sábado, 25 de abril de 2015

Epílogo: A vida se renova (Zachary)

Peguei-lhe pela mão minúscula e caminhamos sobre a relva verde do jardim. Eu gostava de dedicar o meu tempo após o trabalho ao meu filho. Esses momentos não tinham preço para mim.
Fazia uma tarde bonita de céu alaranjado e azul escuro se preparando para anoitecer. Eu procurava mostrar ao meu pequeno a importância do contato com a natureza. Não queria que ele só tivesse a referência da cidade. Pelo contrário, estava tendo uma infância saudável e tranquila e crescia com uma energia que me dava cada vez mais forças para acompanhá-lo. Davi tinha a curiosidade inquieta e tudo apontava com o dedo indicador para me mostrar.
- É o passarinho. - abaixei-me para ficar da altura dos seus olhos negros cintilantes. - Ele está comendo uma minhoca. Você não vai gostar, blergt! - fiz uma careta e ele riu.
- Passarinho? - repetiu e levantou as sobrancelhas.
- É. Passarinho.
Davi tirou a mão apoiada no meu ombro e correu até o pobre animal que teve sorte de voar à tempo. Ri e balancei a cabeça para os lados.
- Vem cá seu moleque danado! - peguei-o no colo e o suspendi no ar. Davi deu um gritinho de felicidade com a sensação da falta de gravidade.
Ele tinha o rosto eternizado de Vanessa. Seus olhos e sorriso impressos. O cabelo liso de índio caindo-lhe na testa. Beijei sua bochecha rosada pelo sol e seus curtos bracinhos me envolveram.
- Zac. - ouvimos uma voz e Davi suspendeu o pescoço curioso.
Virei-me para o lado e vi caminhando para nós Michelle, com um vestido comprido esvoaçando pelo vento da tarde. Estava com um sorriso de quem não se surpreende por nos encontrar ali, passeando entre as árvores.
- Traz o menino para cá. - fez um sinal com a mão para entrarmos. - Ele deve estar com fome.
- Viu? - falei para Davi, apontando para Michelle. - Ela está brigando com a gente!
- Vem cá com a Michelle, vem meu lindo. - ela esticou as mãos e Davi impulsionou o corpo para frente.
- Você é muito dado, hein, garoto! - disse-lhe e deixei que fosse para o colo de Michelle.
- Nada! Ele está é com fome. Se deixar, brinca o dia todo. - ela beijou-lhe a barriga provocando-lhe cócegas e risos.
Os dois seguirem mais à frente e eu caminhei devagar atrás com as mãos no bolso da calça jeans. Olhei a nossa casa em estilo colonial e sentei à varanda em uma larga cadeira de ferro de três lugares com assento de finas almofadas quadradas de espuma. O sol já começava a se pôr e os pássaros se escondiam nas árvores. Os grilos começavam seu coro noturno e alguns vaga-lumes preparavam suas pequenas fagulhas de luz para brilhar na bela noite.
Era um ritual sentar-me ali todas as noites e esperá-la chegar. Como também era um hábito levantar-me ao escutar o barulho do carro se aproximando na estrada.
Sorri e me ergui em um pulo, fazendo as botas soarem sobre o assoalho de madeira da varanda com meus passos firmes e apressados. Caminhei pela trilha de pedras e abri o grande portão de madeira após o sinal das duas buzinadas. Afastei-me para o lado, permitindo a passagem. Os faróis iluminaram a frente da casa e depois se apagaram. Ela desligou o motor e fechou a porta com a chave, enquanto a outra mão punha a alça da bolsa no ombro. Virou o rosto para o lado e se deparou comigo de braços cruzados, admirando-a em seu jaleco branco e com o cabelo preso por um frouxo coque.
- Ai, amor... - soltou o ar dos pulmões e apoiou as duas mãos nos meus braços. - ... estou tão cansada. Um plantão muito exaustivo, não vejo a hora de tomar um bom banho quente.
Segurei seu rosto, inclinei o meu para a esquerda e a beijei com carinho, sentindo seus lábios úmidos e quentes. Puxei-a pela cintura para colar seu corpo no meu.
Recebi um afago na nuca e senti seus braços envolvendo meu pescoço. Seu cheiro inconfundível, o cabelo fino, o toque da pele. Tudo nela me trazia felicidade e alegria ao coração.
- Uau! - ela recuperou o fôlego e afastou apenas a boca, mantendo ainda a testa colada à minha. - A que devo essa recepção tão calorosa? - riu baixinho e acariciou as minhas bochechas delicadamente com a ponto dos dedos, provou ainda um pouco mais de um breve beijo.
- Só uma saudade repentina! - abracei-a longamente de olhos fechados e a balancei para os lados como quem nina um bebê.
- Humm... E o que eu vou ganhar de plus com essa saudade repentina?
- Eu estava pensando em te mostrar... - falei-lhe ao ouvido. - Podemos começar por aqui... - beijei-lhe o pescoço, provocando o seu riso. - Eu te amo, Nessa.
- Eu também te amo, Zac! Muito mesmo. - salpicou-me de beijos rápidos pelo rosto.
- Mãe! - ouvimos o grito de Igor.
Michelle que trazia o menino nos braços colocou-o no chão da varanda e Davi correu meio desajeitado pela grama. Tropeçou e caiu de joelhos.
Vanessa soltou-me e inclinou-se para ajudá-lo.
- Isso, levanta para cair de novo! - ela não se fez de compadecida por seu choro. - Você é um homem forte, rapaz. - limpou suas pequenas mãos sujas de terra e agachou-se na sua frente. - Agora dá um beijo bem gostoso aqui na mamãe. - Envolveu-o com os braços e colou seu rosto no dele. - Que delícia! A vovó te deu banho, é? - olhou para Michelle de braços cruzados com um sorriso orgulho como o meu, admirando os dois também. - Está tão cheiroso!
Vanessa e Davi eram as jóias mais preciosas da minha vida. Ainda posso ouvir o médico há quatro anos me dizer:
- Seu filho resistiu bem e está na incubadora.
E, logo em seguida:
- E sua mulher é uma guerreira! Ela não vai te deixar trocar as fraudas sozinho.
Formamos uma família muito feliz e repleta de amigos, como aqueles que agora faziam um baita churrasco nos fundos da casa.
- Olha só... - Michael, já meio alto pela cerveja, levantou-se. - ... Finalmente chegou a única pessoa que trabalha duro nessa casa! - brincou e apontou para Vanessa.
Todos rimos. Envolvi Vanessa e a abracei por trás, muito orgulhoso da mulher que tinha.
- Que isso? É um absurdo! - eu fingi me surpreender. - Aqui em casa, eu falo mais alto! Eu que mando, não é Nessa?! Ela fala: “Vem aqui agora!” e eu grito: “Sim, senhora!”
- Ele está tão engraçadinho, hoje! - Vanessa cerrou os olhos e deu-me um beijo de leve nos lábios. - Gente, eu vou tirar essa roupa de trabalho e tomar um banho. Preparem aí um bom prato de carne para mim!
- Pode deixar! - Michelle prontificou-se. Estava desfiando um pedaço de frango para colocar na boca de Davi, sentado em cima de uma mesa.
Vanessa entrou em casa e me perguntou se as malas na sala eram de sua mãe. Disse-lhe que já estava de saída, não poderia estender mais a estadia. Michelle viera nos visitar por uma semana para ver o neto e ficara hospedada conosco.
- É, ela vai voltar logo, mas quis esperar você chegar. - comentei.
- Fiquei muito feliz de saber que a mamãe conseguiu um bom emprego e está namorando. - comentou.
- Eu também. Ela mudou muito. Acho que todos merecem ser felizes como nós. - acrescentei.
- E você não mudou nada... - Vanessa me puxou para o quarto e me abraçou. - Continua o mesmo... - falou-me ao ouvido confissões irreveláveis.
- Ah! É? - suspendi as sobrancelhas. - Vou mostrar como progredi nesse quesito.
Fechei a porta atrás de nós e a beijei.
- Zaaaaac! - deu um gritinho entre risos.
Vanessa era como falei desde o princípio: tinha um jeito desde menina de me atear fogo aos olhos, quando eu os punha sobre as ondas de seu corpo protuberante, fruta carnuda que balança faceira no pé, prontinha para cair, mas de maldade não cai.
Era o melhor presente dado pela vida. As pessoas esperam achar alegria nas coisas, nas conquistas materiais ou no status social, quando, na verdade, a alegria está em nós e em quem amamos, é algo da ordem da alma.
- Está aí? - achei-a sentada na varanda da frente de casa com Davi no colo, sugando seu seio.
Sentei-me ao seu lado, ainda podíamos ouvir a música abafada vindo dos fundos da casa.
- Esse menino já está muito grande e você não desmama ele!
Ela levantou os olhos e virou o rosto para mim.
- E você tem 30 e tantos e também não cansou ainda de mim.
Eu sorri:
- É, não canso de nenhuma parte sua, nem um dedinho. - beijei-lhe os lábios e passei meu braço por trás dela na cadeira.
Davi esticou a mão e puxou o cabelo de Vanessa para chamar a atenção. Ela parou de me beijar e olhou para ele.
- Tá com ciúme da mamãe? - fiz um carinho no nosso filho. - Tem que saber dividir.
Vanessa abaixou a blusa e ficou balançando-o para os lados para que dormisse. Não demorou muito para que fechasse os olhos.
- Sono pesado igual ao do pai. - ela comparou, falando baixinho.
- Que injustiça!
- É verdade, injustiça. - ela concordou. - Mas ele não ronca. - ponderou.
- Ah! Malvada.
- Sou, é? - chegou seu rosto bem perto do meu.
- Mas eu te amo, minha linda. - sussurrei.
- Eu também te amo, Zac. - beijou-me apaixonadamente.

FIM

____________________________________________
Estoou de voltaaa com o Epílogo!!!
Só eu que quando comecei a ler essa capítulo comecei a imaginar o monte de bobagens!?
Como "oh não a Vanessa morreu" quando o Zac tinha dito que o Davi tinha
o "rosto ETERNIZADO de Vanessa"... E também como "aaah não ele 
está ficando com a Michelle" logo após ela aparecer toda cuidadosa com
o neto!? 
Ufaaaa! ainda bem que essa minhas imaginações férteis não são verdade!!
Que belo final!! Zac, Vanessa e Davi juntinhos!!! Ai que tudoooo!!
♥____________♥
Comentem ai...
Quero agradecer de coração a todos que leram essa fanfic, em especial minhas
leitoras que comentaram: Rafaela Diniz, Zanessa 4ever, Isabelle Dorigon, Liriane Melo,
Viviane Faria, Marisa, Regiane Ribeiro, CL', Deza, Jhennyfer, Sílvia, Laura Fernanda S. M. Duarte.
Se esqueci de alguém perdoe-me são muitos comentários... 
Meninas obrigada por acompanharem e por comentarem em algum momento e
espero que vocês acompanhe nossa próxima fic: Um filho teu
(Já podem correr lá porque o 1º capítulo foi publicado) e já está valendo nosso 
Top coments!! 
Beijos...

3 comentários:

  1. Eu tbm gelei quando comecei a ler ,mas ainda bem que ficou tudo bem ,eles mereciam depois de tudo e obrigada você bjs bjs

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  2. aiiiiiiiiii..super divino....ainda bem que ela tava viva....pendei as mesmas coisa que vc,bjbj doidinha pra proxima.

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  3. PQP quase que morro aqui
    pensei que a Nessa não tivesse resistido!!!
    amore,eu amei o epílogo,amei a fic ♡♡♡
    foi tudo perfeito
    kisses

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