terça-feira, 10 de março de 2015

Entre cordas invisíveis (Zachary)

Olhei através da janela do escritório a noite quieta lá fora. Mãos no bolso e cabeça no vidro. Tantas lembranças de um passado morto ainda teimavam reviver na minha mente. O tempo não apaga, apenas guarda o que não queremos que seja presente.
Meu coração adormeceu por tantos anos em uma era glacial que se findou ao encontrar Vanessa. O calor desse sentimento novo derreteu a dureza da alma cristalizada. Novamente voltou a germinar a vida dentro de mim.
Fechei os olhos e senti medo da força motriz daquele amor. Eu não podia amar essa garota. Meu corpo, porém, não continha minha alma, que se precipitava à frente para segui-la.
Meu amigo Miles perguntou-me no churrasco onde eu queria chegar com aquele romance impossível. Não tive resposta exata para lhe dar, mas disse-lhe que já a algumas noites não preciso de remédios para dormir. Miles dimensionou aí as proporções do meu amor por essa criatura de olhos de mel.
Meu amigo fez-me ver que eu estava em uma corda bamba entre dois arranha céus, qualquer queda seria fatal.
Queria poder fazer o meu coração parar de pulsar tão forte quando estivesse perto de mim. Mas, eu não tinha como abandoná-la agora. Vanessa precisava de mim.
Minha única saída era tentar enganar-me.
Foi assim que, hoje, reencontrei Sami, uma antiga amiga de quando eu viera pela primeira vez para essa cidade.
Nos conhecemos em um bar, dali fomos para cama e nunca passamos disso. Minha relação com ela sempre ficara extra corpo.
Sami me amou algumas dezenas de reais e eu contentava-me com isso, com alguém que não precisasse demandar nada além de umas notas.
Encontrei-a trabalhando no mesmo bar, nessa tarde. Quando me viu, deu um gritinho e um beijo rápido estalido na bochecha, sem rodeios, sem cerimônias.
- Meu Deus, como você está bem! - sentou-se à mesa comigo.
Conversamos no tempo de duas rodadas e fomos para seu apartamento na rua de trás. Matamos a saudade e ela ficou com todo o dinheiro do fim de semana que eu havia sacado do caixa eletrônico.
Depois do prazer saciado, Sami ficou roendo o esmalte vermelho de sua unha e eu sentei-me em uma cadeira próximo à janela.
- Você continua o mesmo de quando te conheci! É só acabar para correr para a janela e ficar calado. Quem dessa vez é a dona da sua tristeza?
- Ninguém. - respondi-lhe.
Ela disse “dessa vez” porque Sami conhecera-me quando eu acabara um namoro de quatro anos.
- Então, vem para cá, gostosão. - bateu no colchão e sorriu com sua boca carnuda. Mostrou-me provocativa suas pernas morenas para fora do lençol.
Levantei-me da cadeira e voltei para a cama. Ela sabia fazer bem o que se propunha, mas não deixava-me nenhum elo de ligação. Ao contrário de Vanessa, que parecia unida a mim por cordas invisíveis.
Meu corpo naquela noite estava calmo e bem servido por Sami, mas minha alma debatia-se inquieta com a ideia de querer Vanessa.
Olhei para o meu violão e sentei no sofá para tocá-lo. Meu coração se expressava melhor através das notas musicais.
Folheei minha pasta com as cifras que eu imprimira da Internet.
Afinei o instrumento e comecei a tocar:
- I can`t believe this moment`s come / It`s so incredible that we`re alone
/ There`s so much to be said and done / It`s impossible not to be overcome/ Will you forgive me if I feel this way/ Cuz we`ve just met - tell me that`s OK/ So take this feeling`n make it grow/ Never let it - never let it go(Don`t let go of the things you believe in)/ You give me something that I can believe in / (Don`t let go of this moment in time)/ Go of this moment in time / (Don`t let go of things that you`re feeling)/ I can`t explain the things that I`m feeling…
Vanessa deu uma leve batidinha na porta para chamar a minha atenção e eu parei de tocar.
- Posso entrar? - perguntou.
- Claro, entra. - respondi.
Ela sorriu. Estava com o cabelo molhado, cheirando a xampu de frutas. Caminhou na minha direção e, chegando bem perto, inclinou-se para pegar a pasta que estava do meu lado esquerdo. Seu cabelo levemente roçou as minhas bochechas e eu pude ver o seu seio por um reflexo de segundos no decote do seu vestido verde, ou talvez tenha sido a força do meu pensamento. Depois de provocar aquela abrupta erupção no centro do meu corpo, ela deixou-se jogar no sofá, sentada sobre uma das pernas. Eu ainda abraçado ao violão, observei-a.
- Continue, não quis atrapalhar… - pediu. - Ah! A cifra, desculpe! Você estava tocando essa aqui... Você é fã do Bryan Adams, hein?! - fez um beicinho e o engoliu para dentro da boca com uma breve mordida. - Anda, Zachary! - empurrou meu braço.
Eu olhei para frente, sorri e balancei a cabeça para os lados, voltei à cifra.
- No, I won`t let go now would you mind if I bared my soul/If I came right out and said you`re beautiful/ Cuz there`s something here I can`t explain/I feel I`m diving into driving rain/ You get my senses running wild/I can `t resist your sweet, sweet smile/So take this feeling `n make it grow/Never let it - never let it go/ I`ve been waiting all my life/To make this moment feel so right/ The feel of you just fills the night/So c`mon -just hold on tight.
- Não conhecia essa. - encostou a cabeça em uma das mãos. Seu braço estava apoiado no encosto do sofá e seu rosto muito perto do meu.
- Eu posso te ensinar essas, tem outras também...
- Eu sei que vou aprender muitas coisas com você. - disse-me. - Mas, você vai fazer comigo o que faz com seus alunos?
- Como assim...?
- Pro chão! - gritou e imitou minha voz, com caretas. - Agora, flexão, vamos lá... - ordenou para uma pessoa imaginária a nossa frente. - Mais rápido, com uma mão só!
- Pior! - deixei o violão no chão, apoiado no pé de ferro. - Eu vou usar métodos de tortura.
- É?!
- É. - peguei seus punhos e os segurei. - Cada vez que você não acertar... Eu vou te amarrar e... - fiz cócegas em sua barriga e ela riu até perder a voz e jogou a cabeça para trás. Meu corpo se precipitou sobre o dela.
- Para, Zachary... Por favor...
Eu parei e nossas respirações estavam ofegantes. Nossos olhos seguiam as pupilas um do outro. A veia do seu pescoço pulsava, indicando que seu coração estava tão disparado quanto o meu.
Na medida em que ela se levantou, eu lentamente me afastei para trás. Vanessa tirou o cabelo que estava em sua boca e deu uma leve tossidinha.
- Você disse que queria falar comigo sobre o colégio.
- É. Eu conheço um ótimo colégio aqui. Pensei em pedirmos sua transferência para lá. É o ano do seu vestibular...
- Zachary... eu não tenho...
- Eu vou pagar, enquanto não desenrolarmos o dinheiro do seguro de vida a que tem direito.
- Não quero que se sacrifique...
- Nessa. - toquei nos seus lábios. - Eu quero te ajudar, ok?
Ela engoliu em seco.
- Então, o que vai querer fazer na faculdade?
- Eu? Não sei! - riu e franziu a testa. - Eu tenho que saber agora?
- Tem porque precisará dirigir seus estudos para as provas específicas e não específicas.
- Hum. Mas eu não sei, Zachary...
- Olha, tenta pensar nas matérias que você tem mais afinidades. Só que tem que focar no futuro também, o que vai te dar dinheiro, independência...
Aquela ideia de liberdade que estava passando me fez parar para pensar na possibilidade dela bater asas e voar para longe um dia. Eu estava dando a chave da sua libertação de mim.
- É estranho porque ninguém me perguntou isso a vida toda.
- Eu entendo. - sorri. - Já reparou que, quando somos crianças, nos perguntam “O que você quer ser quando crescer?”. O verbo usado é “ser”, como se a criança não “fosse” algo de fato. A criança nada mais é que a narração dos seus pais. Só quando cresce que se torna a dona da própria história.
- Pareceu um psicólogo agora falando assim. - comentou.
- Há muitas coisas que você “deveria” ser... mas você vai descobrir aquela que “quer” ser.
Coloquei minha mão sobre a sua e seu polegar roçou os meus dedos. Olhamo-nos.

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Olaa pessoal!!!
Começou muito bem a narrativa desse capítulo neh!?
Mas ai entrou essa parte da Sami e já não gostei :(
Será que eles vão se beijar hein!?
Comentem ai!!
Para quem quiser ouvir a música que o Zac tava tocando é só clicar aqui.
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!


4 comentários:

  1. aaaa que cruel!! como você faz isso comigo ?! maldade kk
    também não gostei da parte da Sami, mais a vanessa tem que demonstrar alguma coisa, só o Zachary demonstra..
    será que ela gosta dele também?!
    super ansiosa!
    posta logo!!!!

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  2. aiw que lindos *-*
    sério,essa fic tá muito fofa
    tomara que eles se beijem,hehe
    e essa Sami hein?!aff,tinha que aparecer
    amei o capítulo ♡♡♡
    posta mais,kisses

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  3. Meu deus,essa Sami só vem pra acabar com a história,por favor,por favor,que eles se beijem!!

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  4. Agora é que eu vi que comentei o capítulo anterior e queria comentar esse, enfim...
    É a primeira vez que vejo a Sami numa fic.
    A Vanessa e o Zac vão se beijar já?! Fico esperando.
    Posta logo.

    Beijos.

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