sábado, 7 de março de 2015

Insondável coração (Zachary)

Quando a conheci, o que primeiro vi foram seus olhos pela janela da porta, um par de castanho penetrante. Tive medo de que minhas palavras retirassem as colunas que sustentavam sua vida. Mas, Vanessa me pedia que lhe contasse com facilidade o que, para mim, era um suplício.
Estranha essa sensação. Levei anos para aprender a matar, mas não conseguia comunicar a filha de uma pessoa que seu pai morrera por acidente.
- Vanessa, o seu pai...
- O que tem ele? - disse, mas eu não sabia o quanto aquilo poderia melhorar sua compreensão sobre os fatos.
- Ele morreu. - duas palavras foram o máximo que consegui para resumir de uma vez a situação.
- Quê? - seus olhos, a única ponte entre nós, se fecharam e abriram lentamente, como se estivesse acordando, querendo acreditar que era mentira. - Mas, ele saiu daqui não faz muito tempo...
Assim é a vida. Saímos de casa pensando no dinheiro do aluguel, na carne que temos que comprar no açougue, na volta do trabalho, no futebol e, simplesmente, não voltamos.
- Foi um acidente, seu pai levou um tiro de uma arma que...
Ela simplesmente desmaiou.
- Droga! - bati no peito do meu soldado para acordá-lo para a realidade. - Vamos ter que entrar.
- Como? - perguntou.
Olhei para o lado da casa, havia um corredor separado por um portão de ferro.
- Você escala uma montanha, um muro não é tão difícil. Ela pode ter batido a cabeça.
- E o cachorro? O que eu faço com o cachorro? - perguntou.
- Eu é que não tenho o que fazer com um cachorro. Se livra dele e pula o portão. Tem que abrir a porta da sala por dentro. A vida dela é mais importante, deve ter entrado em estado de choque.
O soldado hesitou por um momento.
- Ora, vamos! - bradei.
Ele pulou e ouvi um ganido.
- O que foi isso?
- Eu pisei no cachorro! Acho que matei ele, Capitão!
Mais essa! Só espero que isso não aumentasse a pilha de papéis que iria preencher. Passei pela porta aberta pelo soldado.
Lá estava Vanessa aos meus pés, recurvada e com as mãos tateando o nada.
- Calma, você deve ter tido uma queda de pressão... - falei baixinho. - Vou levar você comigo.
Trouxe-a comigo até o hospital, onde ficou no soro em observação.
Permaneci ao seu lado na maca.
- Eu ouvi um latido de Shadow... Vocês machucaram ela? - balbuciou.
- É, tivemos que pular o muro e ela acabou ferida...
- Quê? - ela levantou a cabeça e seus olhos encheram-se de lágrimas.
- Mas... ela morreu?! Diz que não morreu!
- Vanessa, eu tinha que te tirar de lá. - expliquei.
Ela virou o rosto para o outro lado. Respirei profundamente. Não poderia gritar, mandar fazer flexão, nada, só receber seu desprezo calado. Definitivamente, eu não sabia lidar com garotas.
- E agora? - virou-se abruptamente e perguntou-me.
Era melhor que tivesse prolongado o desprezo. Aquela pergunta era difícil demais.
No enterro, Vanessa pareceu-me mais triste pela cadela perdida que pelo pai ou talvez fosse coisa da minha cabeça. Nunca cheguei a descobrir os mistérios insondáveis do coração de Vanessa.
Ficou parada sozinha na frente do caixão. Eu não consegui deixá-la. Havia jurado que não faria isso.
- E agora? - perguntou-me mais uma vez e olhou para mim, levemente erguendo a cabeça para cima.
- O que posso fazer para te ajudar? - perguntei.
- Não vai embora... - pediu.
Continuamos olhando para frente. Eu não podia levá-la para minha casa, o que iriam pensar?
- Vanessa. - chamei-a pelo nome. - Seu pai, antes de morrer, me fez jurar que cuidaria de você.
- Fez?
- É. Só que eu estou me transferindo, já está tudo pronto e... Como farei isso? Longe?
- Eu não tenho ninguém por mim mais...
- Tem a mim. - disse-lhe. O juramento me perseguia.
- Por que? Vai me levar com você?
- Você disse que não tem ninguém aqui por você. - dei de ombros.
Ela olhou pensativa mais uma vez para frente.
- E o que diremos? Que sou sua irmã?
- Podemos falar que sou seu pai.
- Eu, com 17 e, você, com...?
- 32.
- É... Você teria sido um pai adolescente. - ponderou.
Ela fitou-me longamente.
- Você sabe o que está propondo? - fez uma careta.
- Já está criada mesmo. - sorri de canto de boca.

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Hiiii my girls!!!
Aqui está mais um capítulo da nossa fic!!
Peraaai que eu ainda to tentando entender como é que 
o soldado filho da mãe (pra não dizer outra coisa) me pisa na Shadow e mata ela!!
Esse soldado é o que!? Cego??? Filho da mãe!!!!!!
#Revoltada
Sem mais comentários a morte da Shadow acabou comigo agora!!!
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários...
Até mais tarde girls!!

3 comentários:

  1. Pobre Shadow :( Se pudesse matava esse soldado idiota!
    Posta logo.

    Beijos.

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  2. A Shadow não merecia uma morte dessa
    Adorei o capítulo

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  3. tadinha da Shadow :(
    se alguém fizesse isso com minha cachorrinha,mesmo esse alguém sendo Zac Efron,estaria ferrado comigo,kkk
    amei o cap ♥♥

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