas no ombro dos homens.
Abri os olhos e corri para o móvel de fotografias. Procurei em cada porta-retrato.
- Foi no dia do nosso casamento! - falei exultante, quando encontrei a imagem que viera a memória.
Não pode ser, não pode ser! Eu estava lembrando!
Senti novamente vontade de ir ao banheiro. Voltei até lá e quando cheguei na sala outra vez Zachary estava de costas para mim, mas já vestido com o paletó cinza da farda. Ele ouviu o barulho dos meus passos e virou-se.
Eu o olhei da ponta dos pés até o alto da cabeça. Estava muito bonito e meu coração disparou. Era eu que sentia aquilo ou a Nessa dele que havia dentro de mim? Não importava, eu já estava sem fôlego.
- Quero que me responda uma coisa. - pedi. - É esse o perfume que eu mais uso. - apontei para o meu pescoço, timidamente.
Ele caminhou na minha direção até parar à minha frente. Não precisava se aproximar mais para sentir o aroma, mas mesmo assim ficou tão perto que sua respiração balançava os poucos fios soltos do meu cabelo.
- Na verdade, você não gosta muito desse. - riu.
- Não? - franzi a testa. - Hum... - fiquei desapontada.
- Sou eu que gosto, por isso usa. Você lembrou?
- Não sei se eu lembrei, mas foi o primeiro que peguei, então pensei que alguém dentro de mim estava certa do que queria e estranhei a reação impulsiva de pegar aquele vidro.
- Eu gosto de acreditar em toda pequena ponta de esperança.
- Eu também. - disse-lhe.
- Vamos?
- Vamos. - dei dois passos à frente.
- Nessa? - ele tocou meu braço.
- Hum. - virei meu rosto para trás.
- Eu... - não encontrou as palavras que buscava.
- Você...? - levantei as sobrancelhas.
- Eu queria me desculpar por todas aquelas coisas de hoje à tarde.
- Coisas? - olhei para os lados e depois voltei a encará-lo, rapidamente. - Tipo me chamar de chata, infantil e imatura?
- É. - riu de nervosismo. -  Eu não devia ter feito isso, eu fui indelicado.
- Indelicado, grosso, estúpido, escr...
- Hei!
- Eu estou brincando. - sorri. - Esqueça!
Ele sorriu também e me ofereceu o braço.
Quando chegamos à festa, senti os olhares das pessoas se voltarem para nós como se fossemos o casal popstar esperado.
- É impressão minha ou viramos o foco das atenções? - falei baixinho, tentando manter o sorriso e retribuir o aceno para aqueles que nos cumprimentavam de longe.
- Eles leram tudo nos jornais.
- Que maravilha... - continuei sorrindo. - ... Me sinto nua agora.
- Vejo que estão bem. - um senhor aproximou-se de nós e Zachary o cumprimentou efusivamente. Tentei ser o mais cordial possível e troquei dois beijinhos com sua esposa.
Quando eles se afastaram, Zachary riu.
- Acho que ela não vai dormir hoje tentando entender sua atenção.
- Entender o quê?
- Você odeia ela.
- Odeio? - ri.
- É, uma vez tive que separar você duas porque estavam se estranhando lá fora como quem fosse entrar para o primeiro round de uma luta transmitida via satélite.
- Que gafe! - ri mais ainda, absolutamente constrangida.
- Essa é a Nessa.
- O quê? - perguntei, novamente sem entender.
Zac caminhou para uma área ao ar livre fora do salão, onde algumas mesas vazias ficavam longe do barulho da música e do agito das pessoas.
- Por que eu pareci com ela, quero dizer, comigo agora?
- É estranho... Eu sinto que você, ela, você... - ele riu.
- Não se preocupe, eu entendi. - achei graça também.
-Você não lembra, mas tem reações que ela teria. Como agora, se divertindo de umas situações que a Nessa que eu conheci no início não riria. Se você só se lembra até o estágio anterior ao nosso encontro, então, deveria agir só como era antes! A Vanessa mais madura e a Vanessa inexperiente se alternam. Pareço ver uma peça de teatro com duas personagens que, entre o abrir e fechar das cortinas, assumem o palco separadamente em diferentes atos.
- Eu sinto muitas coisas também. Se você vê um filme que comprou o DVD e tem ainda vontade de rever algumas cenas preferidas, é só aperta o play e ver de novo. Mas a minha memória não traz de volta os bons momentos. É como se eu tivesse uma vida vazia. Não importa o quão ruim é o nosso destino, quantas quedas sofremos, temos todas elas para lembrar que podemos ser melhores e somos capazes de superar. Eu só levo comigo uma folha em branco.
- Se não conseguir encontrar o seu filme, então use a folha em branco para escrever o roteiro de outro.
- É triste não ter passado.
- É triste quando o passado que se tem não se quer lembrar. - ele sentou-se.
- Por que diz isso? - pus os cotovelos sobre a mesa e fiz um ar de quem está disposta a ouvir tudo.
- Se eu contar, você não vai acreditar... - sorriu envergonhado. - Aliás, tem coisas que e a gente só deveria contar uma vez na vida... - riu alto de si mesmo. - ... porque elas demandam muita energia. Eu lembro de todas as suas reações e da raiva que sentiu de mim. Imagina ver tudo isso novamente no seu rosto agora? Não, vamos mudar de assunto.
- Conta. - pus a mão sobre seu braço.
Zachary respirou fundo e me olhou como quem me estuda para saber se eu estava preparada para o que ia descobrir.
- Eu já fui apaixonado por sua mãe.
Eu engoli em seco e tentei não dizer nada. Não teria a reação que ele esperava, me aguentaria. Por mais que no meu interior eu estivesse muito surpresa.
- Na verdade, namoramos. Mas Michelle fez muitas coisas que me machucou.
- Não duvido, ela me deixou e isso posso lembrar claramente.
Zachary contou-me que minha mãe havia tentado convencê-lo de que esperava um filho seu e depois o abortara. Acrescentou que isso o motivara a tentar acabar com a própria vida, mas que o destino o deu mais uma chance. Explicou em detalhes como foi nosso encontro e as brigas que tivemos. Relatou-me também o episódio de Josh e, finalmente, a nossa briga anterior ao casamento por causa da visita inesperada de minha mãe, que tentou nos separar.
- Vivemos intensamente muita coisa! - exclamei.
- Muito. A gente se debateu contra o que sentíamos. Era essa a origem de tantas guerras que travamos. Você não sabe do que é capaz
Zachary me fez rir narrando o episódio em que troquei os ring tones do seu celular e coloquei fotos de homem em seu computador.
- Eu não fiz isso! - diverti-me.
- Agora é engraçado, mas, no dia, eu fiquei tão irado que quis te esganar! - gesticulou. - A gente parecia que ia lutar até um dos dois cair morto como os gladiadores. Mas descobrimos que podíamos usar toda aquele sentimento forte para sermos felizes.
- Se alguém contasse nossa história para mim eu iria achá-la a mais linda que já ouvi.
- E a mais louca também!
- A gente não vive de monotonia. - disse-lhe.
- Pela primeira vez você não falou em terceira pessoa. - observou.
Eu sorri e olhei para o lado timidamente.
- Vamos dançar? Viemos aqui para isso. - sugeriu.
- Com a barriga desse tamanho?
- Que tem?- ele levantou-se.
- Não! - segurei sua mão quando ele me puxou. - Por favor, não quero aquelas pessoas me olhando.
- Você sempre gostou...
- Por favor.
- Tudo bem.
- Podemos dançar aqui, se quiser.
Ele colocou sua mão por trás da minha cintura e eu me senti desajeitada. Rimos os dois até ficarmos sérios novamente.
Enquanto a música nos envolvia, novamente aqueles flashs me vieram à cabeça.
- Está se sentindo bem, Nessa? - perguntou.
- Não... Só umas coisas que estão passando na minha mente. - levei a mão à testa.
- O quê? - não entendeu.
- Eu sinto que já estivemos aqui e essas pessoas... - eu parecia estar confundindo-me nas próprias palavras.
- Que ótimo! Isso aconteceu mais de uma vez?
- Sim. - sorri feliz. - Está funcionando. Ficar perto de você me faz ter sensações.
- Não posso acreditar!
- Mas calma...
- Claro! Nada de grandes expectativas! Quer ir para casa? Já está tarde mesmo.
- Pode ser. - aceitei.
Quando chegamos, fomos para o quarto trocar de roupa. Sua mãe já tinha ido dormir. Zachary pendurou o paletó da farda cinza no cabide e depois caminhou até a poltrona. Provavelmente, ia começar a tirar os sapatos no seu ritual de se despir.
- Você não tem curiosidade? - ele perguntou, de repente, virando-se para mim.
- Do que?
- Hum... de saber o que pode sentir quando me beijar?
- Isso seria um tratamento de choque!
Ele riu e balançou a cabeça para os lados.
- Deixa para lá! - desistiu da ideia.
_____________________________________________
Helloo girls!!!
Que bom que a memória da Vanessa já ta começando a voltar neh!?
Já tava mais que na hora!!
Ai que tristeza!! Dona Vanessa eu só acho que a senhora
deveria aceitar logo ser beijada pelo Zac!!!
Alguém aqui além de mim torcendo pra que ela mude de ideia??
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Estarei aqui no computador a tarde inteira porque estou preparando umas
surpresinhas pro aniversário do Zanessa Love Brasil, então
a 2ª parte eu posto quando tiver o minimo de comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Trégua (Zachary)

- O que nós fazíamos para nos divertir? - Vanessa perguntou, sentada ao meu lado no sofá, ela parecia bem entediada enquanto eu lia meu jornal de domingo depois do almoço.
- Sexo. - respondi sem tirar os olhos do caderno de esportes.
- Sexo? Sexo o dia todo?
- É. Tem coisa melhor? - virei a folha e dei uma rápida olhadela em sua cara de assustada. - Sexo no sofá, na mesa, no tapete, no jardim, na escadinha ali da entrada...
- Eu era uma ninfomaníaca?
- Estou brincando com você!
- Seu... - arremessou uma almofada na minha cabeça.
- Olha o que fez com o jornal! Amassou! - aguentei para não rir e tentei parecer bravo.
- Você gosta de brincar com a minha situação, né? Mas se quer saber, eu sou praticamente virgem!
- Praticamente virgem? - repeti com toda a ironia que consegui. - Isso é piada, né? Nessa, a única realmente virgem aqui é aquela imagenzinha que temos em cima da estante.
- Zachary! Mas eu não lembro de nada!
- Ah, mas eu lembro! - dobrei novamente o jornal para ver a situação do ranking do Brasileirão. - Eu lembro de cada coisa...
- Seu grosso! Seu estúpido! E eu não lembro de nada! - falou aquilo com prazer no intuito de me provocar. - Nem meu corpo lembra nada, nadica de nada do seu, nem...
Eu perdi a paciência, larguei o jornal puto da vida agora e me levantei. Vanessa fechou a boca e inclinou a cabeça ligeiramente para trás com medo do que eu pudesse lhe fazer.
- Presta atenção - apoiei meus punhos fechados sobre o sofá e praticamente encostei meu rosto no dela. -... Eu entendo que você esteja irritada, que não me queira como me queria, só não me provoque...
Os olhos delas se encheram de lágrimas e fez uma carinha de quem ia deixar as comportas da represa de Itaipu caírem. Puta que merda, por que as mulheres usam esse golpe tão baixo, tão sujo, tão sacana?
- Não chora, não chora! - segurei seu rosto.
- Eu estou tentando, ok? Mas, você não está ajudando, você é um animal! - gritou comigo e se levantou para sair da sala.
Revirei os olhos. Oh, que ótimo, agora eu era o lobo mal que queria comer a Chapeuzinho Vermelho.
Poxa, tá vendo, leitores? Não consigo mais ler, não tem clima! Joguei o jornal de lado e ele caiu na cabeça de Jachary que deu um latido e correu de mim também.
- Nessa... - cheguei na porta do seu quarto. - ... Quer ia a um baile comigo hoje?
- Não... - falou com a voz abafada pelo travesseiro. - ... Não vou te fazer desfilar com uma baleia gigante.
- Você não é uma “baleia gigante”. - repeti, tentando imitar sua voz e dei a volta na cama para poder sentar-me ao seu lado. - É meu filho que está aí... - toquei a sua barriga.
- Tira a mão daí, enquanto estiver aqui é meu! - irritou-se.
- Caraca, você é a mesma, a mesmíssima Nessa chata! Está bancando a infantil de novo e você estava progredindo!
- Zachary, eu não gosto de você... - ela sentou-se na cama e vi que seus olhos estavam vermelhos. - Eu não gosto de vocêêê... - gritou a todos pulmões.
- Você só não lembra que gosta. - consertei falando baixinho, olhando para as minhas mãos.
- Eu não aguento isso mais, não aguento tentar me lembrar só para te fazer feliz, eu quero deixar de ser essa Nessa, só que não dá! - ela dedilhou os cabelos para trás, alucinada.
- Hei, você não pode se irritar. - lembrei-me. - Altera sua pressão, faz mal para o bebê.
- O bebê, o bebê! Você só pensa nessa...
Num impulso tapei sua boca com a minha mão:
- Não ouse falar qualquer palavra contra o meu filho porque ele já está sentindo tudo isso, não merece ouvir também. Você sabia que as crianças recebem tudo que a mãe emana para eles?
Em um instante, eu tive um reflexo. Se Vanessa estava tão mal e dizendo que não aguentava a perda de memória, ela poderia ser capaz de uma loucura. Não a deixaria entrar em uma depressão, isso levaria tudo por água abaixo de vez.
- Vamos ajudar um ao outro. Eu te ajudo e você me ajuda, tudo bem? - tirei minha mão da sua boca e tentei ser o mais amigável possível. - Que tal a gente sair? Tem um baile no clube, dança de salão. A gente se diverte e...
- Como espera que eu vá vestida? Enrolada nessa cortina?
- É... - olhei para a cortina. - Pode ser, você acha que cabe? Parece que vai ficar apertada.
- Aiii, Zachary! - ela deitou-se de volta no travesseiro.
- Não se preocupe, você já tinha pensado nisso antes. Há dois vestidos de grávida lá no nosso guarda-roupa. Eu prefiro o azul claro.
- É? - ela pareceu se animar.
Ficou fechado então o pacto de trégua para nos prepararmos para a festa.
_____________________________________________
Olha eu de volta aqui com mais um capítulo!!!
Tinha começado muito bem pra ser verdade neh!?
Agora sim são os velhos Zac e Vanessa implicando um com o outro...
Pra completar tudo só falta mesmo a memória da V!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

Come and get it (Vanessa)

Zachary pareceu-me bem simpático e divertido ao primeiro contato. Minha mãe disse que ele era um pouco sério demais e uma pessoa dura de se lidar. Eu não entendi porque me passava uma imagem assim daquele homem. Pelo contrário, tentava fazer com que nosso contato fosse amistoso e sem pressões para que eu bancasse sua mulher.
-Vamos sair pela porta dos fundos, ok? - ele me disse, guiando a cadeira de rodas.
Pelo corredor, Zachary foi cumprimentando as enfermeiras e todos aqueles que conviveram conosco durante o período em que estive no hospital. Achei até simpático da sua parte. Mas, o ponto fraco para atingir o seu mau humor era quando via jornalistas. Foi o que aconteceu assim que um guarda abriu o portão para nós.
- O que eles fazem aqui? - assustou-se com todos os flashs que foram disparados sobre nós. - Por favor, deem passagem, ela está precisando se recuperar, por favor, saiam da frente.
- Vanessa, é verdade que você perdeu a memória? - uma jornalista perguntou, enquanto Zachary me ajudava a entrar no carro.
- Como eles sabem? - perguntei enquanto ele ligava o carro.
- Alguém do hospital deve ter mantido eles informados sobre tudo.
- Alguma daquelas pessoas que você cumprimentou antes de sair?
- Quem sabe? Não se pode confiar em todo mundo... - balançou a cabeça para os lados.
Entramos em uma rua comprida, de casas praticamente iguais umas às outras.
Bonitinhas, com telhados vermelhos e fachadas brancas.
- Vou te ajudar. - Zachary me deu a mão para eu sair do carro e a manteve em volta da minha cintura.
- Não se preocupe, eu posso andar perfeitamente. - disse-lhe.
Um cachorro veio correndo nos receber aos saltos.
- É o nosso cachorro? - sorri e quis me abaixar para tocá-lo, mas a barriga já grande me atrapalhava um pouco. - Como se chama?
- Jachary.
- Vocês deram o seu nome ao cachorro?
- Não, é com “Z” e não com “J” e quem deu o nome foi você. Por que falou de nós, como se estivesse em terceira pessoa?
- Desculpe... Eu me sinto assim.
- Tudo bem. Vamos entrar. - ele indicou o caminho.
Uma mulher apareceu na cozinha com o rosto amassado e cara de sono.
- Olá, minha querida, que bom que está de volta. Rezei tantas novenas para isso!
Eu sorri e olhei para Zachary.
- Minha mãe... - me apresentou.
- Oi!
- Oi. - ela me abraçou efusivamente.
Pelo visto, eu era muito querida naquela família.
- Eu vou voltar a dormir, vocês precisam de alguma coisa? - perguntou.
- Não, não. - Zachary dispensou suas preocupações. - Vem, Nessa. - chamou e eu o segui pelo corredor.
- Zachary, me diz uma coisa: quem ficou com minha cachorrinha?
- A Shadow?
- É.
- Você não lembra? - perguntou.
- Para variar... não.
- Aiii, vai começar tudo de novo. Quando eu pensei que já tinha acabado com este assunto...
- Quê?
- Olha, antes que você comece a fazer um escândalo, agora você tem um cachorro e um peixe.
- Cachorro e peixe? Mas o que isso tem a ver com a Shadow?
- A sua cachorrinha morreu. Mais uma vez, eu não provoquei. Foi uma acidente. Meu soldado foi pular o muro da sua casa e pisou nele...
- O quê?! Eu casei com o cara que matou a minha cachorrinha?
Zachary revirou os olhos e sentou-se na pequena poltrona de canto do quarto. Começou a desamarrar o tênis.
- Foi o seguinte. Como lhe falei, seu pai morreu. No dia que eu fui lhe dar a notícia, você desmaiou. Eu pedi para um soldado pular o muro e foi quando aconteceu...
- Meu Deus!
- É, você já me puniu por isso, pode acreditar. - garantiu-me. - Olha só, Nessa, eu não queria que tivesse acabado desse jeito. - Zachary ficou parado na minha frente. - Eu sei que você está triste agora, como no passado... - sua voz ficou abafada por causa da camisa que acabava de tirar, puxando-a pelo pescoço. Com apenas aquele movimento de suspender a camisa, seus músculos se contraíram sobre as costelas e formaram um quadro de curvas e reentrâncias nunca antes vistos por mim fora das revistas das bancas de jornal.
Esqueci a Shadow por uns segundos e meus olhos se fixaram naquela barriga definida e o peitoral musculoso. Poucos pêlos, mas que faziam caminhos pelo abdômen, caminhos esses que, de repente, seguiam na contra-mão, viravam rodamoinhos, trilhas. V! Acorda, alouuu, girl?
- ... E você gosta muito do Jachary agora, concentre-se nisso! - continuou a falar o que eu nem mais conseguia prestar atenção. Ele abriu o cinto da calça, puxou o zíper até embaixo e vi sua cueca branca, com um cós de elástico grosso escrito "sexy, come and get it".
Eu virei o rosto para o lado e evitei observá-lo.
-... Por favor, tem como não falar sobre sua cachorrinha durante mais meio ano? - pediu.
Novamente o encarei. Zachary segurou o cós e abaixou a calça. Comecei a rir de nervosismo.
- Que foi? - perguntou.
- Nada! - controlei o riso. Estava sem saber onde colocar as minhas mãos, cocei a nuca, coloquei-as na cintura e, por fim, cruzei os braços.
- Não se preocupe... - piscou para mim. - ... é tu-do seu. - Caminhou para o banheiro.
Instintivamente, fui virando a cabeça e seguindo-o com os olhos para vê-lo de costas e que costas eram aquelas?! Neeeeeeeeeeessa!
Ele tirou a cueca e vi a marca de queimado da sunga de praia que tinha sido deixada ali para o deleite de poucas, quero dizer, eu ver. Murmurei bem devagar:
- Aiiiii, meu Deus!
Zachary deixou a porta do banheiro aberta. Caminhei até lá e fiquei conversando com ele enquanto tomava banho dentro do box de vidro fosco.
Sentei-me na tampa fechada do vaso.
- O que mais eu preciso saber? Você me deu um peixe e um cachorro. E daí?
- Bom, o que mais você quer saber? - ele abriu a porta do box e o vi completamente molhado, sob a ducha do chuveiro. Passou a mão no rosto para se livrar da água e me olhar melhor.
Virei-me para a parede, abruptamente, mas não adiantava fugir, lá estava sua imagem refletida no espelho.
- Ora, você gostava de ler meus livros, ouvir música, tem um computador no seu quarto... - esfregou o sabonete no corpo.
- Eu tenho um quarto só para mim? - perguntei.
- Tem! - Zachary terminou o banho, saiu do box e buscou a toalha pendurada.
- Aaaah! - gritei e tampei a boca com a mão.
Como se fosse a coisa mais natural do mundo, começou a secar as costas esfregando a toalha em um movimento de vai e vem.
- Pior que tem! Quando você veio morar comigo, fizemos um quarto para você. Minha mãe está dormindo lá agora.
- Ãnh... - engoli em seco.
Zachary continuou secando agora a cabeça, enquanto eu estava bem de frente para ele, na altura respectiva... Isso mesmo, eu não tinha nem voz para falar. Meu cérebro parou!
- Mas, por enquanto, você vai dormir comigo. É melhor, você vive pedindo mil coisas e, estando do meu lado, já ajuda. Fico menos preocupado. Tudo bem para você?
- Tudo... - levantei as sobrancelhas e franzi a testa. - Tudo... - recuperei o fôlego. - ... Tudo ó-ti-mo.
Ele caminhou de volta para o quarto e eu fiquei ali. Pa-ra-da, imersa ainda na nuvem quente de fumaça.
- Uauuu! - balancei a cabeça para os lados e me levantei.
Zachary colocou uma pilha de almofadas e travesseiros e eu perguntei para quê aquilo.
- Para seus pés que ficam sempre inchados. - informou.
- Hummm... - cocei a nuca. - ... Tem como você dormir vestido? - perguntei, constrangida.
- Eu estou vestido. - ele deitou-se de bruços.
- Bom, com alguma coisa maior que esses poucos centímetros quadrados de cueca!
Zachary levantou-se batendo o pé e resmungando.
- Que maravilha! - abriu o guarda-roupa e retirou uma camisa branca. - Está bom assim? - caminhou de volta para cama.
- Não tem nenhum shortinho não? - pedi.
- Aiiiiieeeeeeeee! - voltou para buscar uma bermuda comprida até o joelho. - Quer que eu coloque os sapatos também?
- Não, assim está bom.
Ele se jogou de bruços no colchão.
Fiquei olhando para o teto, não conseguia relaxar, nem dormir.
- Que foi? Está estranhando a cama? - perguntou.
- Basicamente isso... a cama e todo o resto.
- Vem cá... - ele sentou-se.  - ... Vire de lado, nesta posição de barriga para cima você faz muito peso sobre a coluna. - indicou-me como eu deveria ficar. - ... Agora feche os olhos. - pediu.
Eu fechei e senti sua respiração próxima ao meu pescoço. Ele puxou os fios do meu cabelo para trás e fez carinho na minha cabeça.
- Tenta relaxar completamente que o sono vem...
De repente, eu não vi mais nada.
_____________________________________________
Hellooo!!
Ainda bem que a Vanessa já voltou pra casa ne!? Espero que assim
ela consiga se lembrar aos poucos da antiga vida dela com o Zac!!
E o que foi isso!? Hahahaha morri com o Zac indo tomar banho!!
Isso que eu chamo de tratamento de choque!!! hahaha
Se der certo posto ainda hoje mais um capítulo!!
Então comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

domingo, 19 de abril de 2015

Recomeçar a amar (Zachary) - Parte 2

- Posso entrar? - perguntei para que ela não me olhasse com tanto medo.
Não respondeu, continuou acompanhando meus movimentos com os olhos enquanto eu pegava a cadeira para sentar ao seu lado.
- O que se diz nessas horas? - ri, nervoso.
- ... - sorriu um ensaio de sorriso.
- É... - cocei a testa com o polegar, procurei as melhores palavras. - Imagino que deve ter sido estranho para você acordar casada e grávida.
- Foi assustador. - respondeu.
Aquilo doeu de ouvir. Tudo de maravilhoso que vivemos era como um filme de terror para ela?
- Não liga, eu também estou bem constrangido, sabe? Você me conhece, quero dizer... - revirei os olhos. - ... você me conhecia tão bem e agora eu preciso me reapresentar. Capitão Zachary, às suas ordens. - estendi a mão.
Ela riu e segurou minha mão. Se eu pudesse lhe dizer que sentir o toque dos seus dedos me dava vontade de agarrá-la e cobri-la de beijos...
- Capitão do quê? - quis saber.
- Ah! Eu sou militar.
- Hum... - ela levantou as sobrancelhas. - Zachary... - foi à primeira vez que me chamou pelo nome, mas com a solenidade que eu não queria. - Eu sei que, teoricamente, nós moramos juntos... Mas, onde vou ficar?
- Como assim, meu am..., Nessa?
- Minha mãe me falou que eu não preciso forçar nada, nem ser sua esposa, que não seria justo comig...
- Ela falou isso? - interrompi-a e franzi a testa, ultrajado.
- É. Achei estranho, porque ela deveria querer que eu ficasse perto de você. Não que eu queira isso, não me entenda mal, mas...
- Nessa, Nessa, ouça. - fiz um sinal com a mão para me deixar falar. - Está vendo isso aqui? - mostrei a aliança a ela. - É um sinal de que, um dia você, mesmo que não lembre, acreditou em mim. O que vivemos não foi só amor, foi amizade também. Não vou obrigá-la a ser o que era antes de modo algum! Seremos amigos, bons amigos.
- Eu não sei se vou voltar a amá-lo como quer e acabaria eu mesma me cobrando isso.
- Me dê uma chance de tentar?
- Tentar o quê?
- Fazer você me conhecer de novo.
- Eu não tenho outra alternativa, não é? Estou esperando um filho seu.
- Nosso. - corrigi.
- Sinto-me como em um casamento arranjado que nunca quis e com um homem que me apresentaram no dia da cerimônia! - ela estava mais agoniada do que eu imaginara.
- É só uma chance, se não quiser, você pode me deixar.
- Como pode me dizer uma coisa dessas?
- É o amor. E o amor faz coisas como as que eu fiz que nem imagina, melhor, nem lembra.
- Desculpe.
- Eu não quero desculpas, só uma chance. - pedi.
- Podemos tentar. Amigos?
- Amigos. - acariciei seus dedos. - Você sabia que tem um batalhão de fotógrafos lá fora?
- É mesmo?
- É. - ri. - Vou tentar arrumar um jeito de te tirar daqui sem que te vejam.
- Por favor!
- Quem sabe a gente escape na calada da noite? - propus.
- Isso. - sorriu.
Era a minha linda Vanessa com seu sorriso rosado e os olhos de quem me desconhecia.
Lá no fundo, em algum lugar subterrâneo do seu coração, ainda estavam guardados os escritos de nossa história e eu a ajudaria achar.
_____________________________________________
Oiiiiiii, demorei mas aqui estou com mais um capítulo!!
Eu ainda tenho a impressão que no fundo, no fundo mesmo a Michelle
não quer que ela se o lembre da vida que teve com o Zac!! 
Bom já foi um grande começo eles serem amigos!! Mas ainda quero eles como
um casal, concordam!? Que a memória dela volte logo.... :S
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

sábado, 18 de abril de 2015

Recomeçar a amar (Zachary) - Parte 1

Olhei para o rosto de Vanessa e achei, por uns segundos, que ela estivesse me desconhecendo, mas não podia ser isso. Nós nos amávamos, éramos casados e estávamos esperando a chegada do nosso filho!
- Que isso?... - sorri e balancei a cabeça para os lados. - Está brincando comigo, minha querida?
- Por favor, não me beije. - ela pediu quando cheguei mais perto para lhe fazer carinho. Disse isso quase como quem olha alguém que está prestes a atacá-la.
- Zachary? - ouvi a voz de Michelle atrás de mim. Se ela tinha algo a ver com isso, era bom mesmo que estivéssemos no hospital, porque eu ia perder a razão e esganá-la!
- O que está acontecendo aqui? - perguntei, agora com a voz irritada.
Ela bebeu a água que trazia no copo e depois olhou para Vanessa, fez carinho no rosto da filha e sorriu. Era real a cena que eu estava enxergando ou precisava ser medicado contra alucinações?
- Nós vamos conversar um pouco ali fora e depois voltamos para ficar com você, minha querida. Tudo bem? - beijou-lhe a testa. - Vem comigo, Zachary.
Eu continuei parado onde estava, olhando para Vanessa na esperança de entender que brincadeira de mau gosto era aquela que as duas faziam comigo. Será que algum programa resolveu colocar uma câmera escondida e, por trás desta, uma platéia dava gargalhadas da pegadinha?
- Zachary? - Michelle chamou-me mais uma vez da porta.
Eu coloquei as mãos na cintura, depois respirei fundo. Cocei a barba rala no queixo e decidi segui-la. Paramos na sala de espera.
- Eu quero uma ótima explicação para isso.
- Zachary... Você vai ter que ser forte... - Michelle colocou a mão no meu braço.
- Não me toque! - afastei-me eletrizado por aquele contato, tinha nojo daquela mulher. Ela supostamente envenenara Vanessa contra mim. - O que você falou para Nessa?
- Zachary, quer um pouco de água? Se acalme, as pessoas estão olhando... - ela olhou discretamente para os lados.
- Eu não me importo que olhem! E quem é você para dizer isso? Já falou para o mundo inteiro nossa história. Não duvido que até os sultões do Oriente Médio já saibam, nem que algum escritor já tenha começado a escrever um best seller sobre o caso...
- Zachary, posso falar?!
- ...  - parei e a olhei de lado, disposto a ouvir algo coerente que elucidasse aquilo.
- Ela não se lembra de nada.
- Quê?!
- Pode ser que se lembre... que se lembre...um dia. Mas, por enquanto, só se recorda de um pouco antes de ter te conhecido. Ela não sabe quem você é.
- Quem eu sou? - ri. - Eu sou o marido dela, eu sou o pai do filho que ela está esperando... - comecei a enumerar, apontando para os dedos. - ... Eu arrisquei a minha vida para salvá-la.
- Eu sei! Mas ela não lembra! Ela não lembra! - foi enfática.
Eu senti que o mundo começava a girar e o rosto das pessoas ficaram embaçados. Precisava de ar. Caminhei para a porta do hospital.
- Sua esposa acordou?
- Como ela está?
- A criança sobreviveu?
Um batalhão de repórteres de plantão dispararam flashs sobre mim e direcionaram seus microfones, gravadores e celulares para a minha boca.
- Gente, ela está bem. - Michelle apareceu e se incluiu no círculo da imprensa.
Aproveitei para fugir deles e pedi para a recepcionista que chamasse o médico de Vanessa. Ela pegou o telefone e fez uma ligação. Depois, anunciou que ele me esperava.
- Obrigado.
Quando entrei na sala do médico, ele já percebera pela minha inquietude que eu tinha recebido a notícia.
- Ela vai levar quanto tempo para lembrar de tudo? - era a pergunta que me martelava.
- Não posso te dar garantias. Mas tenho que lhe dizer que ela é muito sortuda.
- Sortuda? Ela perdeu o passado que tinha comigo...
- Os homens pedem demais de Deus... - ele riu e balançou a cabeça para os lados. - ... Eu não queria lhe dizer para não te tirar as esperanças, mas muitas pessoas saem do coma com seqüelas gravíssimas, sem movimentar os braços e as pernas, perdem visão, a voz, entre outras tantas conseqüências ruins. Sua esposa está com todos os reflexos físicos ótimos. Isso sim é que é um milagre. Eu, como médico, acredito na ciência, mas também sou formado de parte humana e posso dizer que foi um verdadeiro milagre. Sem contar no filho de vocês se desenvolvendo muito bem.
Engoli em seco.
- Ela vai precisar de muito carinho...
Ouvimos alguém bater na porta e o médico disse que podia entrar. Era Michelle.
- Fique à vontade. - indicou a cadeira ao meu lado. - Estava justamente falando para seu genro que a Vanessa vai precisar de muita atenção e afeto.
- Claro, não faltará isso a ela! - Michelle garantiu.
_É importante que a deixem comandar o processo de lembrança. Não forcem, nem façam perguntas demais. Respondam o que ela perguntar, mas sem pressões, isso poderia bloquear ainda mais os mecanismos de recuperação da memória.
- Faremos isso. - ela disse e eu só conseguia ficar mudo.
- Hei, meu rapaz... - ele bateu com a ponta da caneta na mesa para chamar minha atenção. - Eu tenho uma mulher há quarenta anos e ainda acho que ela não me conhece completamente. - riu. - Se a Vanessa nunca mais vier a se lembrar, conquiste-a outra vez. Você não é o “Don Juan”? - fez aquela piadinha sem graça.
Eu não ri, olhei-o longamente e não consegui dizer nada.
- Deixe ela ficar com a mãe, ao menos por esses dias.
- Na minha casa? - perguntei.
- Há algum problema nisso? - ele estranhou meu questionamento.
Se soubesse o que estava me pedindo, se ao menos estivesse por dentro de todo o terremoto que foi o meu passado com Michelle.
- Eu li os jornais. - comentou, lendo meu pensamento. - Acho que agora o que importa para os dois é lutar por Vanessa.
- É o que nós faremos, não é Zachary? - Elisa colocou sua mão sobre o meu ombro.
- É. - disse aquilo com toda a força que arranquei de mim.
Ao sairmos da sala, novamente, fiquei a sós com Elisa.
- Eu sei que não gosta de mim. - ela introduziu o assunto. - Nem eu quero invadir a sua privacidade. Não ia me sentir bem com a sua mãe sobre o mesmo teto. Só gostaria que não me privasse de visitá-la.
- Tudo bem. Se é para o bem dela, eu aceito. Mas, gostaria de pedir que fosse no horário em que eu estivesse no trabalho.
- Como preferir. - sorriu e encolheu os ombros.
- Eu quero vê-la, saí de lá tão bruscamente...
- Lembre-se, não force nada! - pediu. - Vou até a casa da minha amiga tomar um banho e comer alguma coisa.
- Certo. - consenti com a cabeça.
Eu estava receoso de voltar a vê-la dessa vez. Não era a Vanessa que estava naquela cama e sim uma mulher que me desconhecia. Isso significava que nossa história tinha sido arrancada do livro da vida bruscamente.
Olhei-a pelo vidro que nos separava. Parecia dormir.
Eu tinha que ter força. Era minha missão agora recomeçar e ensinar a Vanessa me amar outra vez. Será possível conquistar duas vezes a mesma mulher?
Girei a maçaneta e o pequeno barulho do ranger das dobradiças a despertou.
_____________________________________________
Oiiiiiii!!
Só eu que tenho a impressão que no fundo, no fundo mesmo a mãe da Vanessa
não quer que ela se o lembre da vida que teve com o Zac!? Espero que
seja só coisa da minha cabeçinha mesmo!! 
Será que o Zac vai conseguir conquistar a Vanessa de novo??
Será que ela vai aceitar ir pra casa do Zac???
O que será que vai acontecer agora???
Ai quantas dúvidas!!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Enquanto você dormia (Vanessa)

Nuvens brancas. Paz. Sensação de ausência física. Silêncio e calmaria. A alma era apenas um estado de espírito sem ação material nenhuma que a revestisse.
Aos poucos, senti o levantar do meu diafragma e o ar enchendo os pulmões como se eu nascesse outra vez. Minhas pálpebras tremeram e um facho estreito de luz horizontal apareceu, depois, se ampliou e eu abri completamente os olhos.
- Minha filha! Ela acordou! - ouvi uma voz ao meu lado.
Fechei novamente os olhos, sentindo que a luz me irritava as vistas.
- Enfermeira, enfermeira, ela acordou!
Abri as pálpebras com esforço e vi um rosto acima do meu.
- Filha, você pode nos ouvir?
- Posso... - respondi, sentindo a voz sair pela primeira vez baixa e rouca da minha boca.
- É um milagre!
Meus dedos foram apertados por uma mão fria. Estava ainda muito fraca, como se eu fosse um corpo em câmera lenta, movendo-se em slow motion.
- Vanessa... - ouvi uma voz masculina. - Está nos ouvindo bem? Consegue falar?
Olhei-o. Agora conseguia distinguir mais claramente os detalhes da imagem antes embaçada e esfumaçada. Era um homem de jaleco branco e camisa azul por dentro. Tinha o cabelo grisalho caindo na testa. Sorriu.
- Oi... - respondi.
- Estamos felizes de ter você aqui de volta! Sua mãe está ao seu lado.
Virei meu rosto para ela e tomei consciência de sua presença.
- O que faz aqui? - perguntei, franzindo minha testa e sentindo a pele do meu rosto esticar com o movimento.
Ela tinha ido embora de casa. Por que voltara agora?
- Eu vim ficar ao seu lado, minha querida. - sorriu e acariciou o meu cabelo, enquanto sua mão não se soltava da minha.
- Por que eu estou aqui...?
Ela olhou-me por alguns segundos, como quem não entende a pergunta e depois procurou os olhos do doutor do outro lado da cama para pedir ajuda.
- Vanessa, qual a última coisa de que você lembra? - o homem perguntou-me.
- Não sei... - fechei os olhos, aquele esforço me deixava ainda mais cansada.
- Tente pensar em uma imagem, qualquer coisa. - pediu ele.
- Eu estou em casa e meu padrasto saiu para trabalhar como sempre... - respondi, lentamente.
- Claro. - ele aceitou aquelas poucas imagens como respostas. - Não precisa forçar, querida, aos poucos tudo vai voltar à sua mente.
- Mas o que aconteceu comigo para eu estar no hospital? - perguntei, pois queria uma resposta para meu estado.
- Você se lembra do Zachary? - minha mãe tentou ajudar.
- Não... Quem é Zachary? - fiz uma careta. - Por que todo esse suspense?
- Vanessa, você vai ter todas as explicações que quiser, mas só quando estiver mais forte para lidar com as situações. _ o médico me garantiu. - Agora eu vou fazer alguns testes com você e quero que me responda o que sente.
-  ... - não disse nada de volta. Estava terrivelmente confusa, como se minha cabeça fosse uma caixa com cacos de vidros que estivessem sendo chacoalhados.
- Você sente o quê? - perguntou-me.
- Que está fazendo cócegas no meu pé. - respondi com um sorriso. - Apertando o meu dedão... Agora, o dedo mindinho.
- Que maravilha! - ele vibrou em comemoração.
- Consegue levantar o seu braço? - pediu.
- Sim... - levantei-o, mas estava fraca para sustentá-lo no ar por muito tempo.
- Ótimo! - ele sorriu e fez anotações na sua prancheta. - Eu vou falar em particular com a sua mãe e depois ela ficará com você.
Eles se afastaram e eu ainda me senti sonolenta, com a cabeça pesada. Vi de canto de olho ambos conversando do outro lado do vidro que separava o quarto do corredor. Vez por outra, minha mãe olhava para mim e depois para o médico. Por que eles tinham um semblante de gravidade?
Minha mãe fechou a porta do quarto atrás de si sorrindo e puxou um banco para sentar-se ao meu lado.
- Mãe, você voltou?
- Voltei quando soube que você estava assim...
- E o meu padrasto, cadê? Ele sabe que estou aqui?
- Há muitas coisas que aconteceram enquanto você dormia.
- Vocês brigaram outra vez?
- Podemos falar só de você?
- É o que mais quero. Quanto tempo estou dormindo?
- Na prática, três semanas.
- Hum... três semanas. - repeti.
- Em teoria, um ano e meio. - acrescentou ela, meneando a cabeça para o lado.
- Um ano e meio! - senti um estado de pânico.
- Está tudo bem... - ela apertou minha mão com força e a beijou.
Olhei para os meus dedos da mão esquerda e vi uma aliança.
- O que é isso? O que aconteceu nessas três semanas? Eu casei?
- Casou.
- Quê? Como? Eu ainda estou no colégio!
- Não, você já está na faculdade. - ela corrigiu.
- Ai, meu Deus, eu não lembro de nada... - senti vontade de chorar.
- Hei, hei, meu amor, está tudo bem, a mamãe está contigo. - ela me abraçou e eu fiquei com as mãos no ar. Ela tinha voltado depois de tantos anos e eu nem conseguia digerir a situação ainda. Ao mesmo tempo, era a única pessoa de quem lembrava claramente e me sentia segura por isso. Deixei aos poucos minhas mãos repousarem em suas costas. - Você vai lembrar de tudo, mas só aos poucos.
- Então, eu não lembro o que aconteceu de um ano e meio para cá?
- É. - respondeu.
- E o que foi que se passou nesse tempo?
- Você se casou e... está grávida.
- Ãnh? O quê? - quase gritei e senti meu coração acelerar. - Não pode ser!
- Calma, querida, você vai ficar bem!
- Não, não, não posso estar grávida! - olhei para minha barriga e vi uma pequena elevação no lençol. - Nãããããão!
Aquilo não era uma doença que iria passar! Era uma criança dentro de mim e me assustava. Eu me sentia no corpo de outra pessoa, vivendo uma vida que não era minha.
- O seu marido é legal. Já pedi para avisarem que você acordou.
- Eu não quero ver. Eu não quero filho. Eu não...
Ouvimos um bip do aparelho ao meu lado e dois enfermeiros entraram no quarto às pressas.
- O que vocês fizeram comigo?! Por que estão brincando assim? Isso não se faz...
Minha mãe levou a mão à boca para não chorar e se afastou, dando passagem aos homens vestidos de branco. O médico voltou a entrar no quarto, olhou para minha mãe em repreensão e depois se inclinou sobre mim.
- Está tudo bem, querida, tudo bem. Você vai se sentir sonolenta e vai relaxar, ok?
O enfermeiro voltou com uma vasilha de metal prateada e tirou de dentro uma seringa. Injetou-a no fio preso no meu pulso.
Novamente, a sonolência aumentou e eu relaxei. Podia ouvir e sentir tudo ao meu redor, mas meu corpo ficou sem receber ordens do meu cérebro. Respirei profundamente. Fiquei neste estado por uns quinze minutos. Depois, vi minha mãe, mais uma vez, quieta ao meu lado.
Eu não poderia estar grávida ou casada se nem ao menos tinha me apaixonado de verdade por ninguém. Era uma situação completamente ilógica e sem sentido.
Reclamei de dores nas costas e eles me colocaram sentada. Repousei as mãos sobre a cama e tentei não olhar para a minha barriga. Afastei o pensamento de que estivesse carregando uma criança no ventre.
Vi um homem atrás do vidro do quarto chegar. Ele tinha o cabelo raspado e era bem forte. Seus músculos apareciam na camiseta sem mangas. Vestia uma calça jeans preta. Abriu a porta e caminhou na minha direção.
Ele deve ser o meu marido! Seria o tal Zachary de quem minha mãe perguntara? Foi a conclusão mais rápida a que cheguei quando ele me chamou de seu amor.
Aquilo me deixou assustada. Não o conhecia, como poderia querer me beijar! Afastei meu rosto, queria correr de medo.
- Quem é você?
_____________________________________________
Oiiiiiii!!
Isso não pode ta acontecendo... A Nessa perdeu a memória... Mas ainda bem que
ela ta viva neh!? Agora ela só não pode fazer um loucura!!!
Ai tadinho do Zac vai sofrer mais um pouco... Quando isso vai ter
fim hein!?
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Entramos na contagem regressiva para o fim da fic!! Então como eu disse anteriormente 
dessa vez será de um jeito diferente!! Vou deixar no canto superior direito todas as
sinopses ai vocês leem as sinopses e depois votem na preferida de vocês
assim quando está acabar eu marco um dia pra o lançamento da próxima fic
e no dia da estreia eu já posto sinopse e o 1º capítulo!! Okay!?
Então beijos e até qualquer hora...

Não importa a queda, levante-se! (Zachary)

Parei novamente à porta do quarto de Vanessa. Eu voltava ali para buscar uma imagem, um cheiro, uma lembrança boa que servisse de força para resistir. A cama já tinha sido arrumada por minha mãe e, à cabeceira, estavam os três cadernos. Sorri e caminhei até onde estavam. Abri a capa do terceiro que eu não tinha lido ainda e vi um cd. Franzi a testa.
Sentei-me e folhei-o. Era diferente dos outros. Não havia apenas descrições de amor como nos anteriores. Estava repleto de recortes de revista e jornal. Ri e olhei para o alto, balancei a cabeça para os lados.
- “Você me conta toda noite ao jantar como foi seu dia. Mas nunca quis saber o meu em detalhes. Talvez, ache que seja só uma rotina chata de uma menina estudante”.
Vanessa havia colado ao lado das letras escritas com caneta de tinta preta forte uma imagem de uma menina japonesa de saia plissada e meias brancas até o joelho com cara enfadonha sentada ao meio fio.
Ela estava errada, eu sempre quis saber sobre suas coisas. Eu só vivia ocupado demais. Julgava que poderia deixar para depois... ou... Droga! Ela estava certa, eu pensava que seu dia era sempre igual! Por que eu fui tão egoísta?
Deitei-me e apoiei a nuca na mão, flexionei uma das pernas e segurei o caderno em cima da minha barriga. Minha mãe, que passava pelo corredor, espiou para dentro do quarto, perguntou se estava tudo bem. Eu fiz que sim e ela olhou mais um pouco para se certificar de que era verdade. Voltei a olhar as gravuras e os textos escritos por aquela fina caneta preta. Letras compridas e bem desenhadas como nos convites de casamento.
Mas nem um dia para mim é igual, pois a minha rotina é muito diferente do que eu poderia imaginar que seria. De uma hora para outra mudou completamente ao te conhecer. Tudo é novo, é bom, é mágico!
Queria poder confessar-lhe o mesmo agora, para mim também tudo havia se tornado mais proveitoso ao seu lado. Como me fazia uma imensa falta!
Por isso, queria te convidar que fizesse comigo uma viagem pelo meu dia. Mas tem que levar isso a sério!
Ri ao ver a foto que ela tirara dela mesma me encarando de lado e colara na página, fazendo pose de desconfiada. Estava linda. Ela era louca! Incrivelmente louca.
- Aonde você vai? - minha mãe perguntou, quando passei por ela na cozinha.
- Vou dar uma volta. - beijei-lhe a testa.
- Vai ao quartel? - perguntou.
- Não. - respondi e peguei as chaves do carro.
Sentei-me ao volante e abri o caderno.
- “Como eu não saio de casa sem os meus fones, gravei para você algumas músicas que será sua trilha sonora.
Tirei o CD que Vanessa havia colocado dentro de um envelope na contra-capa. Introduzi-o no Player do carro.
- “Eu comecei a ouvir suas músicas e gostei de algumas. Aprendi tantas coisas vasculhando seu mundo de livros, revistas antigas, filmes e Cds. Agora quero te mostrar o meu universo.
- Hum... Norah Jones? - falei alto para mim mesmo. - Boa escolha, garota! - liguei o carro.
 “I waited `til I saw the sun / I don`t know why I didn`t come / I left you by the house of fun / I don`t know why I didn`t come (2x) / When I saw the break of the day / I wished that I could fly away / Instead of kneeling in the sand/ Catching teardrops in my hand / My heart is drenched in wine / But you`ll be on my mind/ Forever / Out across the endless sea / I would die in ecstasy / But I`ll be a bag of bones / Driving down the road alone / My heart is drenched in wine / But you`ll be on my mind / Forever / Something has to make you run / I don`t know why I didn`t come / I feel as empty as a drum / I don`t know why I didn`t come”.
Parei no primeiro sinal de trânsito e coloquei o caderno sobre o volante.
- “Essa música fala sobre por que ela não foi com ele. Não que seja meu caso. Eu te segui e lutei por nosso amor. Mas, a cada vez que eu a ouço, me faz pensar sobre não deixar de fazer nada do que eu desejo. Sente como é gostoso o som do piano? Deixe a música invadir todo o seu corpo”.
Um carro buzinou atrás de mim, pisei no acelerador e guiei para o Centro da Cidade. Vanessa colara em uma das folhas um mapa repleto de setas coloridas com canetinha hidrocor. Elas indicavam o caminho que eu deveria percorrer. Segundo explicara, depois das aulas na faculdade, começou a andar pelo Centro para conhecer os pontos históricos. Alguns eu já conhecia, mas hoje queria estar na pele dela. Isso parecia loucura, uma criancice. Eu apenas gostaria de me afastar por completo daquele clima de tristeza que me perseguia durante as três semanas em que ela estava no hospital.
Eu havia sido liberado do trabalho por completa impossibilidade de me concentrar. Tirei uns dias para me refazer por aconselhamento médico. Eu estava entrando em depressão e a psicóloga me mandou para casa. Por isso, aquele passeio era importante. Fazer coisas diferentes com a companhia de Vanessa me levantaria o astral.
Estacionei o carro e fiz o caminho a pé para poder ver tudo que ela queria que eu visse. Trouxe comigo o caderno de capa vermelha.
- “O Centro do Rio de Janeiro é repleto de livrarias, praticamente em todas as ruas você vê uma delas. São todas bem iluminadas, com televisões, sofás aconchegantes,
cafeterias e uma música ambiente deliciosa. Mas, a que mais me atrai é a “Livraria da Travessa”, refiro-me a que fica na Avenida Rio Branco, porque também existe uma na Travessa do Ouvidor. Ela está em um prédio antigo, feito de pedras cinzas e no segundo andar há diversos quadros grandes em preto e branco maravilhosos! Sente-se aí e tome um café”.
Olhei para o prédio. Realmente... As pedras, a vitrine, a iluminação amarelada, o cheiro, a música de fundo... Tudo ali na minha frente!
Sentei-me e pedi um café como ela indicara.
- “A vida nos permite ser tão felizes e, muitas vezes, nós apenas focamos no que ainda não temos. Já parou para pensar como esperamos um pouco mais para finalmente sermos felizes? Devíamos aproveitar com mais sabor cada instante. Sinta a paz que está agora ao seu redor. Você pode caminhar até aqui porque tem duas pernas, pode olhar para essas pessoas aí embaixo folheando os livros porque pode enxergar. Andar e enxergar é uma dádiva, mas pensamos que faltam ainda os óculos de marca ou o tênis de marca. Os acessórios são vendidos como o tesouro máximo. E trabalhamos e nos matamos para tê-los. A vida segue passando...
Terminei meu café e segui o seu guia.
- “Agora, caminhe por toda a avenida Rio Branco e você verá à sua frente cruzar a magnânima Avenida Presidente Vargas. Para construí-la, foram demolidos os cortiços e casebres antigos que se espremiam nas vielas apertadas que havia aí, nos anos de 1950. Eles abrigavam a zona de meretrício. A sua próxima parada será a Igreja da Candelária. Independente de credos, é impossível não entrar e contemplar a beleza da obra. Uma arquitetura esplêndida que irá te fazer olhar para o teto e ficar de boca aberta.
Olhei para a imagem que ela havia colado no caderno e depois para a fachada da igreja. Entrei. Realmente foi como tinha descrito. Ao ver a suntuosidade da decoração eu fiquei me sentindo muito pequeno. Sentei-me no banco.
-“É incrível como, no coração do Centro do Rio de Janeiro, você pode sentir a paz e a quietude nas dezenas de igrejas. Feche os olhos e fique em contato com Deus. Aproveite este momento único de estar imerso no nada. Sem pensar em futuro, nem passado. Se sinta preenchido pelo clima de quietude e a música do canto gregoriano”.
Deixei minhas pálpebras caírem e a voz dos monges cantando me elevou para um real estado de contemplação do meu interior. Um nó se fez em minha garganta. Imaginei que Vanessa já esteve ali e talvez nunca mais viesse a retornar. Pedi a Deus que isso não acontecesse. Disse-lhe que a queria de volta para mim. As lágrimas escorreram por meu rosto. Eu precisava chorar para desaguar aquele sentimento. Depois, respirei profundamente e me senti mais leve, renovado.
Era hora de continuar o percurso:
- “Continue pela Rio Branco, que cruza a Avenida Presidente Vargas. Veja como as pessoas atravessam as faixas de trânsito como um formigueiro humano. As gigantescas bancas de jornal, repletas de revistas, livros, periódicos internacionais e muitas publicações de mulheres peladas. Essas você não olha!
Ri e balancei a cabeça para os lados. Ela era tão divertida. Saudade de provocá-la pelo puro prazer de ver sua carinha de brava.
- “Você passará por um Mc Donald’s de dois andares que fica na esquina de uma rua. Mas hei, antes dele há mais coisas. Assim como você, eu também sempre andei apressada e não olhei direito pelas pequenas ruelas transversais à avenida. Há o Espaço Cultural dos Correios à sua esquerda, à Rua Visconde de Itaboraí. Já vi aí uma belíssima exposição do grande fotógrafo Cartier Bresson. Mas para falar dele para você, quero que antes você pare na Casa do Pão de Queijo que fica à Rua Sete de Setembro. Te aconselho que peça um cappucino. Mas se o dia estiver quente, peça um suco de abacaxi com hortelã que é divino. A mulher irá te perguntar se é com açúcar ou sem. Lembre-se que quando ela fala com açúcar é realmente com muito açúcar mesmo! Por isso, escolha sem açúcar e depois que ela bater no liquidificador, aí você pede um sache de açúcar para você mesmo dosar o tanto que quer. Depois, sente-se em um daqueles bancos altos que ficam ao lado do balcão de frente para a parede de vidro que dá para a rua. Veja o movimento das pessoas bem arrumadas. Os homens de ternos e as mulheres de meia fina e salto de bico, aqueles de matar barata no canto”.
- Com açúcar? - perguntou-me a mulher.
- Sem, por favor. - disse-lhe sorrindo ao lembrar da indicação de Vanessa.
Sentei-me com seu caderno diante do vidro transparente e bebi meu suco. Muito gostoso mesmo! Queria poder tê-la ali ao meu lado para beijar-lhe os lábios molhados e dizer que era muito melhor o beijo que o suco. Ao passo que diria que eu estava mentindo.
- “Eu ia lhe falar do fotógrafo. Pois bem...
No caderno, havia dezenas de ilustrações impressas das obras do artista.
Certamente, esse tinha sido o fim das tintas para a impressora que eu comprara! Mas valia a pena. Ela escrevera tudo bem detalhadamente no meio de tantos recortes e colagem.
- “Ele veio de uma família pequeno burguesa parisiense e dizia que iria ser pintor. Aos 17 anos, ganhou de presente uma câmera e começou a fotografar na fazenda do tio o cultivo da cana de açúcar. O que lhe inspirou o interesse pela fotografia foi a foto Meninos Negros à Beira do Lago Tanganica (1931), de Martin Munkacsi. O movimento das crianças correndo em direção à água sensibilizou Bresson para o poder da imagem fotográfica. Eu vi um filme sobre ele chamado Ponto de Interrogação, em que aceita fazer um bate-papo sobre as impressões de seu trabalho. Muito tímido, pede para que a luz de um dos refletores seja tirada de cima dele. “A penumbra é muito mais íntima”, explica. Essa intimidade presente entre a penumbra e a luz é tão bem representada nas fotos preto e branco de Bresson, que não fotografava em cor. Por mais que a cor seja uma representação que aparente uma reprodução mais natural, ela tenderia facilmente ao superficial e ao mecânico.
“Tirar uma foto é como reconhecer um evento e naquele exato momento e numa fração de segundo, você organiza as formas que vê para expressar e dar sentido ao evento. É uma questão de pôr o cérebro, o olho e o coração na mesma linha de visão. É uma forma de viver".
Como ela sabia de tudo aquilo? Ela leu? Pesquisou? Viu exposições? Onde estava essa Vanessa que eu subestimara? Eu estava simplesmente estava maravilhado! Não conseguia parar de folhear as páginas coloridas com setas e observações.
- “As fotos de Bresson instigam a imaginação. Seu poder de captar a imagem síntese, que diz por si só, sem precisar de mais legendas, ou explicações, nos leva a profundas reflexões, uma vez que o trabalho geométrico e a sensibilidade com que as cenas são aprisionadas nos remetem a uma introspectividade. Quando vejo as suas mais simples fotos de pessoas de olhar perdido, sentadas em poltronas ou cadeiras, me pergunto; “o que elas pensavam?”, “Quais eram suas preocupações?”, “Quais eram suas dores?”. O fotógrafo conseguia captar um momento em que a pessoa se entregava à suas próprias reflexões e se esquecia da máquina. O resultado disso é uma foto que para mim funciona como um rádio, que me leva a imaginar as vozes mentais dessas pessoas silenciosas.
Esse efeito de ressonância entre a imagem e a experiência de vida de cada um é o que Bresson mais valorizava quando dizia que a fotografia lhe atraia por esse poder de despertar o inconsciente. Pois o importante no retrato não era a expressão, para ele o mais interessante de se captar era justamente o silêncio.
Cartier, que era um a admirador dos cientistas por estes não acreditarem em tudo e estarem sempre renovando suas teorias, dizia que o principal não eram as respostas, mas as perguntas e, certamente, isso fica impresso no seu trabalho. Ao observar uma de suas fotos em que um homem com uma perna só anda de muletas diante da ruína de uma construção, eu encontro uma resposta para o que é isso: uma pessoa que está tão destruída fisicamente como os próprios escombros do seu país. Mas também surgem muitas perguntas para o por quê disso: Por que o homem é capaz de destruir o seu igual?, Por que ele acha que a cor da pele ou a diferença de religião pode formar categorias do bem e do mal? Sucessivamente, as inquietações vão surgindo a partir da imagem daquele aleijado.
Cartier sabia que o visor de sua máquina tinha a capacidade de captar as pessoas nuas, não fisicamente, mas no seu íntimo psíquico e, muito consciente disso, Bresson não gostava de ser fotografado. “Não gosto que façam comigo o que faço com os outros”, explicou. Sobre as imagens que vira em vida: na guerra, na sua estada num campo de concentração alemão por três anos, no cotidiano em meio ao cidadão comum e ou entre as pessoas famosas, Cartier afirmou: “Não posso mudar nada do que vi, mas o que vi me mudou”.
Uau! Eu não tinha ideia de quem era aquele cara, mas pelas palavras de Vanessa pude navegar em seu mundo. Por uns instantes, esqueci de todos os meus problemas! Aquele dia estava sendo incrível e eu não queria parar! Eu não podia mudar a realidade horrível de Vanessa estar ligada à aparelhos, da mulher da minha vida estar praticamente morta, mas tudo que ela estava me fazendo ver certamente me mudava!
- “Se caminhar por toda a rua Sete de Setembro, irá ver mais livrarias, uma grande floricultura ao ar livre e, por fim, duas igrejas antigas lado a lado. Uma delas acabou de ser reestaurada, me refiro a que não tem uma cúpula redonda. Do outro lado da rua, você verá uma estátua grande de Tiradentes, ela fica diante da escadaria do Museu Tiradentes. Ao lado dele, pasme, mais outro museu! Esse agora chamado de Paço Imperial. É ali que a Família Real Portuguesa ficou quando veio para o Brasil.Ele foi construído no século XVIII. Ainda aí na Praça XV, você encontrará o Museu Histórico Nacional e nos seus jardins interno, cheio de antigos canhões vai ser remetido ao Brasil Império. Não deixe de caminhar por cada canto desse museu. Os vestidos ricos em pedras, as jóias, todas as relíquias do Império. Fabuloso! Voltando para a rua mais uma vez... Aos sábados, existe uma feira fantástica de antiguidades mais alguns metros à sua frente. Umas duzentas pessoas estendem suas toalhas no chão ou levantam suas barracas. Há de tudo: relógios, cristais, livros, quadros, roupas, objetos de decoração, perucas, tudo mesmo que possa imaginar. É a coisa mais rica que já vi! Agora, siga pela Primeiro de Março e chegue ao Centro Cultural Banco do Brasil. Foi ali que tivemos aquele encontro doloroso em que me revelou que era Josh e me entregou a rosa.”
Queria que ela estivesse ali, sob a cúpula gigante do CCBB, para eu lhe dar um beijo. Abraçar forte e dizer que não importava nada, pois a amava.
- “Ao lado do CCBB, há a Casa França Brasil, construída em um estilo neo-clássico. Já te levei a museus demais. Mas é que eles ficam um ao lado do outro. Você começa a entrar e sair e não consegue parar. São fantásticos! A televisão fala da violência, dos mortos, das balas, dos tiroteios, dos assaltos. Mas o Rio de Janeiro é belíssimo! É vivo, é culturalmente riquíssimo! Já te mostrei alguns dos museus do Centro. Agora, perto daí, está o suntuoso e magnífico Teatro Municipal, ele foi uma reprodução do Paris Opera House.
Olhei a bela imagem que ela havia colado no caderno e quis ver de perto se era tão lindo quanto mostrava. Segui as setas do mapa e, mais uma vez, me senti minúsculo perante a obra faraônica do Teatro. Agora, eu começava a entender o que os estrangeiros buscam quando vêem ao Rio de Janeiro.
- “Há tantos e tantos lugares que você precisa conhecer. Não há como não parar nas lindas vitrines da mais antiga confeitaria... A tão famosa Confeitaria COLOMBO, que várias novelas de época da Globo já retrataram! Depois, passar pelos Arcos da Lapa e pegar o bondinho para seguir até Santa Teresa com seus bares maravilhosos! Há uma riqueza incrustada em cada rua que foge ao que todo mundo conhece pela televisão. É preciso caminhar e respirar, sentir, tocar, olhar a cultura saindo pelos poros da cidade!
Eu já andei tanto por essas ruas. Descobri cada coisa. Se há dezenas de livrarias, não imagina o que significa a dimensão das bibliotecas. A maior de todas é a Biblioteca Nacional. São andares inteiros de cultura. Você que gosta dos livros antigos, não vai ter vontade de sair de lá! Se pensa que isso é tudo,encontrei um verdadeiro tesouro da cultura no Real Gabinete de Leitura. Levante seus olhos para o alto, perceba a noção do todo, os minúsculos corredores entre as prateleiras. Quando olhei o prédio do lado de fora, não imaginei que ali dentro havia mais de 350 mil títulos. O maior acervo português fora de Portugal."
Era de fato um verdadeiro templo de cultura. Nunca tinha visto aquela cena, parecia irreal tantos livros em um só lugar! Senti como ela havia dito uma vontade de não sair mais de lá! Era tudo tão perto. Um museu ao lado do outro. A cada vez que se atravessava uma rua ou cruzava uma esquina via uma igreja barroca, uma livraria ou algum centro histórico. Voltei para o meu carro renovado, com uma injeção de ânimo, sorrindo até. Já caía a tarde e as luzes acenderam o Rio de uma maneira que nunca havia reparado. O trânsito estava horrível. Folheei sobre o volante, a cada sinal, alguns outros trechos do caderno. O Cd ainda tocava Norah Jones, “Thinking about you”.
- “Veja como há uma vida maravilhosa pulsando! Quando os problemas começarem a acontecer na sua vida e se sentir despencando de um desfiladeiro, pense que não importa a queda, mas que escale tudo outra vez. Levante-se!
Meu celular tocou. Eu sabia que não era certo atendê-lo no trânsito, mas parado no meio daquele engarrafamento não faria mal à ninguém.
- Alô?
- Senhor Efron?
- Sim.
- É do hospital onde sua esposa está internada.
- Como ela está? O que houve?
- Ela acordou.
- ... - eu senti o mundo parar mais uma vez. Eu tinha ouvido aquilo mesmo ou era força do meu pensamento?! Minhas preces tinham sido ouvidas.
- Obrigado por avisar, estou indo para aí.
Desliguei o telefone e quis gritar. Era só alguém no meio do trânsito caótico, em cima do elevado da Perimetral. Olhei à minha direita a Igreja da Ilha Fiscal toda iluminada de luzes verdes, flutuando sobre o oceano negro como a noite. Eu estava sorrindo, feliz como nunca.
Estacionei o carro na rua do hospital. Identifiquei-me na recepção e depois corri pelos corredores com o coração na boca, parei diante da porta do quarto de Vanessa e mal podia me conter. Ela estava de olhos abertos e levemente reclinada no travesseiro. Uma enfermeira verificava seu soro.
Sorri e enchi os pulmões de ar, perdi a voz, era muita emoção de uma só vez:
- Meu amor! - segurei sua mão e me inclinei para beijá-la.
Ela levantou o braço, tocou o meu peito e fez uma careta. Afundou seu rosto no travesseiro e se afastou de mim:
- Quem é você?
_____________________________________________
Helooo!!
Aqui está um super capítulo!!
E que super capítulo hein!?
Só o meu coração que ficou bem pequeninho depois de ler esse capítulo!?
Que fofo a Vanessa propor ao Zac uma viagem ao mundo dela neh!?
OMG!! A Nessa acordoou ♥♥
Oi!? Como assim!? Ela não lembra quem é o Zac!??
Isso nãooo por favooor!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...