sexta-feira, 6 de março de 2015

Meninas boazinhas também matam aula (Vanessa)

- Shadow, sai! - empurrei o focinho da minha cadela para o lado antes que ela lavasse o meu rosto com lambidas. - Eu quero dormir mais um pouco... - resmunguei.
Shadow latiu. Fechei os olhos para que percebesse que eu não estava lhe dando atenção. Quem sabe desistisse e me deixasse prolongar meu sono.
- Shadow, para! - gritei já irritada por ter perdido meu sono.
Ela abaixou a cabeça e se encolheu no tapete ao pé da minha cama. Sempre me ganhava com aquela carinha de coitadinha.
- Eu não vou para a escola hoje! E se você me denunciar, não te dou água por uma semana! Nem comida, nem nada!
Resignada, subiu na minha cama e deitou ao meu lado.
- Tudo bem, se quiser ficar aí, fica, então. Mas não pode fazer barulho, eu quero dormir, entendeu?
Shadow me obedeceu. Ela era boazinha.
É por isso que prefiro os cachorros. Eles correm para seus donos quando estes chegam, ficam ao pé, fazendo companhia. São bem bobões. Já os gatos, ao contrário, são mais traiçoeiros, não ficam babando por ninguém, têm sua beleza própria e sabem disso. Há pessoas gatos e cachorros. Eu acho que desde pequena nasci um “cachorro”, com este jeitinho de quem não vive só.
Talvez, por isso, Shadow e eu nos entendêssemos tão bem. Eu a ganhei de meu pai há dois anos e, desde então, somos amigas. Nem gosto de pensar que os cachorros ficam velhos e morrem porque não conseguiria perdê-la, como já perdi tantas coisas em minha vida.
Minha mãe fora embora quando eu tinha dez anos. Só deixou um breve bilhete e duas moedas de um real em cima, acho que para impedir que o papel voasse, mas até hoje, sinto-me como se ela achasse que podia partir que tudo em minha vida se resolveria com aquelas duas moedas de contorno dourado e fundo prata.
Meu pai foi quem mais sofreu, gostava dela. Sorte a minha que continuei a ter o que comer e não fiquei debaixo da ponte. A casa era dele, o que comprávamos era dele, mas minha mãe foi em busca de não sei mais o quê. Seu bilhete explicava que “não dava mais”.
Eu sinto falta de ter uma mãe, não dela especificamente. Porque a sociedade nos pede uma figura materna. A todo momento, entre os coleguinhas, você é perguntado sobre o que sua mãe fez para o jantar, se ela veio à reunião dos pais, ou à festinha...
Hoje já tenho 17 anos, mas tem horas que sinto que tenho bem menos. Vivi muito pouco ou quase nada porque a falta de referenciais sempre deixou-me perdida, andando em uma estrada sem placas. Essa insegurança fez-me quase muda, preferindo sempre os cantos das paredes, o fundo da sala, a multidão para anular-me. Assim, há menos exigências por decisões e posso ficar na minha.
Não tornei-me uma menina ruim por isso. Se tivesse um pai, acho que ele não teria do que reclamar. Mas hoje, não dava para fazer sacrifícios, eu não me sentia bem e mataria aula. Queria só dormir mais e relaxar.
A campainha tocou.
- Ah não! - resmunguei com a voz abafada pelo travesseiro, onde eu enfiara a cara.
Levantei-me e abri a pequena janela da porta da sala. Vi, através dela, um homem fardado de bege e outro atrás de farda camuflada.
- Oi, você é a...
- Vanessa. - respondi. - Se for para falar com o meu pai, ele não está. Ele é do quartel também...
- Eu sei. Eu sou o capitão dele. - respondeu o homem. Era alto, pele bronzeada e tinha um rosto quadrado. Seu nome de guerra indicado na placa era “Zachary”.
- Posso falar com você?
- Pode, já está falando. - respondi.
Minha cadela começou a latir pela entrada lateral da casa, estranhando a visita tanto quanto eu.
- Se importa em abrir a porta?
- Olha, o meu pai não autoriza que eu abra para ninguém quando ele não está.
- ... - Zachary olhou para o homem ao seu lado e depois para mim. Repensou
melhor, mas não disse nada.
- Pode falar. - pedi. - Eu estou ouvindo.

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Ai estou eu de voltaaa!!!
Aqui está o segundo capítulo da nossa fic!!
Olha que bonitinha a Shadow ♥___♥
Iiiih lá vem bomba!!!
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!

4 comentários:

  1. Shadow! O tanto que eu queria ter essa cachorrinha numa história de Zanessa mas sempre que lia algo com a cachorrinha, capítulos depois já não havia nada dela. Gostei dessa comparação de pessoas gatos e cachorros!
    Agora ela vai saber da morte do pai :(
    Posta logo.

    Beijos.

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  2. Aly, uma pergunta, amiga: vc vai publicar NOSSO livro como fic-se achar que merece??Se sim, está autorizada!!!Não esqueça de me comunicar sua decisão-pode ser pelo Face mesmo e de ma passar os comentários...

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  3. aiiii posta mais capitulo hj please!!! aii...o zachary vai dar noticia bombastica no proximo..bjs

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  4. nossa,tadinha da V
    nem quero ser ela quando o Zac der a notícia da morte do pai dela
    amei o capítulo ♥♥♥
    posta mais,kisses

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