sexta-feira, 6 de março de 2015

Juramento de sangue (Zachary)

Vanessa era a flor que nunca tive em casa porque flores precisam ser amadas. Elas murcham sem explicação e necessitam de água em uma precisão saudável. Eu era tudo, menos preparado para ter uma flor. Ela, no entanto, me apareceu como uma encomenda dada por um entregador que não quer muito assunto, estende a mão e oferece o embrulho.
Ela tinha um jeito desde menina de me atear fogo aos olhos quando eu os punha sobre as ondas de seu corpo protuberante, fruta carnuda que balança faceira no pé, prontinha para cair, mas de maldade não cai. E quem terá coragem de enfrentar a altura da árvore para roubá-la? Eu não podia, Vanessa era um anjo e eu não queria ser remetido ao abismo por tê-la feito qualquer mal. Por isso, a coloquei em uma redoma de vidro, afastada das obsessões de meu coração. Talvez, esse tenha sido meu erro: a fiz deusa e a amei com volúpia humana.
De um homem de trinta e poucos não se espera menos que um casamento, um filho, uma casa, um carro. Mas, quando conheci Vanessa, quis virar-me de costas para o futuro, andar em direção ao meu passado e só parar naquele ponto em que não seria pecado amá-la. Quem sabe roubar-lhe um beijo de seus lábios de pitanga e não ter medo de tal ideia. Quem sabe tocar em sua mão e levá-la pela minha. Quem sabe mais nada, devo guardar essas cenas repetidas em alguma parte bem escura dentro de mim.
Ela era Vanessa, com toda ênfase no “ne” quando eu gritava para que largasse o computador e viesse comer. Ou Nessa com maior prolongação no “Ne” quando eu sentia que estava fazendo coisa errada.
A pronúncia certa se encontrava fora do português, como era fora do normal essas esquisitices de minha cabeça de estudá-la com primor de um matemático e não ter o que fazer com as fórmulas. Eu queria a matéria, fora dos planos, palpável, geometria espacial.
Eu dizia-lhe qualquer observação sobre a cor de leite de sua pele e ela não pensava duas vezes em me despertar a surpresa, aparecendo tostada de sol. Só para me irritar, talvez. Eu apenas acompanhava suas transformações no rabo de olho, no canto, na brecha, na fresta imperceptível que abrem os bons observadores.
Eu pedia-lhe para abaixar o som, pois precisava ler.
Mas, me explicava que sua música eletrônica não poderia ser ouvida na altura que eu queria, pois precisava vibrar em seu corpo. Eu corria dela, não querendo mais qualquer detalhe sobre aquilo, pois era no meu corpo que começavam os efeitos da imaginação de suas pernas e braços oscilando no espaço. Que ouvisse como preferisse, eu podia me espichar na rede da varanda e ler ao ar livre. Era muito mais seguro nos mantermos àquela distância.
Mas para entenderem o meu grau de loucura por essa menina, que esperei crescer mulher pacientemente como único público do desabrochar de cada sépala, preciso voltar no dia em que a me deram por confiança.
- Capitão, Capitão! - ouvi a voz desesperada do soldado. Assustei-me. Naqueles últimos dias de calmaria, ouvir um sinal de pânico era preocupante.
- Que houve? - perguntei.
- O sargento Hudgens! Ele levou um tiro.
- O quê? - não acreditei no que estava ouvindo.
Corremos até o pátio e encontrei o sargento ensanguentado no chão. No caminho, o soldado me explicara que fora um acidente que fizera a arma de um dos homens disparar. Algum inexperiente provocara aquela falha e isso me trouxe uma raiva que precisei conter, pois o mais importante agora era salvar aquela vida.
- Capitão, eu tenho uma filha. - disse o sargento, se agarrando a minha mão e me sujando de sangue.
- Eu sei... Calma que...
- Capitão, eu tenho uma filha.
- Chamem um médico, rápido! - ordenei.
- Capitão, a minha filha... - ele repetiu pela terceira vez. Olhei nos seus olhos e vi que não daria tempo do médico chegar. - Ela é a coisa mais importante do mundo. Cuida dela.
- ... - eu não tinha o que falar, só ouvir.
- Eu preciso morrer e saber que você vai cuidar dela, você vai cuidar dela...
- Vou, vou cuidar dela... - prometi o que queria ouvir.
- Tem que ser um juramento, você...
- Eu juro.
E ele se foi. Só deixando em minhas mãos o seu sangue e, em meus lábios, o juramento que mudaria a minha vida. Eu jurei cuidar de sua filha.

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Hiiii my girls!!!
Aqui está o primeiríssimo capítulo da nossa fic!!
Já começou começando né!?
Já amei a fic só de ler como ele descreve tudo e com isso
me faz imaginar cada cena.... Só eu!?
 Essa fic promete sinto isso!!!
Comentem ai!!
Até mais tarde girls!!

3 comentários:

  1. Que lindoooo!!! *---*
    super ansiosa pelo próximo!!
    pelo visto já me apaixonei por essa história.. kk
    capitulo MARAVILHOSO!

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  2. aiii que top...já começou bem como sempre...
    posta looogo bjs

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  3. que perfeito esse primeiro capítulo ♥♥♥
    ficou incrível

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