segunda-feira, 20 de abril de 2015

Trégua (Zachary)

- O que nós fazíamos para nos divertir? - Vanessa perguntou, sentada ao meu lado no sofá, ela parecia bem entediada enquanto eu lia meu jornal de domingo depois do almoço.
- Sexo. - respondi sem tirar os olhos do caderno de esportes.
- Sexo? Sexo o dia todo?
- É. Tem coisa melhor? - virei a folha e dei uma rápida olhadela em sua cara de assustada. - Sexo no sofá, na mesa, no tapete, no jardim, na escadinha ali da entrada...
- Eu era uma ninfomaníaca?
- Estou brincando com você!
- Seu... - arremessou uma almofada na minha cabeça.
- Olha o que fez com o jornal! Amassou! - aguentei para não rir e tentei parecer bravo.
- Você gosta de brincar com a minha situação, né? Mas se quer saber, eu sou praticamente virgem!
- Praticamente virgem? - repeti com toda a ironia que consegui. - Isso é piada, né? Nessa, a única realmente virgem aqui é aquela imagenzinha que temos em cima da estante.
- Zachary! Mas eu não lembro de nada!
- Ah, mas eu lembro! - dobrei novamente o jornal para ver a situação do ranking do Brasileirão. - Eu lembro de cada coisa...
- Seu grosso! Seu estúpido! E eu não lembro de nada! - falou aquilo com prazer no intuito de me provocar. - Nem meu corpo lembra nada, nadica de nada do seu, nem...
Eu perdi a paciência, larguei o jornal puto da vida agora e me levantei. Vanessa fechou a boca e inclinou a cabeça ligeiramente para trás com medo do que eu pudesse lhe fazer.
- Presta atenção - apoiei meus punhos fechados sobre o sofá e praticamente encostei meu rosto no dela. -... Eu entendo que você esteja irritada, que não me queira como me queria, só não me provoque...
Os olhos delas se encheram de lágrimas e fez uma carinha de quem ia deixar as comportas da represa de Itaipu caírem. Puta que merda, por que as mulheres usam esse golpe tão baixo, tão sujo, tão sacana?
- Não chora, não chora! - segurei seu rosto.
- Eu estou tentando, ok? Mas, você não está ajudando, você é um animal! - gritou comigo e se levantou para sair da sala.
Revirei os olhos. Oh, que ótimo, agora eu era o lobo mal que queria comer a Chapeuzinho Vermelho.
Poxa, tá vendo, leitores? Não consigo mais ler, não tem clima! Joguei o jornal de lado e ele caiu na cabeça de Jachary que deu um latido e correu de mim também.
- Nessa... - cheguei na porta do seu quarto. - ... Quer ia a um baile comigo hoje?
- Não... - falou com a voz abafada pelo travesseiro. - ... Não vou te fazer desfilar com uma baleia gigante.
- Você não é uma “baleia gigante”. - repeti, tentando imitar sua voz e dei a volta na cama para poder sentar-me ao seu lado. - É meu filho que está aí... - toquei a sua barriga.
- Tira a mão daí, enquanto estiver aqui é meu! - irritou-se.
- Caraca, você é a mesma, a mesmíssima Nessa chata! Está bancando a infantil de novo e você estava progredindo!
- Zachary, eu não gosto de você... - ela sentou-se na cama e vi que seus olhos estavam vermelhos. - Eu não gosto de vocêêê... - gritou a todos pulmões.
- Você só não lembra que gosta. - consertei falando baixinho, olhando para as minhas mãos.
- Eu não aguento isso mais, não aguento tentar me lembrar só para te fazer feliz, eu quero deixar de ser essa Nessa, só que não dá! - ela dedilhou os cabelos para trás, alucinada.
- Hei, você não pode se irritar. - lembrei-me. - Altera sua pressão, faz mal para o bebê.
- O bebê, o bebê! Você só pensa nessa...
Num impulso tapei sua boca com a minha mão:
- Não ouse falar qualquer palavra contra o meu filho porque ele já está sentindo tudo isso, não merece ouvir também. Você sabia que as crianças recebem tudo que a mãe emana para eles?
Em um instante, eu tive um reflexo. Se Vanessa estava tão mal e dizendo que não aguentava a perda de memória, ela poderia ser capaz de uma loucura. Não a deixaria entrar em uma depressão, isso levaria tudo por água abaixo de vez.
- Vamos ajudar um ao outro. Eu te ajudo e você me ajuda, tudo bem? - tirei minha mão da sua boca e tentei ser o mais amigável possível. - Que tal a gente sair? Tem um baile no clube, dança de salão. A gente se diverte e...
- Como espera que eu vá vestida? Enrolada nessa cortina?
- É... - olhei para a cortina. - Pode ser, você acha que cabe? Parece que vai ficar apertada.
- Aiii, Zachary! - ela deitou-se de volta no travesseiro.
- Não se preocupe, você já tinha pensado nisso antes. Há dois vestidos de grávida lá no nosso guarda-roupa. Eu prefiro o azul claro.
- É? - ela pareceu se animar.
Ficou fechado então o pacto de trégua para nos prepararmos para a festa.
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Olha eu de volta aqui com mais um capítulo!!!
Tinha começado muito bem pra ser verdade neh!?
Agora sim são os velhos Zac e Vanessa implicando um com o outro...
Pra completar tudo só falta mesmo a memória da V!!
Comentem ai...
Obrigada pelos comentários!!!
Beijos e até qualquer hora...

3 comentários:

  1. ai senhor, esses dois são uma graça ,posta mais bjs bjs

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  2. Aii Deus lá vamos nós de novo!! Kkkkk só mesmo e quando ela volta ein??!

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  3. gente esses dois são terríveis,kkkk
    quero até ver no que vai dar esse baile,rsrs
    posta mais hoje amor,kisses

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