segunda-feira, 9 de março de 2015

Fora da Grande Família (Vanessa)

Zachary era sábio para algumas coisas e para outras eu me sentia à sua frente. Talvez, no fundo, nenhum dos dois estava certo ou errado, só tínhamos lógicas diferentes de enfrentar a vida. O fato é que passávamos um bom tempo para convencer-nos de quem era o melhor ângulo.
Após a arrumação de toda a mudança, fomos convidados para um churrasco na casa de um amigo de Dave que foi seu colega de turma. Estávamos justamente no caminho quando começamos a discutir sobre qual explicação dar a respeito dos nossos laços de ligação.
- Nessa, você não parece nenhum pouco preocupada! - chamou-me a atenção. Acho que meus fones de ouvido o irritavam. Tirei-os.
- Zachary, eu não me preocupo tanto com o que as pessoas pensam quanto você.
- Nessa, você não entende. Eu sou uma pessoa pública, não gosto que fiquem fazendo fofoquinha nas minhas costas.
- Esse é um tipo de preocupação de mulher, nunca vi homem se ligar nisso...
- Você ainda sabe pouco da vida. - balançou a cabeça para os lados e continuou dirigindo. Já que sabia tudo, eu podia colocar meus fones no ouvido outra vez. - Com o tempo vai perceber que a maior atingida pelas fofocas será você.
- Zachary, eu não estou nem aí para o que pensem de mim. Eu tenho plena consciência de que somos só amigos. Eu fiquei sem ninguém no mundo e você tentou me ajudar. Puxa, te agradeço muito por isso, o que mais quer de mim? - perguntei, já sem humor para aquele assunto.
Eu não estava sendo ingrata, só não entendia que grande preocupação era essa a dele. Por mim, poderia falar a verdade e foi isso que lhe aconselhei.
- Então, eu devo dizer para todos que sou o seu tutor? Eles vão ficar me perguntando qual o meu interesse. Ninguém vai acreditar que eu quis te ajudar por nada.
- E ninguém precisa acreditar em uma mentira.
Zachary virou o rosto para mim e franziu a testa, havíamos acabado de parar no nosso destino e ainda não tínhamos colocado um ponto final naquela divergência.
- O que acha que eu quero de você?
- Zachary, ninguém faz nada de graça nessa vida. Você quer justamente ter alguém do seu lado para mostrar para a sociedade. Eu não sou bem o padrão para isso, mas quem sabe cumpra o papel em forma de reconhecimento pelo apoio que me deu.
Ele continuou a me olhar sem reação.
- Eu sei que você sempre se sentiu sozinho e por isso precisa de uma companhia. - disse-lhe. - Eu também estava sozinha, claro que por outras circunstâncias. Daí, você pensou: "opa, porque não somar duas solidões para ver se dá em uma vida menos vazia para ambos?" - como ele não concordou nem discordou de nada, prossegui. - É que você faz mil rodeios, filosofa demais para enxergar o que para mim é óbvio. Eu não fico me debatendo contra a realidade. Se ela é assim, bom, vamos em frente. Zachary, não precisamos mentir, podemos dizer a verdade, mas sei que isso é pedir muito para você. Bom, depois de tudo que me fez, só me resta, então, ser sua cúmplice.
- É você mesmo nesse corpo ou seu alter ego acordou e...
- Zachary, eu só tenho carinha de anjo.
Acho que o assustei e, pela primeira vez, ele repensou se tinha feito a escolha certa. Já que sua cabeça funcionava como um rolo de filmes e seus olhos eram as lâmpadas de um projetor, aposto que agora via em mim a imagem daquelas garotinhas ingênuas que seduzem o mocinho e depois correm atrás dele para assassiná-lo e destruir sua vida.
Mas, eu sabia que não estava saindo de nenhum filme de terror, só que Zachary não tinha ainda essa visão do meu lado maduro. Eu não lhe mostrara tudo que posso ser, pois sempre esteve ali para fazer o que era preciso para me proteger. Desse modo, eu estive livre para só ser a menina.
- Isso tudo quer dizer o quê? - perguntou.
- Se para você é melhor que pareçamos um casal, pouco me importa, eu sei que não somos e nem vamos ser e pronto. Fica mais fácil assim? Ninguém te fará pergunta alguma e ficamos em paz. - encolhi os ombros.
- E a diferença de idade?
- Ah! Zachary! - abri a porta.
- Nessa, eu... - ele deu a volta no carro correndo e me segurou pelos braços. - Sei que você está vendo tudo isso com uma facilidade quase assustadora, mas esse joguinho de disfarce é perigoso.
- Zachary, você está com medo de quê, melhor, de quem? Não vai mudar nada entre nós, nada mesmo. Continuamos assim, bons amigos e pronto. Relaxa.
- Zachary! - ouvimos uma voz feminina atrás de nós, virei-me e vi que uma mulher se aproximava. Parecia ter trinta anos, tinha o cabelo preto preso em um coque e era gordinha. - O que vocês estão fazendo aqui fora?
- Oi, Nikki. - Zachary cumprimentou-a. - Essa é a Vanessa.
- Prazer, Vanessa. - ela deu-me dois beijinhos na bochecha e nos convidou para entrar.
- Prazer. - sorri e respondi.
Zachary colocou a mão esquerda nas minhas costas para que eu passasse na sua frente pelo portão de madeira.
A casa era pequena, pintada de azul e com um estilo muito antigo. Tinha um jardim na frente. Entramos pela lateral e chegamos na área dos fundos, onde estava acontecendo o churrasco.
Vários homens se levantaram e vieram cumprimentar Zachary. Neste momento, percebi tudo o que ele quis dizer com o temor dos seus olhos e de suas palavras, há alguns minutos atrás.
Todos olhavam para mim como se eu fosse uma aberração da natureza. As mulheres me analisavam de cima abaixo. Senti-me envergonhada dentro do vestido florido e dos sapatos de boneca. Será que eu estava feia? Os amigos de Zacahry, após cumprimentá-lo com ruidosos apertos de mão e tapinhas nas costas, olhavam-me, depois voltavam a olhar para Zachary, inquirindo silenciosamente uma explicação para ele estar comigo.
Fui até uma mesa para pegar um pouco de refrigerante. Queria respirar.
- Vanessa seu nome, não é? - Nikki perguntou.
- É. - fiz sinal com a cabeça e bebi um gole do guaraná.
- Venha ficar com a gente. - convidou-me.
Sentei-me no círculo das mulheres e dei um leve sorriso para todas.
Ali não havia nada que uma não contava para as outras. Era um grupo fechado tão cheio de regras e normas quanto o lado oposto masculino. Eu não estava dentro do perfil delas. Isso transformava-me numa alegoria atrativa.
- Você parece ser nova, quantos anos tem? - perguntou Nikki, tomando a frente da conversa.
- 17, vou fazer 18 mês que vem. - respondi.
Elas ficaram caladas e entreolharam-se.
-Você estuda? - perguntou uma delas com um filho no colo.
- É, vou tentar vestibular esse ano.
- Você tem 17 anos e... está com Zachary há quanto tempo?
- É o tribunal da inquisição? - ouvi a voz de Zachary atrás de mim. Senti um alívio.
Elas riram e saíram da posição de ataque.
Zachary abraçou-me por trás e beijo-me o rosto.
- Está tudo bem? - perguntou.
- Está sim. - respondi, segurando sua mão para que não me soltasse.
Se eu soubesse que seria aquele massacre, teria pedido para Zachary dar meia volta e me deixado em casa. Nada fora tão simples como eu lhe dissera que seria, agora entendia sobre o que Zachary tentara advertir-me. Eu não era bem vinda naquele mundo, nem seria entendida por aquelas pessoas.
Chegando em casa, fui para o meu quarto. Sentei no sofá de dois lugares que Zachary colocara ali abaixo da janela e fiquei olhando através do vidro a rua vazia.
Abracei minhas pernas e encostei meu queixo nos joelhos. Eu estava longe de tudo que me era seguro: minha casa, meus poucos amigos, o colégio, minha Shadow.
Deitei e coloquei uma almofada abaixo da minha cabeça. Fechei os olhos. O que seria de mim de agora em diante? A namorada de mentira de Zachary? Mas, eu precisava achar meu grande amor logo, não atravessaria o muro dos 20 sem ter tido história para contar.
Suspirei. Eu queria sentir um frio na barriga, ganhar um beijo de arrebatar o coração, como naqueles dos filmes. Para isso, eu precisaria ir além da fortaleza dessa casa e ver o que o mundo lá fora reserva. Aprender a aliar a prática à teoria.
Na vida, passamos por três processos. Primeiro, não sabemos o que fazer. Depois, sabemos o que fazer. E, por último, fazemos.
Eu agora estava exatamente estacionada na etapa dois: conhecia tudo na teoria, queria logo colocar em prática. Batia uma agonia ver que o tempo passava e eu ficava para trás.
Eu não queria continuar achatada dentro da casca, precisava arrebentá-la e sair. Só que como a tartaruguinha sem força para sair do buraco da areia, eu tinha que ter uma mão para puxar-me e mostrar-me o oceano no horizonte.
Agora eu tinha que caminhar aos tropeços pela longa orla de areia e atirar-me na água, que é o meu destino, a vida adulta. Se eu continuar no buraco, vou morrer. Preciso ganhar a liberdade.
Sentei-me à frente do meu computador já montado e liguei-o.
Eu precisava sair um pouco da realidade. Conectei a internet e entrei no site do uol, atraída pelo resultado da votação que decidiria o mandato do presidente do senado, já que esse fora o assunto quente de todo o churrasco.
- “Christopher escapa de cassação por 40 a 35”. - li a manchete. - Tudo acaba em pizza no Brasil. - ri irônica e balancei a cabeça para os lados, decepcionada.
Olhei para os links no menu do lado esquerdo e vi a opção “bate-papo”. Depois escolhi a sala por “idade” e, finalmente, entrei como “Nessa” logo na primeira sala, que era de pessoas de 15 a 20 anos.
- Que está fazendo, mocinha? - Zachary apareceu atrás de mim, assustando-me.
- Nada de mais, de bobeira. - respondi.
- Tá bom, então, só queria saber se está bem. Eu vou para o escritório fazer meus trabalhos. Depois temos que conversar sobre seu colégio, hein?
- Claro. - consenti com a cabeça e ele fechou a porta para o barulho do som não atrapalhá-lo.

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I'm back!! :D
O que será que vai acontecer nessa bate papo hein!?
Silvia eu te entendo!! Ri sozinha aqui também!!
Eu achei tão fofo uma fic citar HSM que não quis tirar mesmo o
sendo o Zac e a Vanessa que cantam a música kkkkk
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!

Um comentário:

  1. Ainda bem :D
    "Zachary, eu só tenho carinha de anjo." Bem me parecia que essa Vanessa não era uma santa! Haha!
    Posta logo.

    Beijos.

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