sexta-feira, 20 de março de 2015

Eu posso tentar (Vanessa)

Olhei para Zac em desespero. Eu estava sendo sufocada por aquele homem que surgira atrás de mim enquanto eu conversava com Ashley.
- Isso é um assalto! - ele anunciou.
Todos saíram de suas barracas para verem o que estava acontecendo.
Meus amigos ficaram atônitos e em pânico. Porém, vi nos olhos de Zac que estava sob controle. Ele analisava os gestos do bandido. Tinha certeza que seu cérebro engendrava uma maneira de me tirar daquela emboscada.
- O que você quer em troca dela? - Zac perguntou, com as mãos levantadas para o alto.
- Rui! - ele berrou e tirou a arma da minha cabeça para fazer um gesto, chamando seu comparsa. - Pega tudo o que esses mauricinhos têm!
- Ok, pessoal. Fiquem calmos! - Zac disse, sem abaixar as mãos. - Façam o que ele disse, entrem na barraca de vocês e tirem tudo de valor. Não reajam! - coordenou a ação.
- Estão ouvindo o papai aí? - o homem ironizou.
Eu não podia ver seu rosto, mas pelo corpo magro e a voz pouco grave, me parecia jovem, cerca de 25 anos.
- Eu vou pegar o dinheiro que trouxe na minha bolsa. - Zac anunciou.
Suspeitei que estivesse planejando alguma coisa com aquela armadilha. Seu dinheiro ficava sempre no carro em um compartimento falso. Zac não o levara para dentro da barraca.
- Peça para o seu amigo me acompanhar. Depois, você me devolve a garota. - ele negociou.
- Essa aqui você quer? - o bandido apertou o meu seio e eu quis gritar de raiva e nojo.
Zac engoliu em seco, sua veia da testa estava pulsando de tensão.
- Rui, fica de olho nesse cara aí. - o homem ordenou.
O garoto baixo e vestido de camisa de time de futebol largou a mochila de Ashley e entrou na barraca com Zac. Ele segurava um canivete e parecia um pouco apreensivo. Aquela deveria ser sua iniciação no crime.
Ouvimos alguns gemidos de dentro da barraca. Alguém lá dentro estava apanhando. Senti um frio na barriga. Comecei a chorar. Era torturante ouvir os gemidos. As meninas se abraçaram.
- Tá com pena do seu amiguinho? - ele lambeu minha orelha e eu senti asco.
- Solte ela! - Zac saiu de dentro da barraca com um revólver apontado para a cabeça do bandido que me sufocava.
Então, era Zac que tinha batido no bandido?! Hei, ele não me contara que havia trazido o revólver! Por que Zac achara que iria precisar da sua arma no acampamento? Seja lá qual fosse a explicação, estava certo!
- Rui! - o homem gritou e o companheiro não respondeu. - O que você fez com ele?
- Solte a garota ou farei bem pior com você. - Zac manteve o braço esticado em nossa direção.
- Zac, ele vai me matar, abaixa a arma por favor. - pedi.
- É, seu babaca! - Philipe, o irmão da Laura, gritou. - Ele também está armado.
- Solte a garota. - Zac mandou mais uma vez com voz imperativa.
O homem soltou-me e eu cai de joelhos no chão com seu empurrão. Minhas mãos ficaram raladas com as pedras. Tossi, ainda sufocada.
Olhei para cima. Agora era um apontando o revólver para o outro. Corri para perto dos meus amigos e Ashley me abraçou. Laura não parava de chorar, em uma crise de nervos.
- Onde o idiota do seu amigo que chegar? - Philipe virou-se contra Zac e acabou incitando meus amigos a se rebelarem. Mas nenhum deles tinha coragem de pronunciar qualquer palavra ou dar um passo.
Zac e o bandido ficaram assim por cerca de trinta segundos. O silêncio da noite só era rompido pelo soluço de algumas garotas. Zac surpreendeu-nos, quando girou o seu corpo, levantou a perna e com um golpe acertou o rosto do bandido, que foi ao chão. A arma caiu e foi para longe.
Demos um grito de susto e mais um passo atrás, com medo de alguma bala perdida. O bandido balançou a cabeça para os lados, tonto. Zac pegou a arma dele e colocou na cintura.
- Mãos na cabeça. Agora! - gritou e continuou impondo a arma.
- Merda. - o homem pôs as mãos na nuca.
Meu coração pulou de alegria e agora eu estava chorado de felicidade. Levei minhas mãos trêmulas à boca. Como Zac tinha feito aquilo? Ele dominara a situação!
Neste instante, o outro bandido mais novo saiu de dentro da barraca cambaleante. Tinha o rosto inchado e o nariz sangrando.
- Para lá, senta aí com seu amiguinho. - Zac apontou com o revólver. - Quem tem um telefone de câmera? - Zac olhou para nós.
Ashley deu um passo a frente.
- Tire uma foto de cada um. - Zac ordenou.
Minha amiga, mesmo tremendo, tentou seguir as ordens de Zac.
- Olhem para lá e digam "x" - Zac puxou o cabelo de um deles e levantou o seu rosto.
- Preciso de quatro cadarços grandes. Rápido. - Zac pediu e os meninos começaram a desamarrar seus tênis.
- Você escolheu o acampamento errado. - Zac continuou segurando o bandido pelo cabelo. - E você mexeu com a minha mulher!
O homem fez uma careta de dor, sua boca sangrava e ele perdera o controle da situação. Chris aproximou-se com os cadarços.
- Agora amarra as mãos deles. - pediu à Chris.
Zac verificou se os nós estava bem apertados.
- Venham comigo, agora! - mandou e os bandidos seguiram-no.
Zac colocou-os na caminhonete e, com ajuda de Chris, amarrou os pés dos bandidos.
- Aonde você vai?! - perguntei a Zac.
- Terminar esse serviço. - respondeu-me e beijou minha testa.
- Você vai matá-los? - Ashley perguntou.
- Eu bem que gostaria, mas não é esse o meu trabalho. - Zac abriu a porta do carro e percebi que colocou a mão no lado esquerdo, abaixo das suas costelas. Estava sangrando. - Eu não vou demorar. -ele ligou o carro.
Ficamos atônitos em volta da fogueira, ainda sob o efeito daquele recente perigo. Podíamos estar mortos, feridos e sem nenhum objeto de valor. Ninguém conseguiu dormir ou parar de falar no assunto. Cada um recontou a parte que mais lhe chamara a atenção. Seguimos assim madrugada à dentro até Zac voltar.
- Ele deu um de fortão, mas foi sorte! Porque podia ter matado a Nessa. O cara estava armado. Qual é a dele, quer ser super herói?! - Philipe era o único do contra.
- E o que você faria se a arma estivesse apontada para sua irmã? - Zac apareceu atrás de Philipe e colocou a arma na sua cabeça.
Respirei fundo. Que bom que ele voltara!
- Ouuuouuuou, cara! Não brinque com isso! - Philipe assustou-se.
- Eu não estou brincando! Ou você acha que eu estava brincando? - Zac perguntou.
- Eu só disse que você se arriscou. - Philipe manteve sua opinião.
- É?! E como você enfrenta o perigo sem riscos?! - Zac ficou na sua frente.
- Você podia ter matado a Nessa.
- O que você faz da vida, grande gênio? Sai com a turma com o dinheiro dos seus pais, com o carro dos seus pais...
- Quem você pensa que é? - Philipe empurrou Zac.
- Gente, vamos parar?! - Chris pediu.
- Sabe quantos tiros se dá com uma arma de brinquedo?! - Zac perguntou. - A minha era de verdade, mas a do bandido não.
Philipe franziu a testa.
- Aquela arma era de brinquedo? Como você sabia?
- Esse é o meu trabalho! - Zac colocou sua arma na cintura.
- Então, por isso... - Philipe levantou-se.
- Sabe qual é a diferença entre nós dois, play? - Zac encostou com força o dedo no peito de Carlinhos e esse se desequilibrou para trás. - Eu não ponho em risco a mulher que eu amo.
Senti os olhos de todos se voltarem para mim e meu coração acelerou.
Zac respirou fundo e usou agora uma voz amigável para mostrar sua fragilidade:
- Preciso de água para limpar o que aquele bandido de merda fez em mim. - Zac tinha um corte superficial no braço.
As meninas se apressaram para ver quem lhe dava primeiro a sua garrafa de água.
Eu ainda estava sem ação. Ele me salvara, dera uma lição de moral em Philipe e... Não tenho palavras.
- Podem dormir que a emoção acabou por hoje. Amanhã cedo vamos partir, estou cheio desse parquinho de vocês. - Zac ordenou e afastou-se do grupo.
Ele entrou na nossa barraca e eu o segui.
- Você é forte o suficiente para fazer tudo sozinho ou precisa de mim? - sentei-me à sua frente.
Zac deu-me a bolsa com os curativos e deitou-se no colchonete. Passou a mão na cabeça, aliviando as tensões.
- Você poderia tirar isso da cintura? - pedi.
- Está travada. - ele puxou o revólver e o colocou ao lado do colchão. - Eu fiquei maluco quando vi aquele cara com as mãos em você. - disse-me e riu de nervosismo.
- Deu para perceber. - limpei seu ferimento. - Acho que você vai até ganhar um fã clube, virou o herói por aqui. Não ouviu os suspiros?
- Eu senti um ciúme no ar? - ele tocou na ponta dos fios do meu cabelo.
- ... - sorri e não lhe respondi.
Enquanto eu fazia o curativo, Zac me olhava. A luz do lampião iluminava seu rosto com um brilho amarelado. Eu agradeci em silêncio a Deus por estar salvo.
Tive tanto medo de perdê-lo. Ele era a coisa mais importante agora na minha vida.
As cenas não me saíam da cabeça. Parece que eu podia ouvi-lo mandar o homem me soltar. A sua voz ainda ressoava aqui dentro: "Você mexeu com a minha mulher", "Sabe qual é a diferença entre nós dois, play? Eu não ponho em risco a mulher que eu amo. Eu dou a minha vida por ela."
Contou-me que entregou os bandidos à polícia e descobriu que por ali era comum haver assalto a turistas. Nem sei o que seria de nós sem Zac.
Acabei de fazer o curativo e ele se sentou. Ficamos com o rosto muito perto um do outro.
- Eu tive muito medo. - disse-lhe.
- Não mais que eu. - falou baixinho e nos olhamos nos olhos, depois um para a boca do outro.
- Você me pareceu tão forte, com controle de tudo.
- É só treinamento. - respondeu. - Mas não é possível treinar o coração para suportar alguém ameaçar a vida...
- Você disse ao Philipe "a mulher que eu amo"... - interrompi-o com aquela lembrança.
- E não retiro o que disse. Eu perdi a cabeça com aquele garoto mimado.
- Eu vim para você... - toquei seu rosto triangular, sentindo os ossos, a pele, a barba rala. - ... E vim para ficar.
- Eu sei. - Zac beijou-me e eu acariciei o cabelo espetado da sua nuca.
Deitamos lado a lado e ele me envolveu com seus braços. Ficamos com nossos narizes quase colados.
- Você é a pessoa que mais me amou. - falei-lhe. - Arriscou sua vida por mim.
- Eu espero que um dia você me ame da mesma forma.
- Me deixa tentar? - repeti o que ele tinha me dito na gruta. Eu queria mostrar-lhe que podia amá-lo, mas não só em palavras, e sim, em atos.
Ele sorriu e me beijou levemente os lábios.

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Oiiiii girls :D
Ai Deus o Zac foi mesmo um herói neh!?
Mas eu estou me derretendo pelas palavras dele:
"Você mexeu com a minha mulher", "Sabe qual é a diferença entre nós dois, play? Eu não ponho em risco a mulher que eu amo. Eu dou a minha vida por ela."
Ai caracas to em love com esse capítulo!! ♥♥♥
Ainda bem que a Vanessa ficou bem neh!?
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!

4 comentários:

  1. AAAAAA que lindo!
    sera que ela vai amar ele da mesma forma?
    tomara! kkk
    posta logo!

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  2. Oh Meu Deus! O que ele falou!
    Que fofo!
    Posta logo.

    Beijos.

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  3. Amei ,amei ,amei,zac sempre um fofo lindoooo ,posta logo!

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  4. aguenta coração
    é muita perfeição em um capítulo só
    ♥♥♥

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