sexta-feira, 17 de abril de 2015

Não importa a queda, levante-se! (Zachary)

Parei novamente à porta do quarto de Vanessa. Eu voltava ali para buscar uma imagem, um cheiro, uma lembrança boa que servisse de força para resistir. A cama já tinha sido arrumada por minha mãe e, à cabeceira, estavam os três cadernos. Sorri e caminhei até onde estavam. Abri a capa do terceiro que eu não tinha lido ainda e vi um cd. Franzi a testa.
Sentei-me e folhei-o. Era diferente dos outros. Não havia apenas descrições de amor como nos anteriores. Estava repleto de recortes de revista e jornal. Ri e olhei para o alto, balancei a cabeça para os lados.
- “Você me conta toda noite ao jantar como foi seu dia. Mas nunca quis saber o meu em detalhes. Talvez, ache que seja só uma rotina chata de uma menina estudante”.
Vanessa havia colado ao lado das letras escritas com caneta de tinta preta forte uma imagem de uma menina japonesa de saia plissada e meias brancas até o joelho com cara enfadonha sentada ao meio fio.
Ela estava errada, eu sempre quis saber sobre suas coisas. Eu só vivia ocupado demais. Julgava que poderia deixar para depois... ou... Droga! Ela estava certa, eu pensava que seu dia era sempre igual! Por que eu fui tão egoísta?
Deitei-me e apoiei a nuca na mão, flexionei uma das pernas e segurei o caderno em cima da minha barriga. Minha mãe, que passava pelo corredor, espiou para dentro do quarto, perguntou se estava tudo bem. Eu fiz que sim e ela olhou mais um pouco para se certificar de que era verdade. Voltei a olhar as gravuras e os textos escritos por aquela fina caneta preta. Letras compridas e bem desenhadas como nos convites de casamento.
Mas nem um dia para mim é igual, pois a minha rotina é muito diferente do que eu poderia imaginar que seria. De uma hora para outra mudou completamente ao te conhecer. Tudo é novo, é bom, é mágico!
Queria poder confessar-lhe o mesmo agora, para mim também tudo havia se tornado mais proveitoso ao seu lado. Como me fazia uma imensa falta!
Por isso, queria te convidar que fizesse comigo uma viagem pelo meu dia. Mas tem que levar isso a sério!
Ri ao ver a foto que ela tirara dela mesma me encarando de lado e colara na página, fazendo pose de desconfiada. Estava linda. Ela era louca! Incrivelmente louca.
- Aonde você vai? - minha mãe perguntou, quando passei por ela na cozinha.
- Vou dar uma volta. - beijei-lhe a testa.
- Vai ao quartel? - perguntou.
- Não. - respondi e peguei as chaves do carro.
Sentei-me ao volante e abri o caderno.
- “Como eu não saio de casa sem os meus fones, gravei para você algumas músicas que será sua trilha sonora.
Tirei o CD que Vanessa havia colocado dentro de um envelope na contra-capa. Introduzi-o no Player do carro.
- “Eu comecei a ouvir suas músicas e gostei de algumas. Aprendi tantas coisas vasculhando seu mundo de livros, revistas antigas, filmes e Cds. Agora quero te mostrar o meu universo.
- Hum... Norah Jones? - falei alto para mim mesmo. - Boa escolha, garota! - liguei o carro.
 “I waited `til I saw the sun / I don`t know why I didn`t come / I left you by the house of fun / I don`t know why I didn`t come (2x) / When I saw the break of the day / I wished that I could fly away / Instead of kneeling in the sand/ Catching teardrops in my hand / My heart is drenched in wine / But you`ll be on my mind/ Forever / Out across the endless sea / I would die in ecstasy / But I`ll be a bag of bones / Driving down the road alone / My heart is drenched in wine / But you`ll be on my mind / Forever / Something has to make you run / I don`t know why I didn`t come / I feel as empty as a drum / I don`t know why I didn`t come”.
Parei no primeiro sinal de trânsito e coloquei o caderno sobre o volante.
- “Essa música fala sobre por que ela não foi com ele. Não que seja meu caso. Eu te segui e lutei por nosso amor. Mas, a cada vez que eu a ouço, me faz pensar sobre não deixar de fazer nada do que eu desejo. Sente como é gostoso o som do piano? Deixe a música invadir todo o seu corpo”.
Um carro buzinou atrás de mim, pisei no acelerador e guiei para o Centro da Cidade. Vanessa colara em uma das folhas um mapa repleto de setas coloridas com canetinha hidrocor. Elas indicavam o caminho que eu deveria percorrer. Segundo explicara, depois das aulas na faculdade, começou a andar pelo Centro para conhecer os pontos históricos. Alguns eu já conhecia, mas hoje queria estar na pele dela. Isso parecia loucura, uma criancice. Eu apenas gostaria de me afastar por completo daquele clima de tristeza que me perseguia durante as três semanas em que ela estava no hospital.
Eu havia sido liberado do trabalho por completa impossibilidade de me concentrar. Tirei uns dias para me refazer por aconselhamento médico. Eu estava entrando em depressão e a psicóloga me mandou para casa. Por isso, aquele passeio era importante. Fazer coisas diferentes com a companhia de Vanessa me levantaria o astral.
Estacionei o carro e fiz o caminho a pé para poder ver tudo que ela queria que eu visse. Trouxe comigo o caderno de capa vermelha.
- “O Centro do Rio de Janeiro é repleto de livrarias, praticamente em todas as ruas você vê uma delas. São todas bem iluminadas, com televisões, sofás aconchegantes,
cafeterias e uma música ambiente deliciosa. Mas, a que mais me atrai é a “Livraria da Travessa”, refiro-me a que fica na Avenida Rio Branco, porque também existe uma na Travessa do Ouvidor. Ela está em um prédio antigo, feito de pedras cinzas e no segundo andar há diversos quadros grandes em preto e branco maravilhosos! Sente-se aí e tome um café”.
Olhei para o prédio. Realmente... As pedras, a vitrine, a iluminação amarelada, o cheiro, a música de fundo... Tudo ali na minha frente!
Sentei-me e pedi um café como ela indicara.
- “A vida nos permite ser tão felizes e, muitas vezes, nós apenas focamos no que ainda não temos. Já parou para pensar como esperamos um pouco mais para finalmente sermos felizes? Devíamos aproveitar com mais sabor cada instante. Sinta a paz que está agora ao seu redor. Você pode caminhar até aqui porque tem duas pernas, pode olhar para essas pessoas aí embaixo folheando os livros porque pode enxergar. Andar e enxergar é uma dádiva, mas pensamos que faltam ainda os óculos de marca ou o tênis de marca. Os acessórios são vendidos como o tesouro máximo. E trabalhamos e nos matamos para tê-los. A vida segue passando...
Terminei meu café e segui o seu guia.
- “Agora, caminhe por toda a avenida Rio Branco e você verá à sua frente cruzar a magnânima Avenida Presidente Vargas. Para construí-la, foram demolidos os cortiços e casebres antigos que se espremiam nas vielas apertadas que havia aí, nos anos de 1950. Eles abrigavam a zona de meretrício. A sua próxima parada será a Igreja da Candelária. Independente de credos, é impossível não entrar e contemplar a beleza da obra. Uma arquitetura esplêndida que irá te fazer olhar para o teto e ficar de boca aberta.
Olhei para a imagem que ela havia colado no caderno e depois para a fachada da igreja. Entrei. Realmente foi como tinha descrito. Ao ver a suntuosidade da decoração eu fiquei me sentindo muito pequeno. Sentei-me no banco.
-“É incrível como, no coração do Centro do Rio de Janeiro, você pode sentir a paz e a quietude nas dezenas de igrejas. Feche os olhos e fique em contato com Deus. Aproveite este momento único de estar imerso no nada. Sem pensar em futuro, nem passado. Se sinta preenchido pelo clima de quietude e a música do canto gregoriano”.
Deixei minhas pálpebras caírem e a voz dos monges cantando me elevou para um real estado de contemplação do meu interior. Um nó se fez em minha garganta. Imaginei que Vanessa já esteve ali e talvez nunca mais viesse a retornar. Pedi a Deus que isso não acontecesse. Disse-lhe que a queria de volta para mim. As lágrimas escorreram por meu rosto. Eu precisava chorar para desaguar aquele sentimento. Depois, respirei profundamente e me senti mais leve, renovado.
Era hora de continuar o percurso:
- “Continue pela Rio Branco, que cruza a Avenida Presidente Vargas. Veja como as pessoas atravessam as faixas de trânsito como um formigueiro humano. As gigantescas bancas de jornal, repletas de revistas, livros, periódicos internacionais e muitas publicações de mulheres peladas. Essas você não olha!
Ri e balancei a cabeça para os lados. Ela era tão divertida. Saudade de provocá-la pelo puro prazer de ver sua carinha de brava.
- “Você passará por um Mc Donald’s de dois andares que fica na esquina de uma rua. Mas hei, antes dele há mais coisas. Assim como você, eu também sempre andei apressada e não olhei direito pelas pequenas ruelas transversais à avenida. Há o Espaço Cultural dos Correios à sua esquerda, à Rua Visconde de Itaboraí. Já vi aí uma belíssima exposição do grande fotógrafo Cartier Bresson. Mas para falar dele para você, quero que antes você pare na Casa do Pão de Queijo que fica à Rua Sete de Setembro. Te aconselho que peça um cappucino. Mas se o dia estiver quente, peça um suco de abacaxi com hortelã que é divino. A mulher irá te perguntar se é com açúcar ou sem. Lembre-se que quando ela fala com açúcar é realmente com muito açúcar mesmo! Por isso, escolha sem açúcar e depois que ela bater no liquidificador, aí você pede um sache de açúcar para você mesmo dosar o tanto que quer. Depois, sente-se em um daqueles bancos altos que ficam ao lado do balcão de frente para a parede de vidro que dá para a rua. Veja o movimento das pessoas bem arrumadas. Os homens de ternos e as mulheres de meia fina e salto de bico, aqueles de matar barata no canto”.
- Com açúcar? - perguntou-me a mulher.
- Sem, por favor. - disse-lhe sorrindo ao lembrar da indicação de Vanessa.
Sentei-me com seu caderno diante do vidro transparente e bebi meu suco. Muito gostoso mesmo! Queria poder tê-la ali ao meu lado para beijar-lhe os lábios molhados e dizer que era muito melhor o beijo que o suco. Ao passo que diria que eu estava mentindo.
- “Eu ia lhe falar do fotógrafo. Pois bem...
No caderno, havia dezenas de ilustrações impressas das obras do artista.
Certamente, esse tinha sido o fim das tintas para a impressora que eu comprara! Mas valia a pena. Ela escrevera tudo bem detalhadamente no meio de tantos recortes e colagem.
- “Ele veio de uma família pequeno burguesa parisiense e dizia que iria ser pintor. Aos 17 anos, ganhou de presente uma câmera e começou a fotografar na fazenda do tio o cultivo da cana de açúcar. O que lhe inspirou o interesse pela fotografia foi a foto Meninos Negros à Beira do Lago Tanganica (1931), de Martin Munkacsi. O movimento das crianças correndo em direção à água sensibilizou Bresson para o poder da imagem fotográfica. Eu vi um filme sobre ele chamado Ponto de Interrogação, em que aceita fazer um bate-papo sobre as impressões de seu trabalho. Muito tímido, pede para que a luz de um dos refletores seja tirada de cima dele. “A penumbra é muito mais íntima”, explica. Essa intimidade presente entre a penumbra e a luz é tão bem representada nas fotos preto e branco de Bresson, que não fotografava em cor. Por mais que a cor seja uma representação que aparente uma reprodução mais natural, ela tenderia facilmente ao superficial e ao mecânico.
“Tirar uma foto é como reconhecer um evento e naquele exato momento e numa fração de segundo, você organiza as formas que vê para expressar e dar sentido ao evento. É uma questão de pôr o cérebro, o olho e o coração na mesma linha de visão. É uma forma de viver".
Como ela sabia de tudo aquilo? Ela leu? Pesquisou? Viu exposições? Onde estava essa Vanessa que eu subestimara? Eu estava simplesmente estava maravilhado! Não conseguia parar de folhear as páginas coloridas com setas e observações.
- “As fotos de Bresson instigam a imaginação. Seu poder de captar a imagem síntese, que diz por si só, sem precisar de mais legendas, ou explicações, nos leva a profundas reflexões, uma vez que o trabalho geométrico e a sensibilidade com que as cenas são aprisionadas nos remetem a uma introspectividade. Quando vejo as suas mais simples fotos de pessoas de olhar perdido, sentadas em poltronas ou cadeiras, me pergunto; “o que elas pensavam?”, “Quais eram suas preocupações?”, “Quais eram suas dores?”. O fotógrafo conseguia captar um momento em que a pessoa se entregava à suas próprias reflexões e se esquecia da máquina. O resultado disso é uma foto que para mim funciona como um rádio, que me leva a imaginar as vozes mentais dessas pessoas silenciosas.
Esse efeito de ressonância entre a imagem e a experiência de vida de cada um é o que Bresson mais valorizava quando dizia que a fotografia lhe atraia por esse poder de despertar o inconsciente. Pois o importante no retrato não era a expressão, para ele o mais interessante de se captar era justamente o silêncio.
Cartier, que era um a admirador dos cientistas por estes não acreditarem em tudo e estarem sempre renovando suas teorias, dizia que o principal não eram as respostas, mas as perguntas e, certamente, isso fica impresso no seu trabalho. Ao observar uma de suas fotos em que um homem com uma perna só anda de muletas diante da ruína de uma construção, eu encontro uma resposta para o que é isso: uma pessoa que está tão destruída fisicamente como os próprios escombros do seu país. Mas também surgem muitas perguntas para o por quê disso: Por que o homem é capaz de destruir o seu igual?, Por que ele acha que a cor da pele ou a diferença de religião pode formar categorias do bem e do mal? Sucessivamente, as inquietações vão surgindo a partir da imagem daquele aleijado.
Cartier sabia que o visor de sua máquina tinha a capacidade de captar as pessoas nuas, não fisicamente, mas no seu íntimo psíquico e, muito consciente disso, Bresson não gostava de ser fotografado. “Não gosto que façam comigo o que faço com os outros”, explicou. Sobre as imagens que vira em vida: na guerra, na sua estada num campo de concentração alemão por três anos, no cotidiano em meio ao cidadão comum e ou entre as pessoas famosas, Cartier afirmou: “Não posso mudar nada do que vi, mas o que vi me mudou”.
Uau! Eu não tinha ideia de quem era aquele cara, mas pelas palavras de Vanessa pude navegar em seu mundo. Por uns instantes, esqueci de todos os meus problemas! Aquele dia estava sendo incrível e eu não queria parar! Eu não podia mudar a realidade horrível de Vanessa estar ligada à aparelhos, da mulher da minha vida estar praticamente morta, mas tudo que ela estava me fazendo ver certamente me mudava!
- “Se caminhar por toda a rua Sete de Setembro, irá ver mais livrarias, uma grande floricultura ao ar livre e, por fim, duas igrejas antigas lado a lado. Uma delas acabou de ser reestaurada, me refiro a que não tem uma cúpula redonda. Do outro lado da rua, você verá uma estátua grande de Tiradentes, ela fica diante da escadaria do Museu Tiradentes. Ao lado dele, pasme, mais outro museu! Esse agora chamado de Paço Imperial. É ali que a Família Real Portuguesa ficou quando veio para o Brasil.Ele foi construído no século XVIII. Ainda aí na Praça XV, você encontrará o Museu Histórico Nacional e nos seus jardins interno, cheio de antigos canhões vai ser remetido ao Brasil Império. Não deixe de caminhar por cada canto desse museu. Os vestidos ricos em pedras, as jóias, todas as relíquias do Império. Fabuloso! Voltando para a rua mais uma vez... Aos sábados, existe uma feira fantástica de antiguidades mais alguns metros à sua frente. Umas duzentas pessoas estendem suas toalhas no chão ou levantam suas barracas. Há de tudo: relógios, cristais, livros, quadros, roupas, objetos de decoração, perucas, tudo mesmo que possa imaginar. É a coisa mais rica que já vi! Agora, siga pela Primeiro de Março e chegue ao Centro Cultural Banco do Brasil. Foi ali que tivemos aquele encontro doloroso em que me revelou que era Josh e me entregou a rosa.”
Queria que ela estivesse ali, sob a cúpula gigante do CCBB, para eu lhe dar um beijo. Abraçar forte e dizer que não importava nada, pois a amava.
- “Ao lado do CCBB, há a Casa França Brasil, construída em um estilo neo-clássico. Já te levei a museus demais. Mas é que eles ficam um ao lado do outro. Você começa a entrar e sair e não consegue parar. São fantásticos! A televisão fala da violência, dos mortos, das balas, dos tiroteios, dos assaltos. Mas o Rio de Janeiro é belíssimo! É vivo, é culturalmente riquíssimo! Já te mostrei alguns dos museus do Centro. Agora, perto daí, está o suntuoso e magnífico Teatro Municipal, ele foi uma reprodução do Paris Opera House.
Olhei a bela imagem que ela havia colado no caderno e quis ver de perto se era tão lindo quanto mostrava. Segui as setas do mapa e, mais uma vez, me senti minúsculo perante a obra faraônica do Teatro. Agora, eu começava a entender o que os estrangeiros buscam quando vêem ao Rio de Janeiro.
- “Há tantos e tantos lugares que você precisa conhecer. Não há como não parar nas lindas vitrines da mais antiga confeitaria... A tão famosa Confeitaria COLOMBO, que várias novelas de época da Globo já retrataram! Depois, passar pelos Arcos da Lapa e pegar o bondinho para seguir até Santa Teresa com seus bares maravilhosos! Há uma riqueza incrustada em cada rua que foge ao que todo mundo conhece pela televisão. É preciso caminhar e respirar, sentir, tocar, olhar a cultura saindo pelos poros da cidade!
Eu já andei tanto por essas ruas. Descobri cada coisa. Se há dezenas de livrarias, não imagina o que significa a dimensão das bibliotecas. A maior de todas é a Biblioteca Nacional. São andares inteiros de cultura. Você que gosta dos livros antigos, não vai ter vontade de sair de lá! Se pensa que isso é tudo,encontrei um verdadeiro tesouro da cultura no Real Gabinete de Leitura. Levante seus olhos para o alto, perceba a noção do todo, os minúsculos corredores entre as prateleiras. Quando olhei o prédio do lado de fora, não imaginei que ali dentro havia mais de 350 mil títulos. O maior acervo português fora de Portugal."
Era de fato um verdadeiro templo de cultura. Nunca tinha visto aquela cena, parecia irreal tantos livros em um só lugar! Senti como ela havia dito uma vontade de não sair mais de lá! Era tudo tão perto. Um museu ao lado do outro. A cada vez que se atravessava uma rua ou cruzava uma esquina via uma igreja barroca, uma livraria ou algum centro histórico. Voltei para o meu carro renovado, com uma injeção de ânimo, sorrindo até. Já caía a tarde e as luzes acenderam o Rio de uma maneira que nunca havia reparado. O trânsito estava horrível. Folheei sobre o volante, a cada sinal, alguns outros trechos do caderno. O Cd ainda tocava Norah Jones, “Thinking about you”.
- “Veja como há uma vida maravilhosa pulsando! Quando os problemas começarem a acontecer na sua vida e se sentir despencando de um desfiladeiro, pense que não importa a queda, mas que escale tudo outra vez. Levante-se!
Meu celular tocou. Eu sabia que não era certo atendê-lo no trânsito, mas parado no meio daquele engarrafamento não faria mal à ninguém.
- Alô?
- Senhor Efron?
- Sim.
- É do hospital onde sua esposa está internada.
- Como ela está? O que houve?
- Ela acordou.
- ... - eu senti o mundo parar mais uma vez. Eu tinha ouvido aquilo mesmo ou era força do meu pensamento?! Minhas preces tinham sido ouvidas.
- Obrigado por avisar, estou indo para aí.
Desliguei o telefone e quis gritar. Era só alguém no meio do trânsito caótico, em cima do elevado da Perimetral. Olhei à minha direita a Igreja da Ilha Fiscal toda iluminada de luzes verdes, flutuando sobre o oceano negro como a noite. Eu estava sorrindo, feliz como nunca.
Estacionei o carro na rua do hospital. Identifiquei-me na recepção e depois corri pelos corredores com o coração na boca, parei diante da porta do quarto de Vanessa e mal podia me conter. Ela estava de olhos abertos e levemente reclinada no travesseiro. Uma enfermeira verificava seu soro.
Sorri e enchi os pulmões de ar, perdi a voz, era muita emoção de uma só vez:
- Meu amor! - segurei sua mão e me inclinei para beijá-la.
Ela levantou o braço, tocou o meu peito e fez uma careta. Afundou seu rosto no travesseiro e se afastou de mim:
- Quem é você?
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Helooo!!
Aqui está um super capítulo!!
E que super capítulo hein!?
Só o meu coração que ficou bem pequeninho depois de ler esse capítulo!?
Que fofo a Vanessa propor ao Zac uma viagem ao mundo dela neh!?
OMG!! A Nessa acordoou ♥♥
Oi!? Como assim!? Ela não lembra quem é o Zac!??
Isso nãooo por favooor!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

4 comentários:

  1. ahhhhh você só pode ta brincando!!! como assim ela nao lembra dele??!!!!
    SOS posat maiss!!!

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  2. meu Deus ela não lembra do próprio marido!!
    POSTA MAIS HOJEEEEE POR FAVORRR !!!!!!!

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  3. Ai mds , espera, muita emoção de uma vez, que legal esse tour do Zac , que bom que a Nessa acordou, e pera, como assim ela n lembra dele?ai mds posta mais e logo bjs bjs

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  4. OMG não acredito nisso :o
    tadinho do Zac :'(

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