domingo, 22 de março de 2015

Vítima dos seus rituais (Zachary)

- Pronto, mocinha! - deixei sua mochila ao lado da cama. - Está de volta sã e salva.
- Aiii...- Vanessa deixou-se cair de costas na cama e se espreguiçou inteira.
- Foi tão emocionante quanto você esperava? - perguntei, sentando-me ao seu lado.
- Humm. Deixa eu pensar. - colocou o dedo indicador no queixo e olhou para o alto. - Foi bem mais! - exclamou.
- É bom saber que está agora aqui sob minha proteção.
- Nossa! - chegou mais perto e sentou-se também. - Mais que homem possessivo, meu Deus! - apertou minhas bochechas e meus lábios ficaram comprimidos como “bico de peixe”.
- Por que você faz assim? - tirei sua mão do meu rosto.
- Assim como? - sua ingenuidade era pura ou só mais uma encenação?
- Me trata como seu eu fosse o seu boneco Ken, namorado da sua Barbie.
- Zac, você para mim não é o capitão. - ela disse séria. - Você é só um homem comum, que... - começou a contar nos dedos. - Toca violão, gosta de filmes, lê bastante, deixou matarem a minha cadelinha.
- Ah! Sim, não seria você, se não lembrasse da cadela.
- Eu sinto falta dela.
- Eu imagino. Desculpe... Não tem ideia de como gostaria de voltar no tempo.
- Você me ensinou que não podemos trazer algumas coisas de volta, mas podemos dar espaço para outras...
Meu celular começou a tocar. Retirei-o do bolso e o abri. Vanessa esticou o pescoço para ver quem era e deu um grunhido de insatisfação, quando leu junto comigo:
“Sami”.
- Alô? Hum. Não, não vai dar. Não posso. Agora estou ocupado. Tá. Hum-hum. Tchau. - desliguei.
Eu não podia negar que, fisicamente, estava precisando de Sami, mas meu coração estava tão feliz com Vanessa, que achava injusto aceitar o seu convite de ir vê-la.
-O que ela queria? - perguntou-me de braços cruzados.
Por que as mulheres se fazem de desentendidas, quando sabem muito bem de todos os truques e artimanhas das de mesma espécie?
- Me ver.
-Quando você vai deixar claro para ela que agora está comigo?
- Eu vou resolver isso. - prometi.
- Acho bom. Que tal começar pelo seu celular? - ela pegou da minha mão.
- Não, Vanessa! - tomei de volta.
- Hei! Você agora é o meu... - ela puxou da minha mão o aparelho.
- Eu sou o quê?
- Desculpe... Você não fez o pedido ainda.
- Pedido? - senti que a coisa começava a se oficializar. Não era como Sami, qualquer contato boca a boca era de verdade.
- É. Aquelas palavrinhas mágicas...
- V, você quer namorar comigo?
- Quero! - sorriu e abriu o meu celular com cara de travessura. - Pronto, acabo de ganhar esse direito. Vamos ver sua agenda de telefone. Quem é Maika Monroe, Amanda Crew, Halston Sage, Imogen Poots?...
- São esposas de amigos meu.
- Ah, Zac! Conta outra, vai? Você tem o telefone das esposas? Olha bem aqui na cabeça se tem o capuz da chapeuzinho vermelho?
Eu precisava melhorar meus dotes como mentiroso porque Vanessa já entrara na fase em que as mulheres se tornam aprendizes de feiticeiras. Podem sentir pelo cheiro do suor do homem sua dissimulação.
- Vai dizer que você não tem o telefone da namorada de algum amigo seu para caso precise falar com ele e não o encontre em seu celular? - argumentei, fajutamente.
- Apaga o telefone da Sami Miró. - devolveu-me de bom agrado a o que fizera tanto esforço para roubar.
- Por quê? Isso não impediria que ela me ligasse. - lembrei-a.
- Não, Zac! É um ritual!
Vejam bem, leitores, o que eu ia dizendo sobre as mulheres serem feiticeiras!
- Apagar o telefone dela? - levantei as sobrancelhas.
- Zac, o professor explicou na escola que somos seres simbólicos. Lembra os índios que exibiam colares de ossos e penas de animais? Eles chamam isso de totens. Então, nós também temos nossos rituais, eles dão significado às coisas...
Então, Sami era o meu totem "pendurado" no meu celular?
- E onde entra sua aula de história na minha agenda?
- Você tem que apagar o telefone dela como se estivesse apagando ela em carne e osso, um ritual...
Respirei fundo. Só podia estar brincando comigo. Mas, se esse tal ritual era tão importante para que Vanessa ficasse tranquila e pudéssemos mudar de assunto, então, eu apagava.
- Me busca na escola amanhã? - pediu.
- Eu? Mas vou sair do quartel bem na hora em que você vai sair da escola.
- O ritual, Zac, lembra do ritual?
- Ah! O ritual. Claro...
- Só que fardado elas vão ficar olhando. Não sei se vai ser uma boa ideia.
- Shii, não vai ser.
- Deixa de se gabar! - bateu com a almofada na minha cabeça.
- Você não me provoca! - tomei a almofada e bati também.
- Ah! Você não me pega! - ela levantou-se e correu para sala.
Segui-a e não foi muito difícil segurá-la pela cintura. Mas acho que, na verdade, ela deixou-se agarrar e me puxou para cair por cima dela no tapete da sala.
- Você é treinado, assim fico em desvantagem. - riu.
- Me senti a seu cadelinha agora. - ri também.
Vanessa fez um carinho no meu rosto e me puxou para um beijo. Mantive a mão ainda apoiada no chão, para que meu corpo não pesasse sobre do dela. Não conseguíamos parar de nos beijar, mas, em um dado momento, Vanessa tirou sua boca da minha e desviou os lábios.
- Zac, eu não quero que seja assim... - ela falou baixinho, no meu ouvido.
- ... - procurei seus olhos.
- Você entende o que quero dizer?
- Acho que sim. - fiz um sinal com a cabeça e sentei-me. - Tem que ser um ritual? - perguntei.
- ... - foi sua vez de balançar a cabeça afirmativamente.
(...)
Quando sai do meu carro, na porta do colégio de Vanessa, senti-me uma baiana da escola de samba, ou algum boneco de carnaval de Recife parado no meio do formigueiro de alunos. Não havia um olhar que passasse por mim sem antes fazer uma inspeção.
Qual era o objetivo de Vanessa com isso? A sua demora me fez montar uma lista de teorias:
a) Me achava lindo de farda e queria me exibir como troféu.
b) Me colocou no meio de adolescentes espinhentos para me sentir parte deles também.
c) Testar minha resistência em não entrar em pânico com tantas pessoas me olhando como se eu fosse um ET.
d) Todas as alternativas anteriores e mais algum ritual macabro desconhecido.
Ela surgiu no portão, abraçada ao seu fichário rosa e com duas amigas à tira colo. Despediu-se delas e caminhou em minha direção. Seu primeiro impulso, e também meu desejo, foi nos beijarmos. Mas, fiz um sinal com as mãos para que se contivesse.
- Que foi? Está com vergonha? - ressentiu-se.
- Não. Estou vestido assim. Tenho que assumir uma posição de respeito. - expliquei-lhe.
Assim que fechamos a porta de casa disparou:
- Tem alguém aqui?
- Não.
- Alguém olhando?
- Não.
Vanessa puxou-me pela cintura e beijou-me.
- Posso trocar de roupa?
Ela revirou os olhos impaciente.
- É um ritual. - expliquei-lhe, implicando com aquela palavrinha.
- Ok. Quando voltar, eu nem vou estar mais com vontade de te beijar. - desdenhou e foi para o seu quarto emburrada.
Entrei no escritório e liguei o meu computador.
- Atrapalho o seu ritual? - Vanessa abriu a porta.
- Não. Você ficou chateada?
- Que isso, nem lembro mais. - deitou-se no sofá e esticou as pernas, deixando-as levemente repousadas sobre um dos braços da poltrona. - Pode continuar trabalhando, preciso ler esse livro paradidático aqui. - ignorou-me.
Olhei para a tela do computador e depois para suas pernas. Engoli em seco. Concentrei-me no que estava escrevendo. Apertei a tampa da caneta em um tique nervoso. Meus olhos mais uma vez escanearam cada centímetro daquela longitude.
Eu conseguia, eu conseguia... Foquei minha atenção no ponteiro do mouse piscando no monitor.
Tudo bem, eu deveria tê-la beijado mais! Só que precisava me punir daquele modo? As mulheres têm dessas coisas e, me desculpe se aqui há alguma leitora, mas sou homem e tenho que confessar: é pura perversidade aquelas pernas curvas e macias deslizando umas sobre as outras. Não sabem o requinte de crueldade que significam as mãos alisando o cabelo displicentemente e parando entre os seios, com a ponta dos dedos quase entrando no sutiã, como quem coça não sei o quê que não posso ver.
Será que, enquanto demorasse nossa primeira noite de amor, Vanessa não poderia usar uma burca preta para cobrir todo o seu corpo, em vez de exibir sua beleza em uma saia torturante?!
- Nessa, tem como você ler no seu quarto? - cocei a cabeça.
- Eu estou fazendo algum barulho?
- Está, na minha cabeça, precisamente. - respondi.
Ela sorriu e não duvidei que tudo tinha sido previamente arquitetado em sua cabecinha, pois não se fez de desentendida.
- Desculpe. - levantou-se, deu-me um beijo rápido nos lábios e saiu.
Responda rápido, Zachary, falei comigo mesmo.
a) Ela quer te dar certeza que você não deseja entrar para o seminário e ser padre.
b) Está te provocando para agarrá-la e dar o ponta-pé inicial.
c) Você está em abstinência total e paranoica de mulher.
d) Todas as alternativas anteriores.
Sim, d, d, d, d, d!

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Hiiiiiiii girls :D
Certa ta a Vanessa apaga mesmo!!!
Ai que fofo essa cena dele ir buscar ela ♥___♥
kkkkkkkk esses dois não tem jeito neh!? S[o eu que ri demais com esse cap!?
Comentem ai!!
Obrigada pelos comentários
E até mais girls!!

2 comentários:

  1. Vanessa sua taradinha,kkkkkk
    louca pra ver a primeira vez dois dois,rsrs
    amei o capítulo ♥♥♥
    love Zanessa,so perfect
    posta mais,kisses

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  2. Se fosse a Vanessa também me lembrava da morte da minha cadelinha.
    A Vanessa está certa mas apagar o número da Sami não muda o fato dela voltar a ligar para ele, mas já é um passo para a mudança!
    Posta logo.

    Beijos.

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