quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ou para sempre ou nunca mais (Zachary)

Levantei-me da cama. Meu sono não tinha me descansado em nada. Sentei-me e senti o chão frio sob a sola dos meus pés descalços. Passei a mão no meu cabelo raspado à máquina zero e enchi os pulmões do ar úmido da manhã. Caminhei até o banheiro e joguei água no rosto com a ajuda das duas mãos. Podia sentir dali o cheiro do café de Vanessa, enquanto escovava meus dentes.
- Obrigado. - disse-lhe, quando passou por mim na cozinha como quem quisesse fugir da minha presença. Ela não tinha obrigação de fazer meu café àquela hora da manhã e, por isso, eu lhe agradecia.
Ela voltou para o seu quarto. Não tinha mais aulas e podia dormir até tarde, estava de férias, apenas esperando o resultado do vestibular.
O trabalho era o mesmo de sempre, mas eu não estava tão empolgado quanto nos últimos meses. A minha situação estremecida com Vanessa conseguia estragar o prazer de tudo. Quando voltei para casa, encontrei-a sentada no sofá, lendo um livro.
- Espere! - pedi ao vê-la fazer menção a se levantar. - Não podemos ficar fugindo um do outro.
Vanessa encostou-se no móvel de porta-retratos e ficou olhando para o livro, deu leves batidinhas com a palma da mão contra a capa e depois alisou-a.
- Eu não aguento essa tortura. - reclamei, mas sem levantar a voz.
Pus a minha pasta na mesa junto com as chaves do carro. Caminhei em sua direção até parar à sua frente, mas deixei uma distância limite para que não se sentisse pressionada. Eu podia ver minha imagem refletida no espelho atrás dela.
- Nessa... eu não posso mudar o que se passou entre mim e sua mãe. Como também não consigo negar o que sinto. Não tem ideia do que foi passar dias vendo no seu rosto os traços dela. Era um pesadelo porque eu comecei a gostar de você e, ao mesmo tempo, ficava pensando: “Será que estou procurando a Michelle nela?”. Essa é a maior confusão mental que possa imaginar. Me revoltava quando eu via algum gesto seu que parecia com o dela. Eu queria esquecer o meu passado, mas o presente me trouxe justamente um pedaço desse passado em forma de outra pessoa.
- Desculpe se te fiz mal, mas garanto que, se eu pudesse, eu teria evitado tudo isso... - ela falou com uma voz fria e polida.
- Se pudesse? Você acredita no que está ouvindo sair da sua boca? Você realmente queria ter evitado nosso encontro?
-  ... - Vanessa não respondeu, nem me olhou se quer uma vez.
- Mas eu consegui colocar só você em primeiro plano e deixar para trás os meus fantasmas. Percebi que você é completamente diferente dela. Não posso negar, me apaixonei sim por uma garota mais nova e isso não é fácil para mim também. Mas, quando temos tantos benefícios, pagamos o preço da felicidade. Eu era feliz como nunca fui até nossa paz ser quebrada. Eu não quero viver como irmãos, não dá para ser seu amigo quando eu tenho vontade de dormir com você! Não dá mais para voltar, não dá! Será que você pode ao menos olhar para mim quando eu falo?
Vanessa levantou seus olhos e me encarou.
A campainha tocou.
- Quem falta bater nessa porta? O Papa?! - grunhi e caminhei irritado para abri-la.
- Oi, Zachary?! - era o filho de oito anos do meu vizinho.
- Oi. - respondi com um sorriso, pensando na ideia ridícula que tive alguns segundos atrás por temer quem me chamava à porta.
- O meu gato está na árvore do seu quintal.
- É?
- É! Ele subiu e agora não quer descer.
- Vamos ver o que podemos fazer para tirá-lo de lá? - convidei-o para entrar. - Sua mãe sabe que você está aqui? - perguntei.
- Sabe, ela que me mandou vir.
- Ah! Tá... - coloquei minha mão em seu ombro. - Vanessa, eu vou fazer salvar um felino ali e já volto.
Ela aguentou para não sorrir, mas não deu, abriu um sorriso pequenininho, no canto da boca.
- Vou tirar primeiro a farda, você me espera na varanda? - apontei para a porta da cozinha.
- Espero. - ele aceitou e eu fui até o quarto vestir uma bermuda e uma camisa.
-Você gosta de cachorros? - ouvi Vanessa conversar com o menino enquanto eu me trocava.
- Onde está o seu gato? - perguntei, chegando na varanda.
- Ali. - ele apontou com o dedo.
- Hum... - caminhei com ele até a árvore.
- Nossa! Como subiu ali?! - perguntei.
- Ele tem garras. - explicou-me, orgulhoso das capacidades de seu bichinho.
- É? E agora? Eu não tenho garras.
- Sobe, oras. - disse-me, como se fosse fácil.
- Vou pegar uma escada.
Eu não era o Thundercat, precisava de uma ajudinha tecnológica. Trouxe a escada branca e abri-a para alcançar o galho.
- Como é o nome dele? - perguntei.
- Juba.
- Por que esse nome?
- É que ele é muito peludo.
- Ele não vai me arranhar não, né? - perguntei.
- Você tem medo de gato é? - ele riu e zombou de mim.
- Claro... que não!
Subi no galho e estiquei o braço para alcançar o animal.
- Vem cá, vem... - chamei-o, mesmo sabendo que minha linguagem felina não era das melhores. - Vem...
- Juba, vai com ele! - o menino gritou.
Precisei chegar mais perto e o peso do meu corpo fez o galho abaixar. Com a diminuição da altura, o gato pulou e foi pego pelo seu dono.
- Valeu, Zachary! - o menino agradeceu.
Senti que a instabilidade do galho não me permitia voltar.
- Nessa! - gritei e ela veio em meu socorro. - Coloca a escada aqui de baixo. - pedi, mas era tarde, o galho se partiu e eu cai. - Aiii...
- Zac! - ela ofereceu-me a mão.
- Ai... Minhas costas... - reclamei.
- Deixa eu ver... - ela levantou minha camisa. - Nossa, você levou um corte feio.
- Ai, está queimando. - senti dor.
- Agora que já pegou o seu gatinho, pode ir, né? - Vanessa falou para o menino, que correu de volta para sua casa.
- Ah! Obrigado, Zachary! - ele gritou.
- Nada... - falei baixinho, sabendo que ele não iria conseguir ouvir nem que eu gritasse.
- Vem comigo... - Vanessa puxou-me até o tanque. - Tira a camisa. - pediu.
Quando olhei o sangue no tecido, entendi por que ela incitara o menino a ir embora. Não queria assustá-lo. Mas Vanessa, como sempre, não parecia nervosa.
- Vou lavar. Se inclina. - pediu.
- Com água fria?!
- Nem parece milico. - desdenhou e molhou as mãos para limpar o ferimento.
- Está tão feio assim?
- Foi superficial. Não vamos precisar chamar a ambulância.
- Muito engraçadinha. E nem mereço um só elogio por ter salvado um gatinho indefeso?!
- Manda uma carta para o IBAMA. - ela usou a camisa para secar minhas costas. - Senta ali em cima da mesa que eu vou pegar os curativos. - ordenou.
- Obrigada, enfermeira mal-humorada.
Segui sua instrução e a esperei voltar. Vanessa estava mais linda com a luz do dia resplandecendo frontalmente em seu rosto ou era a minha saudade de poder tocá-la que aguçava minha contemplação?
Ela fez seus procedimentos e depois parou ao meu lado para guardar tudo de volta na caixa.
Eu nunca podia imaginar que aquela garotinha de quem Michelle me falara assim que nos conhecemos seria meu futuro amor. Uma menina relegada a própria sorte, que primeiro caíra nas mãos da avó e depois de um padrasto, agora estava sob a minha proteção. Quando Michelle me disse que já tinha uma filha, eu pensei imediatamente que no futuro ela poderia acabar sendo minha também, pelo menos como filha de consideração. Se eu tivesse ficado com Michelle, meu sentimento hoje por Vanessa seria outro. Mas quis a vida me separar de sua mãe, justamente, para eu me encontrar com ela como homem. E era assim que eu a desejava.
Segurei seu braço e a puxei para que ficasse à minha frente, entre as minhas pernas. Olhei-a nos olhos.
- Ou é para sempre ou nunca mais. - disse-lhe.
Vanessa engoliu em seco e olhou para a minha boca e eu fiz o mesmo. Segurei seu rosto e, antes que ela pudesse fazer qualquer movimento de recusa, inclinei a cabeça para a direita, enchi os pulmões de ar e a beijei. Vanessa pôs sua mão sobre a minha, que ainda segurava seu rosto, mas não fez força para soltá-la. Deixou-se puxar por minha outra mão em sua cintura. Era maravilhoso sentir o gosto dos seus lábios molhados e sensíveis entre os meus.
Ela afastou sua boca e encostou sua testa na minha. Soltou o ar dos pulmões com força e riu um riso nervoso, que me pareceu um alívio quase dolorido. Eu conseguira quebrar sua resistência. Vanessa beijou a minha mão que tinha entre a sua e me olhou nos olhos.
- Ainda somos um só? - perguntei-lhe.
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Helloooo
Hahahahaha o Zac dando um de herói novamente... ♥___♥
Tadinho machucou as costas mas ainda bem que ele tem que a
Vanessa neh!?
Será que dessa vez eles voltam???
#TomaraQueSim quem ai torce pra eles voltarem!?
\o/\o/\o/\o/\o/\o/ 
Comentem ai...
Talvez poste mais hoje mas não darei certeza...
Obrigada pelos comentários!!!
Então beijos e até qualquer hora...

2 comentários:

  1. aiiii que perfeitooooooooooooooo ♥♥♥♥♥♥
    eles TEM que voltar!!!!!
    por favor amore,posta mais hoje
    eu PRECISO saber o que vai acontecer no próximo capítulo!!!!
    kisses

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  2. Ate que fim , eles tem que ficar bem definitivamente, ! Posta mais , to superhipermegaansiosa.

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