segunda-feira, 13 de abril de 2015

Códigos (Vanessa)

- Você é uma boa garota! - ouvi a voz masculina na direção do meu nariz, podia sentir seu hálito quente. Mas não conseguia vê-lo por causa do capuz preto que colocaram na minha cabeça. - Não se preocupe que nada irá te acontecer e a Zilma vai cuidar de você. - disse-me.
Senti muito calor e depois uma ventilação, deveria haver alguma entrada de ar à minha esquerda. Depois, ouvi o barulho da porta batendo. O vento sumiu e agora estava tudo em silêncio. Meu coração começou a acelerar conforme eu ouvia o arrastar de um chinelo se aproximando de mim. Encolhi minhas pernas para debaixo da cadeira.
- Está grávida de quantos meses? - perguntou a voz feminina, parecia jovem.
Não respondi. Fiquei quieta, com o corpo muito tenso. Pensei no meu filho. Ele era parte de mim e estava sentindo tudo. Isso era muito ruim. Lembrei do que Zac me aconselhara. Era preciso buscar o alto-controle. Respirei fundo e soltei devagar o ar dos meus pulmões.
- Meu filho... - pensei na minha voz interior e comecei a conversar com meu bebê. - ...está tudo bem. Não precisa ficar com medo. A mamãe está aqui contigo. Seu pai virá nos buscar. Ninguém fará mal nenhum a você. Está gostoso aí dentro? Quentinho e protegido? Então, quero que durma e descanse.
Senti uma mão na minha nuca e assustei-me.
- Calma, garota. - ouvi um riso. - Acho que pode respirar melhor assim. - ela tirou o meu capuz e a luz irritou os meus olhos já vendados por umas quatro horas.
Era um pequeno quarto de paredes de tijolos. Uma janela de madeira azul e o teto de telhas de zinco. Uma lâmpada estava pendurada por um fio e algumas mariposas rondavam ao seu redor. Os únicos móveis dali eram um fogão de quatro bocas com a porta preta, uma pia de alumínio e um sofá velho marrom de três lugares, já saindo o estofado pelo tecido puído. Além disso, só a minha cadeira onde eu estava sentada.
Na minha frente, uma mulher de cabelos desgrenhados fumava cigarro e fazia crochê. Como ela podia ter a paciência e tranqüilidade de enlaçar aquela fina linha ao redor da agulha para fazer uma toalha? Ao seu lado, dois revólveres. Era quase uma ironia a cena. O pano já grande sobre suas pernas me fez me perguntar se antes de mim houvera outra pessoa ali naquela cadeira vendo-a dar os primeiros pontos.
A mulher usava uma blusa que lhe deixava a barriga cheia de estrias aparecendo por cima da bermuda jeans apertada.
- Eu preciso fazer xixi. - falei-lhe.
- Tem um banheiro ali. - Apontou para uma porta à minha direita. - Não ouse qualquer coisa, porque senão eu te mostro o como sei usar esses brinquedinhos aqui!
Ela suspirou, deixou o pano no sofá e veio até a minha direção. Desamarrou as minhas mãos e voltou ao seu lugar.
- E os meus pés? - perguntei.
- Você consegue.
Eu pensei em pular, mas poderia me desequilibrar e cair. Movi meus pés centímetro por centímetro à frente e levei quase cinco minutos para chegar até a porta. Senti as lágrimas virem aos olhos. Era uma pressão psicológica maior do que eu podia suportar.
- Deus, me tire viva dessa. Salve a mim e ao bebê. - sequei o rosto com as costas das mãos.
Antes de voltar, eu reparei que no banheiro havia um pequeno basculante. Olhei pela fresta da porta e reparei que a mulher estava entretida em seu bordado. Aproximei-me mais e fiquei na ponta do pé. Tudo que pude ver foi... Nossa! É o Cristo, o Cristo Redentor! E eu estou em um lugar alto. O cheiro de maresia era forte.
- Cadê você?! - ouvi a voz dela se aproximando.
A mulher abriu a porta e deu de cara comigo. Olhou-me de cima abaixo.
- Volte para o seu lugar. O patrão não vai gostar de saber que está solta.
Amarrou minhas mãos novamente.
- Eu estou com muitas câimbras. - reclamei. - Meus pés estão inchando. Eu poderia deitar no sofá?
Ela olhou-me longamente. Respirou fundo de novo.
- Tudo bem. Vem... - fez um sinal com a mão.
Deitei-me no sofá. Fechei os olhos e pensei em Zac. No seu sorriso lindo. Seu corpo musculoso que formava lindas entradas na cintura. Ele parado na porta do banheiro, com a cabeça encostada, observando-me tomar banho. Depois, beijando minha barriga ainda molhada e conversando com nosso filho.
As lágrimas escorreram pelos meus olhos. Ele viria me buscar. Eu sabia que podia confiar nele. Toquei com os dedos de uma mão a aliança na outra.
Os bandidos chegaram e pude vê-los agora que eu estava sem capuz. Rapidamente desviei o olhar. Não era para encará-los, conforme Zac me instruíra.
Eram os mesmo homens que arrombaram a porta da minha casa. Eles verificaram se eu estava bem presa e um deles fez uma ligação no celular. Ouvi a voz de Zac pelo viva-voz.
Meu coração veio na boca. Aquele som era tudo que eu precisava.
- A dívida é de quanto? - Zac perguntou.
- 50 mil. - o homem tatuado e sem camisa aproximou o celular da boca.
- Certo. Mas eu vou precisar de alguns dias para conseguir o dinheiro.
- Quanto mais tempo demorar, mais tempo a gente fica com sua garota.
- Esse é um acordo, certo? Então, eu quero garantias também. Ponha ela na linha.
- Você não me deu nada! Por que eu tenho que te dar garantias?
- Você quer o dinheiro que está comigo, certo? Mas eu só posso dar se souber que o que importa para mim, e está com você, está bem.
O homem olhou-me por uns segundos.
- Ok.
Ele levantou-se e veio na minha direção. Aproximou o celular da minha boca.
- Zac, confia em Cristo. Do mais alto dos céus ele vai abrir o mar como fez com Moisés! Eu te...
Antes que pudesse dizer “...amo”, o homem voltou-se para a cadeira:
- Tocante vocês dois! Emocionado agora?! - desligou na cara de Zac.
Fechei os olhos e mentalizei com toda força para que Zac tivesse ouvido minha mensagem claramente.
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Hiiiii!!!
Ai Jesus será que o Zac entendeu o recado!? Espero que sim!!
E que ele tire logo ela das mãos desses agiotas!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

3 comentários:

  1. ai mds tadinha da Nessa ,Tomara que o Zac tenha entendido!posta logo pelo amoooor bjs bjs

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  2. uau,que capítulo hein?!
    espero que o Zac entenda o que a V quis dizer e salve logo ela
    amei ♥♥♥
    posta mais,kisses

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  3. ai God,posta mais....tomara q o zac entenda o recado...bjos

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