sexta-feira, 13 de março de 2015

O professor e a aluna (Zachary)

- Eu sou um fracasso. - Vanessa entrou no escritório falando alto e com passos firmes, caiu no sofá à minha frente.
- E posso saber por quê? - perguntei, suspeitando que não passava de um exagero seu.
- Eu queria muito participar da liga estudantil e jogar na equipe de handebol.
- E o que te impede?
- A treinadora disse que eu não tenho fôlego para aguentar nem o início do jogo.
Eu sorri ao ver sua cara de irritação.
- Zachary, isso não é uma brincadeira!
- Tudo bem. - fiquei sério outra vez e continuei a escrever no computador o relatório que precisava entregar no dia seguinte.
- Poxa, você não pode fazer nada por mim?
- Eu? Bom, quer que eu vá na escola e...?
- Não, né?!
- Então?
- Você não treinava lá os seus soldados?
- Hum, que tem?
- E se eu fosse o pelotão de uma pessoa só?
- Eu te treinar?
- Zachary, ou é isso ou nada!
- Nessa, você está encarando isso como uma questão de honra.
- Mas é “uma questão de honra”. - ela levantou-se e veio até minha mesa, onde apoiou-se com as duas mãos, inclinou o rosto mais para perto do meu. - Eu quero provar para aquela professora que eu posso, sim! Me ajuda?
Com seus olhos brilhantes tão fixos e esperançosos em mim, eu estava disposto a ensinar-lhe qualquer coisa. Escalar o Everest, mergulhar em algum fosso abissal, o que quisesse!
- Quando quer começar?
- Agora?!
Fomos para a rua que havia na frente da nossa casa. Era bem larga e muito extensa. As pessoas se exercitavam ali todos os dias. Era o lugar que dispúnhamos.
- Nessa, correr é uma arte... - comecei a explicar-lhe com a mão direita apoiada em seu ombro. Ela revirou os olhos, entediada. Mas, eu não me deixaria vencer por sua impaciência. Se tinha uma coisa que eu entendia era de exercícios físicos. - Você não vai só movimentar as pernas e sair feito uma maluca porque não vai ter o melhor resultado. Bom, primeiro de tudo, olhe para o meu pé e veja. - mostrei-lhe, apontando para o meu tênis. - O calcanhar que deve ser a primeira parte do pé a tocar o chão, depois encoste a planta do pé e, só aí, os dedos. Entendeu? - perguntei e após sua afirmação de cabeça, coloquei minha mão na sua coluna. - Quando correr, mantenha as costas e o abdômen firmes e contraídos. Já os braços também têm uma forma de se posicionar. Assim: dobre o cotovelo em 90 graus e faz o movimento a partir dos seus ombros, que têm que ficar em linha reta e não deixe o corpo girar na cintura, não faz aquele vai e vem dos quadris, tudo bem?
- Tá, é para correr igual um robozinho, entendi. - ironizou e começou a correr, antes mesmo que eu terminasse de lhe dizer a parte mais importante.
Depois de alguns metros ela parou, apoiou as mãos no joelho e sentou no meio fio. Não agüentei e comecei a rir. Corri até ela e me agachei:
- Nessa, tudo bem com você?
- Morri. Morri.
- ... - eu controlei minha risada. - Você não acha que vai começar disputando a Meia Maratona, né? - brinquei.
- ... Eu não tenho tempo a perder, Zachary! O campeonato está ai!
- Preste atenção, Nessa! Você tem o seu ritmo e deve ensinar o corpo a progredir. Não por violentar os seus músculos. Vamos estabelecer um cronograma para você, essa semana vai correr trinta minutos três dias. Depois na outra semana, 40 minutos 3 vezes aí na outra aumenta para 45, mas agora 4 vezes e por fim você chegará há 50 minutos, cinco vezes. Tudo bem?
- Zachary, eu não vou conseguir... - ela teatralizou um choro.
- Nessa, se você fosse um soldado, eu gritaria com você! - perdi a paciência.
- Desculpe. - arregalou os olhos. - Mas como eu sou uma menina tão boazinha, você vai ser bem paciente, né?
Fizemos um alongamento e eu vigiei seu primeiro dia de exercícios, depois partimos para o supermercado, era dia de fazer compras.
- Se você quer mesmo potencializar os seus resultados, não adianta trabalhar só nos músculos, é preciso cuidar do seu interior. - expliquei-lhe e pegamos um carrinho.
- Sim, explique-me, professor. - disse em tom de brincadeira, caminhando sempre ao meu lado.
- O tomate, por exemplo. - peguei um bem vermelho, joguei para o alto e depois agarrei-o no ar. - Eles não são o enfeite da salada. São super ricos de antioxidantes. Sabe o que isso significa? Ele combate os radicais livres e retarda o envelhecimento! Vamos levar.
Escolhemos alguns e colocamos no carrinho.
- Agora minha preferida! - peguei um cacho de bananas. - Elas são carregadas de potássio, vitamina C e amido e isso é ótimo para quem faz exercícios físicos. Anota aí!
Assim fomos passeando pelas gôndolas e escolhendo os alimentos mais apropriados. Aos poucos, Vanessa olhava para mim com respeito e atenção. Senti-me importante e feliz por ela estar me admirando. Tudo que eu sempre pesquisei para mim mesmo a vida inteira poderia dividir com ela e isso me alegrava e elevava a moral.
- Zachary, nunca entendi bem a diferença entre Light e Diet. - Vanessa perguntou.
- Ah, essa é uma coisa que os comerciais de televisão nunca explicam mesmo na hora de falar dos grandes milagres dos produtos light e diet. Bom, pelo que sei é assim. O Diet não quer dizer que você não vai engordar, não. Eles eliminam algum ingrediente da fórmula do produto original. Tipo, pode ser que não tenha gorduras, ou açúcares, ou sódio, ou proteínas. Por exemplo, um chocolate diet, sem açúcar, tem praticamente a mesma quantidade de calorias do chocolate normal, sabe por quê? Porque possuem mais gorduras. Tudo que é diet, em geral, é recomendado para quem tem alergia, ou não pode mesmo comer algum tipo de substância. O exemplo bem clássico é dos diabéticos, hipertensos que não podem comer sal e tal.
- E o light?
- Os alimentos diet tiram um ingrediente e os light reduzem 25%. Isso não quer dizer que o light emagrece mais que o diet, porque vai depender de que substância foi reduzida. Para isso é preciso reduzir algum ingrediente calórico como carboidrato, gordura ou proteína e não substâncias como o sódio, que é o sal light. - expliquei-lhe.
- Ah! Saquei. - Dul suspendeu as sobrancelhas.
Tentei guiá-la pelo melhor caminho do treinamento físico. Ela até que foi uma boa aluna e no cabo de três semanas já havia ganhando músculos e perdido gordura. Nossa rotina de treinos chamou a atenção do meu amigo Michael, que também corria por ali no fim do expediente. Ele parou ao meu lado.
- Eu ainda não acredito em tudo que me contou. É maluco demais! - ele comentou e sabia que se referia a história toda do meu encontro com a Vanessa e como ela viera parar na minha vida. - Você não acha que as coisas não acontecem por acaso?
- Pode ser... - olhei o relógio. - É isso aí, garota! Melhorou seu tempo! - gritei para Vanessa que diminuiu o ritmo e veio até nós, ofegante.
- Já conhece? Meu amigo Michael B. Jordan, estudou comigo na academia. - apresentei-lhe.
- Oi. - ela sorriu e pegou mais ar. O suor escorria por seu pescoço e escorregava por entre seus seios escondidos sob a blusa e lá estavam dois marmanjos fixados nos seus mamilos eriçados, meu Deus, aquela garota era o caminho para o pecado. - Vou tomar um banho, Zachary, por hoje chega. - riu.
- Tá, vai lá. - disse-lhe e ela afastou-se, caminhando para nossa casa.
- Vocês já...? - Michael insinuou.
- Não! - franzi a testa. - Eu estou gostando dela, mas olha, é só uma garota de quase dezoito anos! - confessei-lhe o que nos afastava. Michael era um grande amigo, com ele podia me abrir. - Mas não me falta vontade.
- Eu já vi de tudo nessa vida, cara, e acho que se é para você finalmente ser feliz, vai lá e conquista ela!
- Eu tenho medo de atropelar tudo e assustar porque me acho um tiozinho, sabe?
- É, vai ter que esperar mesmo o tempo dela, não dá para se afobar. Mas enquanto isso...
- Ah! Eu vejo a Sami de vez em quando, mas não sinto nada por ela, é só tesão mesmo. Ela também não exige nada em troca, fica a combinação perfeita.
- ... O corpo de uma e o coração de outra? - ele completou.
- Mais ou menos isso. - cruzei os braços. - Cara, eu tenho que ir. - apertei sua mão e voltei para casa.
Passando pelo corredor, percebi que Vanessa havia se esquecido de trancar direito a porta que estava meio empenada. O vento empurrou-a e eu pude ver a silhueta de seu corpo atrás do vidro fosco do box. Senti meu corpo em combustão com aquela imagem que ganhava todos os detalhes em minha cabeça. Olhei o relógio e não pensei muito. Peguei a chave do carro em cima da mesa e fui procurar Sami.
Se eu não conseguia ser completo, que ao menos pudesse ser metade.
Mas não apenas uma das metades era suficiente, então, eu sempre voltava para casa em busca da presença de Vanessa, mesmo que só para senti-la por perto, em algum cômodo ouvindo música ou estudando. Passei por seu quarto e ela estava no computador.
Bati na porta três vezes e disse que eu podia entrar.
- Nessa, preciso te dizer uma coisa.
- Fala. - virou-se para mim.
- Eu te prometi que iria assistir o seu jogo, mas... não vai dar, eu vou estar em missão.
- Ah! Não! Zachary... Eu...!
- Desculpe, mas é a minha profissão.
- Tudo bem. - fez um semblante triste.
- Nessa, lamento mesmo. Mas eu vou chegar do campo no sábado.
- O jogo é no sábado!
- Dificilmente dará tempo.
- Eu queria que alguém estivesse lá torcendo por mim.
- Eu também queria, você sabe disso. Por isso te ajudei.
- Entendo, você foi demais, nem sei o que seria de mim sem suas aulinhas.
Sorri.
- Eu queria que você não fosse militar.
- Nessa!
- Só por um dia, Zachary, só por um dia! - explicou-me.
- Lamento mesmo... - fiz um afago no seu cabelo e sai do quarto.
Vanessa me fez sentir culpado, não queria faltar por nada ao seu jogo porque eu era parte do processo, acompanhei tudo de perto. Agora eu não vivia apenas em função do meu trabalho, tinha uma outra pessoa a quem eu deveria corresponder às expectativas. Isso não era fácil, mas também dava mais valor à minha vida.
Eu fiquei com aquela ideia fixa na minha cabeça e não teve um dia que não lembrei de Vanessa no acampamento. Fiz de tudo para correr e alcançar o final do seu jogo. Joguei a mochila no chão da sala, corri para o quarto, me enfiei no primeiro jeans e camisa que encontrei no armário e peguei as chaves do carro.
Queria lhe fazer a surpresa de me ver. Quando cheguei ao ginásio do seu colégio, faltava cinco minutos para o fim do jogo. Sentei na arquibancada e a procurei com os olhos. Ela estava com as mãos levantadas fazendo barreira para aos adversários. Seu time vencia com uma vantagem de seis pontos.
Pensei em todas as emoções que perdi, mas não me condenei por isso, eu tinha conseguido estar ali contra todas as dificuldades. O árbitro apitou e elas começaram a pular e se abraçarem.
- Nessa! - gritei-lhe e ela virou o rosto para o lado.
- Zachary! - li meu nome nos seus lábios.
Ela correu até mim e chegou perto da grade onde eu estava.
- Você veio, não posso acreditar!
- Eu fiz o impossível.
- Eu imagino! - ela riu e me puxou para abraçá-la. - Obrigada.
- Eu pensei em a gente sair para comemorar.
- Claro!
Duas amigas de Vanessa aproximaram-se:
- Nessa, vamos no carro do Nicolas? A gente achou melhor ir para um rodízio mesmo.
- Tá... - Vanessa voltou a olhar para mim.
- Tudo bem, não sabia que vocês tinham planos antes.
- Não... - Vanessa interrompeu-me e virou-se para elas. - Eu não vou poder ir, desculpe, mas estou feliz por termos ganho.
- Por quê? - elas não se conformaram.
- Porque eu prometi ao meu amigo que a gente sairia.
Elas olharam para mim e depois para a Vanessa e aceitaram a desculpa.
- Tudo bem. - foram embora.
- Nessa, não precisava...
- Zachary, eu sei dar o devido valor às pessoas. Você passou uma semana cansativa e correu para vir me ver jogar. Podemos pedir pizza em casa e você me conta como foi seu campo.
- Que bom que pense assim..
- Mas tem que ser com muito queijo gordurento, muita borda recheada, muito refrigerante calórico e, se quiser, pode ter um pouco daquele tomate com antioxidantes.
Sorrimos um para o outro.
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Booaa tardeee pessoal!!!
Desculpe não ter postado hoje de manhã... Tive um probleminha!!
Essa Vanessa hein!? kkkkkk 
Antes foi a Vanessa olhando o Zac escondida, agora com uma 
ajudinha do vento o Zac vê a silhueta da Vanessa kkkkkkk justo!! :D
Não gostei dessa parte dele ir atrás da Sami :(
Que bom que o Zac conseguiu ir ver o jogo neh!?
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais tarde girls!!

4 comentários:

  1. Quando eu li a Zac falando com a Vanessa sobre como se corria eu morri a rir!
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    Beijos.

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  2. esses dois são uns safadinhos,kkkkk
    sei não hein?!daqui a pouco estão se pegando e eu não vejo a hora disso acontecer,hehe
    so cute esse momento do Zac e da Nessa *-* espero que nessa comemoração role ao menos um beijinho
    amei o capítulo ♥♥♥
    posta mais,kisses

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