quinta-feira, 12 de março de 2015

Pensamentos proibidos (Vanessa)

- Por que você acordou tão cedo? - Zachary perguntou-me quando entrei na cozinha, às cinco e meia da manhã.
- Eu vim ver como está sua mão. - respondi e peguei uma xícara em cima do escorredor de pratos. Servi-me de café.
- A mão não caiu ainda. - ele sorriu e mostrou-a.
- Dormiu bem? - perguntei.
- Um pouco. - disse-me e levantou-se para sair.
- Espera. - segurei seu braço e ele olhou para baixo. - Quero ver o ferimento, não acordei à toa.
- Não precisa.
- Zachary!
- Tudo bem, Nessa, mas não posso me atrasar. - aceitou, só para fazer minha vontade.
Fomos para o banheiro, retirei os curativos e ele lavou o ferimento.
- Isso arde! - reclamou.
- Que fraquinho você é, nem parece um milico! - ironizei e ele continuou a lavar a mão, mas olhando diretamente para mim.
- Você tem o prazer de me ver sofrer, né? Não conhecia esse seu lado!
-... - sorri e balancei a cabeça para o lado. - Vamos para a sala, lá tem a claridade da janela.
- Nessa, eu não posso me atrasar!
- Zachary, você quer, então, vai embora...
- Vem cá! - puxou-me pelo braço. - Não faz pirraça!
- Ah! Eu... - apontei para o meu peito. - ... é que estou fazendo pirraça?! - franzi a testa e cruzei os braços.
- Nessa, anda... - sentou-se na cadeira e estendeu a mão. - Agora ajeita isso aí para eu poder trabalhar.
- Ok. Já que você precisa de mim... - peguei uma gazes.
- Você adora que eu me ajoelhe e me humilhe, né?
- Que isso... Como pode pensar isso de mim?
- Aiêêêê! - resmungou.
- Ué, pensei que já estivesse bom.
- Tá, mas não precisa derrubar o vidro de álcool em cima! - pediu.
- Desculpe, manhosinho.
Ele revirou os olhos. Zachary ficava tão bonito irritado, eu não podia negar que sentia um prazer em implicar com ele. Por que eu tinha essa necessidade?
Terminei de fazer o curativo e ficou de pé em um pulo.
- Com essa droga de mão assim, eu não consigo me arrumar... - irritou-se com a blusa que não estava direito para dentro da calça.
- Zachary, calma, espera, eu te ajudo.
- Olha o que você fez? Tirou mais ainda! - brigou comigo e afastou-me, dei dois passos atrás.
- Desculpe, eu só queria ajudar.
- Nessa, eu falo sério! Não posso me atrasar! - disse em voz alta e foi para o quarto.
- Ele é bravo! - falei para o Jachary, que estava ao pé da mesa.
Caminhei para o meu quarto e, passando pelo de Zachary, vi que a porta estava entreaberta. Arrumava-se de frente para o espelho da porta do guarda-roupa. Respirei fundo e engoli em seco. Eu não podia ficar ali espiando, mas estava tão nervoso que nem perceberia que...
Zachary abriu a calça verde e abaixou-a até um pouco acima dos joelhos. Suas coxas se contraíram e os músculos fortes e definidos se projetaram em curvas.
Era hora de eu sair dali e ir para o meu quarto, mas...
Abaixou a cueca e eu subitamente levei as duas mãos ao rosto e ri baixinho muito nervosa. A curiosidade era muito mais forte que minha vergonha, abri um dos dedos, depois os dois.
Será que podia ver que eu estava vendo-o pela fresta? Não, não estava. Até porque o sol que entrava pela janela era muito forte e deixava ainda mais na zona de penumbra o corredor. Segundo a lei física dos espelhos, eu teria que me ver no espelho para ele poder me ver, mas como eu não me via...
Zachary colocou a blusa por dentro da cueca e fechou novamente a calça, depois o cinto. Esticou os braços para o alto e por fim se contentou com o resultado. Era hora de eu sair dali. Corri para o quarto e dei de cara na porta, estava escuro e eu não tinha me dado conta que a fechara.
- Puta que pariu! - sussurrei, esfregando a palma da mão na cara.
- Nessa?
- Ãnh? - virei-me e fingi que nada estava acontecendo. Abaixei-me e peguei Jachary no colo.
- Se cuida e boa aula!
- Tá. - balancei a cabeça afirmativamente.
Colocou a boina, pegou a maleta e as chaves do carro. Nesse momento, o celular tocou e Zachary deu um leve grunhido.
Eu soltei uma risadinha baixa, divertindo-me. Fiquei ali parada, em pé no corredor, observando-o.
Zachary, que estava de costas para mim, firmou-se em uma das pernas e a outra deixou levemente flexionada, o que contraiu a seu bumbum sob o tecido da calça. Nossa, ele tinha um bumbum tão... Inclinei meu rosto para o lado para pegar um melhor ângulo. Era tão redonda, anatomicamente grega, como aquelas estátuas...
Jachary latiu e chamou a atenção de Zachary, que virou-se para trás e olhou-nos, eu abaixei a cabeça envergonhada e entrei para o quarto.
- Você não pode ficar quieto?! - reclamei com Jachary e o coloquei no chão. - Eu acho que devo tomar café de manhã, o jejum está me fazendo ver coisas... - abanei as mãos no ar para me trazer um ventinho e abaixar aquele repentino calor.
A imagem de Zachary ajeitando a blusa...
- Não! Vanessa, não! Nãaaaaao! - dei um leve tapinha no meu rosto. - O que está acontecendo com você? - balancei minha cabeça para os lados e respirei profundamente.
Olhei para o relógio, estava um pouco cedo. Mas eu precisava me ocupar e afastar aqueles pensamentos. Vesti o uniforme e verifiquei se tudo estava dentro da mochila. Por fim, na falta de coisa melhor para fazer, liguei um pouquinho o computador. Encontrei um email de Josh na minha caixa de mensagens.
Oi, Nessa. Adorei conversar contigo aquele dia. Senti muita falta disso, de poder falar abertamente com alguém sobre minha vida. Ah! Já contou para o seu pai que você decidiu que quer ser enfermeira? Espero que ele fique satisfeito com sua escolha. Eu acho que ficará bonita de branco, caminhando pelo corredor dos hospitais, cuidando das pessoas. Todo filme de guerra tem uma enfermeira... Bem, por que estou falando disso?
Eu hoje estou quebrado. A rotina aqui é a seguinte. Bom... Acho que já deve conhecer isso de cor, seu pai é militar. Mas, vou falar. Não sei por que sinto vontade de te contar as minhas coisas. Eu peço para um plantão anotar a hora para me acordar. (Plantão é um cara que fica de guarda), bom, ai toca o sinal e a gente já está pronto. Depois, entra em forma, aí tem o café da manhã e começam as aulas. Depois vem exercícios, almoço, janta e tals. Enfim, são tantas coisas que acontecem sucessivamente e com horas programadas que eu não tenho muito tempo de pensar em nada. Te confesso que no meio da adrenalina de não fazer nada errado, nem esquecer um material na mochila, ou cometer alguma falta, eu esqueço de ligar para minha mãe...
Não é que eu não a ame, nem ame minha noiva, mas é que estou tão pilhado, louco para tudo sair certo que, quando dou por mim, caio na cama e desmaio. Sabe o que me deixa mais triste, quando eu fico sendo cobrado por elas de que não dou atenção suficiente. Eu amo essas duas mulheres, mas elas têm que entender a minha rotina e pararem de me sugarem. Por que mulher não entende que sim é sim e não é não. Quando eu digo, “eu te amo” é “eu te amo”. Por isso, se eu não ligar, não significa “eu não te amo”. Deu para sacar? Aqui nem sempre é possível ficar de namorico. Putz, cara, tu não imagina a fila que é no orelhão, cartão caro para kct, ainda tem que vestir a farda, tudo que eu quero é dormir e não ficar duelando por um fone.
Eita, sua rotina aí deve ser muito diferente da minha. E falando em rotina, ainda tem as mudanças do ano que vem, vou me formar, estagiar e... cuidar de filho. Isso está me tirando o sono. Mas vai dar tudo certo, amo minha namorada, quero dizer, noiva, ainda não me acostumei com esses termos. Rs.
Nessa, está sendo bom para mim contar com você como amiga. Me manda um email, sei lá, me fale mais sobre você, fiquei com nossa conversa na cabeça durante o dia.
Abraço. Cat. Josh.
Eu suspirei e sorri. Era bom ler as palavras de Josh. Para ele, a vida ainda era uma lacuna aberta como a minha. Um dia, chegaria a ser como Zachary, decidido, seguro, completo, adulto. Mas, por enquanto, tudo ainda era um mar de dúvidas e incertezas. O melhor é que contava com meu apoio para tomar decisões. Eu me sentia importante e gostava dessa sensação.
Pensei até em respondê-lo, mas não dava mais tempo. Esperaria, à noite, entrar no facebook.
Peguei meu fichário e joguei a mochila nas costas. Tinha que correr para pegar um ônibus vazio. Se demorasse demais, enfrentaria o maior trânsito.
- Posso segurar sua mochila?! - alguém tocou no meu braço, quando eu tinha acabado de arrumar um lugar para ficar em pé.
- Oi! - sorri ao reconhecer a Ashley, uma das colegas de turma. - Obrigada. - passei-lhe minhas coisas.
- Eu reparei que pegamos o mesmo ônibus ontem, mas você se sentou lá na frente e não me viu.
- Desculpe, eu venho sempre com muito sono.
O homem ao lado de Ashley se levantou para descer e eu sentei perto da janela. Conversamos durante o trajeto sobre a escola, os professores, temas frios e que eram em comum.
- Parece que gostaram muito do trabalho que fizemos. A professora fez uma cara de quem aprovou.
- Espero!
- Você mora com Zachary, o capitão, certo?
- É! Conhece? - franzi a testa.
- Ohhh, meu deus, claro! Quem não conhece?
Quê? Zachary era algum astro do Rock internacional? Como assim "quem não o conhecia"? Eu não sabia da sua popularidade...
- Ãnh? - eu franzi a testa, era minha vez de estar confusa.
- Desde que você foi ao churrasco, muitas mulheres ficaram fofocando sobre vocês e isso parou lá em casa. Meu pai é milico. Você sabe que ele tem uma fama...?
- Fama?!
- Ai, eu odeio fofocas, mas...
- Pode falando tudo agora que eu quero saber!
- Tudo bem. O Zachary veio para cá uma vez.
- É, ele me disse que essa é a segunda transferência para cá.
- Bom, ele foi apelidado de Don Juan. Diz as más línguas que ninguém passou imune por...
- Zachary?! - ri da ideia.
Não que ele não fosse bonito e tal... (Lembrei-me da cena da calça, da blusa, da sua barriga e, esquece isso, Nessa!)... Mas daí pegador? Ele pareceu-me tão preocupado com sua imagem.
- Dizem que quando ele foi embora, a vila ficou muito triste e suspirando. - Ash deu uma risada.
- Isso é lenda! Mito!
- Bom, que seja, mas que muita gente deve ter dado uma arrumadinha no visual quando soube que estava de volta o famoso Don... - ela parou. - Desculpe, Nessa, por estar falando assim... Mas eu sempre achei ele tão atraente, com todo o respeito, claro.
- Hei, ele é mais velho!
- E daí?
Eu balancei a cabeça para os lados e na aula fiquei pensando sobre isso.
Alguém me cutucou. Peguei o bilhete que me passaram. Li:
"A aula é ali na frente, tá? Ass: Ash"
Procurei Ashley com os olhos e a encontrei duas fileiras à minha direita. Ela levantou o caderno onde estava escrito em letras garrafais de vermelho em uma folha: "O ZACHARY NÃO CAI NO VESTIBULAR" e apontou para o quadro, onde a professora explicava a lei do empuxo. Esperei a professora se virar e taquei a bolinha de papel do bilhete na cabeça de Ashley.
Sorri, vermelha e com as orelhas queimando, podiam acender um cigarro nelas.
Pensei com toda força: “Não é certo! Não vou pensar nisso nunca mais! Nunquinha, never, jamais! Zachary para mim era um assexuado, isso, um andrógeno, um ET, um... padre! Proibido, pronto!"

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Volteeei :D
Jesus que capitulo hein!? Bem que ela disse que tinha só carinha 
de santa!! Beem safadinha essa Vanessa neh!? kkkkkk
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!

2 comentários:

  1. kkkkk Vanessa sua safadinha
    também né?!quem é que resite aquele pedaço de mal caminho?!rsrs
    amei o capítulo ♥♥♥
    posta mais,kisses

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  2. "O ZACHARY NÃO CAI NO VESTIBULAR", daqui a uns capítulos se ele cair no vestibular a Vanessa já vai saber tudo! haha!
    Posta logo.

    Beijos.

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