quinta-feira, 16 de abril de 2015

Espera (Zachary)

O médico respirou fundo, depois olhou para os óculos que segurava na mão e levantou as sobrancelhas grossas e grisalhas:
- Você pode me acompanhar até a minha sala? - pediu, esticando o braço para tocar o meu ombro.
Não disse nada, apenas aceitei sua indicação do caminho e deixei para trás Fonseca e minha mãe. Caminhamos por aquele corredor frio e com um forte cheiro de éter. Entramos na terceira porta e ele sentou-se à mesa.
- Seu nome é Zachary, certo? - olhou na ficha em sua mesa e folheou os papéis em que eu tinha dado entrada no hospital.
- Doutor, se puder me dizer logo o que está acontecendo... - pedi, com as mãos entrelaçadas e apertadas entre os joelhos unidos, nervoso e muito ansioso.
- Meu rapaz, acho que a sua mulher é muito forte. Ela perdeu bastante sangue...
Isso tudo eu já sabia! Mas não o interrompi, afinal, se era realmente preciso aquela introdução com tanta redundância para que eu pudesse agüentar o que viesse depois, então, que eu só ouvisse.
- Nós conseguimos retirar o projétil e também monitorar o bebê durante a cirurgia para que ele também ficasse bem. Eram duas vidas em nossas mãos!
- As vidas mais importantes para mim agora.
- Eu imagino. Soube pela enfermeira que ela passou por um seqüestro e isso deve ter sido horrível para vocês.
- Realmente, foi um grande trauma que eu nem sei ainda os efeitos porque sinto que a ficha não caiu. Parece que ainda estou em estado de tensão máxima e uma hora vão desligar a tomada e eu vou cair.
- Por isso aconselho que descanse. Pois bem, Zachary, como eu dizia, sua esposa está viva, mas ela não está consciente. Ela, mais precisamente, está em um estágio comatoso.
- Em coma? - repeti aquilo. Eu não sabia o que era aquele estágio comatoso, mas, se fosse o que eu conhecia de coma, ela estava vegetando? É isso?! Tentei não me desesperar antes que ele pudesse terminar. - Como assim? Não disse que ela está viva, que...? - não aguentei e comecei a fazer perguntas.
- Zachary, ainda temos muito que estudar na medicina sobre a complexidade da mente humana. Os neurocientistas se debruçam sobre este tema há anos e ainda sinto que mal começamos. Mas, eu vou tentar te explicar de maneira bem simples o que já sabemos até então. O coma é uma lâmpada que tinha um brilho bem forte, mas, de repente, por algum motivo, ficou muito fraca. Tecnicamente falando, é um rebaixamento do nível da consciência.
- Ela está igual um vegetal
- O cérebro tem uma parte que funciona no “piloto automático”, como, por exemplo, o estado de sono e de vigília, os reflexos de sucção, reação do acompanhamento do olhar e muitos outros. No coma, sobra esse automatismo do cérebro e a pessoa continua respirando e o sangue sendo bombeado pelo coração. Já no estado vegetativo a pessoa, não tem essas funções voluntárias, precisa dos aparelhos para mantê-la viva. No coma, a pessoa pode voltar depois de anos!
- Anos? - repeti aquilo, quase sem voz. Eu estava desolado. - Mas, peraí, se ela está em coma, como fica o bebê?
- Isso é que vamos tentar fazer de tudo para resolver. Temos que manter suas condições vitais para que termine de gerar o bebê. Zachary, ela pode acordar daqui uns dias, daqui meses, anos...
- Ou nunca mais?
- Isso só o tempo dirá. Os médicos não salvam, eles só aliviam as dores, meu rapaz. - explicou humildemente. - Eu vou perguntar se já pode vê-la.
- Tudo bem. - levantei-me.
- E... - ele pareceu ter esquecido de alguma coisa quando girou a maçaneta da porta. Virou-se para mim. - ... As pessoas em coma podem ter reflexos, apertar a sua mão quando tocá-la, abrir e fechar os olhos, mexer a cabeça... Mas, isso não significa...
- Já entendi, são reflexos voluntários que ela não controla?
- Exato. - ele deu-me um tapinha nas costas e apoiou a mão no meu ombro. - Você pode voltar para a sala de espera que eu peço para uma enfermeira avisá-lo
- Obrigado. - apertei sua mão.
Fui recebido pelos olhos apreensivos de minha mãe. Tentei repassar-lhe tudo que o médico me dissera. Logo em seguida, chegou Fonseca com uma roupa para eu vestir que fora buscar em minha casa à pedido da minha mãe. Dei-lhe as últimas notícias. Depois, foi a vez de repetir tudo à mãe de Jeni, que se encarregou de bom agrado de comunicar à imprensa.
Procurei um banheiro para trocar de roupa. Lavei os braços e o rosto. Sequei-os com a toalha de papel e a joguei no lixo. Voltei para a sala de espera.
- Você é o marido da paciente Vanessa? - a enfermeira aproximou-se de mim. - Pode me acompanhar?
- Claro. - levantei-me e a segui.
Passamos para uma área silenciosa do hospital. Um corredor vazio e comprido que trazia uma sensação de opressão. Pus as mãos no bolso, acuado. Uma parede com a metade superior de vidro me separava agora do quarto onde Vanessa estava. A enfermeira abriu a porta para que eu pudesse entrar. Deixou-nos à sós.
- Meu amor... - toquei na sua mão delicadamente. -... Eu vou estar com você. - inclinei-me sobre ela e beijei-a na testa. - ... Dorme o quanto for preciso para você se recuperar e cuidar do nosso menino. Ele vai ser muito bagunceiro, sabia...? _ afastei com as pontas dos dedos os fios do seu cabelo para o lado. _ ... Você vai precisar de muita energia para aguentar o pique!
Os dois primeiros dias eu fiquei ao lado dela. A enfermeira aconselhou-me a ir para casa descansar. Eu lhe disse que me sentiria culpado se a deixasse.
- Nós cuidaremos bem da sua esposa. Não há nada que possa fazer diretamente para ela sair do coma. Eu já vi muitos casos e sei que pode demorar um tempo. É hora de pensar em se restabelecer para enfrentar tudo com mais forças. Senão, vou te ver naquela maca ali daqui a pouco e não estou a fim de te dar banho, hen?!
Eu ri e balancei a cabeça para os lados. Ela estava certa.
- Vocês me ligam se...?
- Claro, será a primeira coisa que faremos!
Antes de sair do quarto, ainda olhei Vanessa por um instante. A enfermeira me fez um sinal de que tudo ficaria bem e sorriu. Suspirei.
Chegando em casa, senti que estava sem forças, caí na cama e ainda ouvi minha mãe perguntar se eu queria comer alguma coisa.
- Eu só quero dormir também...
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Hiiiiiii!!
Quando se acha q tudo vai melhorar... Acontece uma coisa dessas neh!?
A Vanessa tem que ser mais forte ainda e sai dessa...
Essa tristeza ta me consumindo o coração!! Tadinho do Zac!!
É um menininho o filho deles oown ♥___♥
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

3 comentários:

  1. aiii encheu meu coração de lagrimas esse capitulo.....posta mais...bbjs

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  2. Assim meu core não aguenta ,Tadinho do Zac ! Tomara que ela acorde logo e fique tudo bem!Posta logo bjs bjs

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  3. aiiw gente,que judiação
    e eu aqui achando que tudo se resolveria logo e voltaria a ver Zanessa juntos novamente
    espero que a Nessa saia do coma rápido
    posta mais,kisses

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