terça-feira, 17 de março de 2015

Eclipse de mulher (Zachary)

Eu estava revisando um texto que precisava enviar por email, quando Vanessa entrou no escritório. Fingi que não percebi sua presença. Se desse corda para ela, não conseguiria me concentrar no meu trabalho.
- Zac?
- Hum. - continuei digitando no teclado, com os olhos bem fixos no monitor.
- Eu já vim aqui quatro vezes e você estava ocupado. - reclamou. - É que eu preciso mesmo falar contigo.
- Nessa, agora não.
Ouvi o ar saindo das suas narinas com a força de quem se irrita.
Pronto. Conseguira o que queria, quebrar o meu raciocínio. Eu estava perdendo a cabeça. Bati com as duas palmas das mãos e as uni, entrelaçando os dedos. Encostei minha testa nelas e respirei profundamente, buscando aquele restinho de calma.
- Você pode me dar um minuto do seu tempo precioso? - pôs as mãos na cintura.
- Eu tenho escolha?
- Ótimo.
- Você trabalha muito. - comentou.
Percebem, leitores, como ela gosta desse joguinho? Não vai direto ao assunto, se deleita em, antes, testar minha resistência e os limites do meu auto-controle.
Vanessa não é aquele anjinho deitado em nuvens que eu imaginava. Eu é que queria enxergá-la assim. Aquela menina, na verdade, era uma criaturinha atentada e muito esperta. Porque é preciso ser inteligente para se passar por ingênua. Já não duvidava, Vanessa era mais mulher que menina, só o corpo me enganava.
- Em que posso ajudá-la, senhorita? - perguntei, com um tom de voz polido e formal.
- Queria a sua instrução, senhor capitão! - ela pôs a mão direita na cabeça, caricaturando a cena. - Eu tenho que bater continência antes?
- Bom, bater... você bate ovo, bate a porta, bate com o carro, bate bolo, bate no bife. Agora para mim, você “Pres-ta” continência.
- ...Que nada, eu sou especial.
Estão vendo, né? Olha só o que eu estava falando sobre seu charme! Estão de olhos bem abertos para esse ser terrível?!
- ...Mas, se prefere pres-tar continência, ok. Eu preeesto... - alongou o “e” para ironizar minha fala. -... continência para você.
- Nessa, já acabou seu um minuto.
- Eu disse que era um minuto, mas um minuto vezes dez.
- Ah, sim, acho que deixou de fora esse outro fator da conta. Você me dizia que queria minha instrução, posso saber para quê?
- Para acampar.
- Acampar? Você? Mas logo você, que mata todas as formigas da pia com uma cara de Freddy Kruger? Nessa, onde está pensando em acampar? Porque se for no meio da praça de alimentação de um shopping, tudo bem eu...
- Zachary! Me leva à sério uma vez na vida?! Eu digo acampar com barraquinha e tudo, no meio do mato, com passarinhos cantando, água do riacho para tomar banho. Preciso de contato com a natureza.
- Você e mais quem precisa de “contato com a natureza”?
Eu já sentia de longe o cheiro de fumaça. Aquilo não brotaria sozinho da sua cabeça. Tinha a participação de seus amigos.
- A turma lá da escola se juntou e pensou em acampar. Só que assim... muitos pais estão encrencando, então, eu falei que ia ver se...
- Deixa eu adivinhar? Se eu iria para fazer a segurança, melhor, a instrução?
- Zac, você não é burro não, hein?! - riu. - Mas eu não disse que você é experiente em acampamento.
- Caramba, e a que devo essa honra?
- Zachary, você quer ou não quer?
Ela estava pintando o passeio como o mais imperdível do ano, aquele que mudaria a minha vida, quase um “Caminho São Tiago de Compostela”, que me faria encontrar o meu eu interior.
- Nessa, eu acabei de voltar de um campo de instrução...
- Zac, é diferente, completamente diferente!
- Havia mato, barraca, passarinhos e riacho. - contei-lhe.
- Mas era trabalho, não era diversão. - corrigiu.
- Nessa o que você quer de mim?
- Já disse! Que vá comigo. Anda, por favor... - inclinou a cabeça para o lado e suas pernas ficaram oscilando no ar, como pêndulos.
- Quando isso? - perguntei.
- No próximo feriadão. Quinta é feriado, aí emenda com sexta e...
- Não posso.
- Por que não, Zac? Você nem pensou com carinho.
- Nessa, eu tenho coisas a resolver.
- Coisas, que coisas? - irritou-se. - Ok, só para você ficar mais tranquilo, a gente pensou em ir sexta de manhã e voltar domingo bem cedo. Tá bom assim para você? Dá tempo para resolver suas coisas?
- ... - não respondi.
A alça da blusa preta de Vanessa escorregou do seu ombro e a luz que entrava pela janela reluziu sobre o contorno do seu corpo, fazendo sua pele cintilar. Um eclipse de mulher.
Os fios caídos no seu rosto e seus olhos de mel emolduravam o mais belo quadro produzido pela natureza, sem qualquer interferência artificial humana.
Os braços pequenos, finos e frágeis comprimiam os seus seios e terminavam em duas mãos de finos dedos compridos, que se agarravam à beirada da mesa.
Eu não queria atendê-la por isso, porque não teria outra coisa a pensar no resto do dia, a não ser em sua beleza viva, brilhante, como a maçã madura que estala no dente na primeira mordida e deixa escorrer, no canto da boca, seu caldo doce.
- Se você precisa tanto de mim, eu vou.
- Ai, Zachary! - ela gritou o meu nome e esticou os braços para puxar o meu rosto. - É por isso que eu te amo! - beijou minha testa e pulou por todo o escritório. - Oba!
Eu balancei a cabeça para os lados e vi que ela beijou o cachorro também.
(...)
Quando abriu para mim, não disse qualquer palavra. Beijei-lhe a boca e bati a porta atrás de mim. Caminhamos juntos, eu avançando e ela dando passos atrás. Livrei-me da camisa e derrubei-a sobre o sofá.
- Nessa, eu sou louco por você... - beijei o pescoço, senti-lhe o lóbulo da orelha.
Meu corpo era uma descarga elétrica que precisava encontrar o solo e neutralizar-se.
- Nunca te vi tão vivo assim... - Sami comentou minutos depois e acendeu um cigarro.
Ofereceu-me.
Traguei e devolvi-lhe.
- Quem é Nessa? - perguntou.
- Desculpe... - passei a mão na testa. - Acho que estou adoecendo da cabeça de novo...
- Zachary, eu em outros tempos não me importaria que me chamasse com outro nome. Acharia divertido, mas...
- Desculpe, desculpe... - levantei-me e peguei minha camisa. - Eu fui um idiota. Eu sei!
- Zachary, eu estou apaixonada por você.
- Quê?
- Não é difícil se apaixonar por você. - explicou-se. -Você é bonito, você é... - ela levantou-se e fez carinho no meu peito. - ... É sexy e...
- Não, não pode. - tirei suas mãos de cima de mim.
- Por que não?
- Porque eu... - parei. Não era certo dizer-lhe que amava agora Vanessa. - Eu não te amo, tenho um carinho por você, mas... Amar, amar, não amo.
- Não estou pedindo isso, Zachary. Só disse que estou gostando de você.
- Sami, desculpe, mais uma vez desculpe, mas eu sempre deixei claro...
- Eu sei, você sempre deixou claro que era só curtição. Eu sei, eu tenho consciência disso...
- Lamento, mas desse jeito não podemos seguir porque eu não quero te magoar.
- Não quer ao menos tentar...?
- Não quero. - respondi, antes que terminasse. - Não posso.
- ... - ela sentou-se no sofá e continuou fumando seu cigarro. - Pode ir, então. Deve estar atrasado para o jantar.
- Desculpe. - pedi, antes de abrir a porta.
(...)
Ao chegar em casa, Vanessa recebeu-me com euforia. Tinha impresso os mapas de onde seria o acampamento, verificou a previsão do tempo e queria mostrar-me tudo.
- Nessa, não estou com cabeça para isso... - afastei-a da minha frente.
- Zac, está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - ela veio atrás de mim no corredor.
- Aconteceu, Vanessa! - virei-me para ela e segurei com força os seus braços. - Aconteceu o que não podia acontecer. Aconteceu que...
- Zachary, você está me machucando.
- Nessa, faz um favor e não contesta. Me deixa sozinho, sai daqui. Eu não estou bem.
Soltei-a.
- Você vai sair de novo? - ela perguntou-me, vendo que eu calçava o tênis.
- Vou. - respondi.
Corri por horas até que meu corpo, encharcado de suor, não suportou a carga e eu sentei no meio fio. Apoiei a cabeça nas mãos. Era hora de voltar para casa.
Abri a porta da sala e lá estava Vanessa adormecida no sofá, deitada de bruços. Recolhi o livro aberto no chão e contemplei-a. Os seios comprimidos pelo peso do corpo, os cílios compridos repousando em seus olhos fechados.
Pus-me a conversar mentalmente comigo mesmo.
Chega de tentar dissimular, enganar, mentir, matar o que não dá mais para ocultar. Eu tento disfarçar e sufocar, mas o meu coração foi meu traidor e se deu, sem tentar conter. Eu não posso mais continuar a temer, sofrer, se o que procurei em outras encontrei em você. Eu quero mais é sentir, chorar e desvirginar o nosso amor.
Eu sou um homem sofrendo, adorando, feito louco e criança, te desejando inteira. Eu sei que está nascendo, rasgando, brotando em você também. Posso te sentir em suas palavras se derramando, não adianta mais fugir de mim, porque você me deseja. Eu vejo no teu olhar fortuito, quando passo, me adorando, querendo, pedindo. Me puxa, me tenha, me possua, porque eu já não quero mais te ver assim, brincando com meu coração.
Eu posso me abrir, me dar, oferecer à outra, mas eu termino voltando para esse suplício. Já pedi, roguei, implorei para que meu sacrifício ficasse oculto, mas não contenho a minha própria alma. Ela pulsa, se atira e te quer. Ponha meu coração sob o sol e o ilumine com um simples sinal. Permita-me com um único gesto ou olhar e eu me dou inteiro a você.
Chega de lembrar, viver o que se passou e não volta mais. Eu me perdi e quero reencontrar o jovem impulsivo e disposto a lutar, brigar e disputar para te ter. Desculpe se te procuro em outra, o mal também mora em mim e me domina, confunde, machuca e eu faço o que não devo para te esquecer. Me salva, me tira desse naufrágio de anos, porque eu não posso mais me suprimir. Vou ficar, não vou partir, pode rir, fugir, que eu não vou desistir de te amar.
____________________________________________
Olá girls :D
Antes de tudo: Rafa eu não sei quando eles darão o primeiro beijo pq estou lendo a fic
toda agora com vocês enquanto transcrevo pra Zanessa!! mas estou torcendo
pra que chegue logo!!! ;)
A Vanessa sempre consegue o que quer neh!?
Ta só eu tive a ilusão de o Zac ter beijado a Vanessa e descobrir 
que na verdade ele já tinha ido atrás da Sami??
Gostei do fora :D :D
E essa super declaração ai??? Ai Deus ele precisa dizer
tudo isso pra Vanessa!! Esse cap é tããão <3 quem concorda!?
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!

3 comentários:

  1. nossa,na hora que vi que era a Sami e não a Nessa fiquei tipo "não acredito,que ódio"
    meu deus,quase chorei com a essa declaração do Zac,agora só falta ele colocar tudo pra fora
    ansiosa pelo primeiro beijo deles *-*
    amei o capítulo ♥♥♥
    posta mais,kisses

    ResponderExcluir
  2. MEU DEUS,NECESSITO DO PRÓXIMO CAP

    ResponderExcluir
  3. Ainda bem que não cai nessa!
    Eu sabia que o Zac não iria logo ter com a Vanessa. Tinha ideia que pudesse ser a Sami e, infelizmente, foi isso que aconteceu quando continuei lendo.
    Posta logo.

    Beijos.

    ResponderExcluir